terça-feira, 30 de setembro de 2008

Era uma Vez




Categoria: Contos

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Foi há muito tempo... Eu já nem lembro mais quanto tempo faz, mas eu adorava ir para a casa da minha avó, principalmente passar as férias, e sendo eu, a netinha preferida, tudo o que eu desejava fazer, a D. Quentília dava um jeitinho de me satisfazer... e mesmo com o aparecimento de outros netos, nenhum conseguia tirar-lhe o lugar de preferida da vovó.
Todas as noites eu ía em busca de aventuras, sempre acompanhada da minha vó, varando a escuridão da noite, à procura de quem contasse histórias de terror, e sempre deixavam o seu Bio Maroca, o avô dela para trás, elas sempre tomavam um rumo diferente, mas acontecia que as vezes se encontravam por acaso, pelas casas de fazer farinha de mandioca, que havia na região.
Certa vez eu estava com a minha avó na casa de farinha do seu Piló, e por sinal nessa noite estavam zombando de mim, das minhas infrutíferas tentativas de mexer a farinha que estava no forno, com um imenso rodo que em vão suster eu tentava... e foi quando o seu Bio chegou... e aí começaram a contar histórias de terror. Sentada em um canto da casa de farinha e me pondo no colo,eu e a vovó ficamos observando o meu avô que começou a fumau um cigarro enrolado de palha, e se pôs a narrar uma macabra história...
"- Era uma vez... um homem que não acreditava em Deus, e sempre vivia a matar o tempo bebendo e quawndo chegava em casa completamente embriagado, enxotava de casa a mulher e os filhos, sempre amaldiçoando-os.
Aconteceu que um dia, após ter bebido muito, ele voltava para casa, cheio de maldades, e o tempo todo falava assim:
- "Se o diabo permitir, eu hoje vou pro inferno, mas prá minha casa eu não volto mais". E ria-se diabolicamente
do sinistro comentário feito. Continuou caminhando até que percebeu estar sendo seguido por um gigantesco cachorro negro de imensos olhos vermelhos. Sentindo um arrepio de pavor, já que ele nunca havia visto nada igual, o pobre infeliz debandou a correr e ao chegar em casa, bateu desesperadamente na porta, gritando para que a mulher abrisse logo. E fica aliviado quando vê a porta se abrindo. Se arremessa contra a mesma gritando para que ela feche imediatamente.
Como um louco se agarra com a mulher e pede ajuda, ela sem nada entender, fica olhando-o e sente pena dele. Nesse momento a porta começa a ser arranhada, ele olha aterrado para a mulher e diz que o diabo viera buscá-lo. Sem tardança ela pega um crucifixo e começa a orar. Em seguida aponta o o crucifixo para a porta e diz: - Sai da minha porta e volta para as trevas de onde nunca devias ter saído. Na minha casa Deus faz morada e conosco Ele está...
Nisso se ouviu um uivo macabro acompanhado de um silêncio lúgubre, onde até o cachorrinho das crianças silenciara bruscamente após angustiados gemidos.
Um cheiro nauseabundo paira no ar...
E para terem a certeza de que não havia sido um pesadelo, encontraram no dia seginte, bem próximo a cerca do quintal, o cachorrinho com o corpo totalmente dilacerado..."
E foi desde esse dia que eu fiquei com pavor de cachorros... e quando tarde da noite eu e a vovó voltavamos de mais uma noite assombrosa, caminhando por estradas desertas, ou ladeando sítios esquecidos pelas vivas almas àquela hora, e que até mesmo a lua parecia se esconder de medo e o vento gelado trazia sons assustadores de dentro dos sítios. eu ficava apavorada me agarrando fortemente à minha avó, sempre pensando na história diabólica que um dia meu avô contara.

Encontro Etéreo




Categoria: Arte e Entretenimento

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Numa fria noite envolvida pelas brumas, duas figuras que caminhavam em sentido contrário se cruzam:

Ele: - O que fazes nessa solitária caminhada, numa noite tão tenebrosa, onde as ondas enfurecidas castigam sem dó e sem piedade os ouvidos sensíveis dos amantes com seus gemidos de dor e aflição?

Ela: - Fui despertada pela saudade e guiando-me pelo desejo cheguei até aqui, e tendo sido trazida pelas recordações, tento mergulhar em um remoto passado, na esperança dr trazer-me de volta à vida...

Ele: - É tão forte assim o teu desejo que não consegue te despertar temor o ribombar atroador dos trovões que mais parecem gritos coléricos de vingança de algum gigante enfurecido?

Ela: - Mais assustador é o som angustiado do meu coração que mais parece com o troar de feras se gladiando na pungente agonia de uma morte que não passará de uma vida sem esperanças. E tu quem és,que tantas perguntas me fazes, mas estás a caminhar assim como eu?

Ele: - Caminho pelos mesmos motivos que tu. Somos companheiros de infortúnio, estamos unidos pela mesma causa, já o pressenti... Eu sou o amor, e tu quem és?

Ela: - Eu sou a paixão.

Doce Encanto



Categoria: Contos

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Um grito desesperado rasga a entranhas da madrugada. O que devia ser um choro de alívio, se transforma num esgar inncontrolável de dor. Nalva olha o corpo sem vida da mãe e não consegue aceitar aquele fato, mesmo sabendo que esse momento estava para chegar, e que o mesmo era esperado para exterminar de vez com o sofrimmento da sua mãe, que vivia agonizando, já havia alguns meses, vítima de cancer de útero. E era sabido por todos que o melhor era o que havia acabado de acontecer. Mas era inegável que aquele crucial momento estava sendo mais difícil para a Nalva do que para os demais membros da família.
A Nalva muitas vezes ficara sem alimentar-se, passava as noites em vigília, mesmo revesando entre as irmãs, para que a sua mãe, a d. Lica nunca se sentisse só. Elas sabiam que o melhor que poderiam dar a mãe nesse momento era carinho e muito amor, pois era a única maneira que elas tinham para aliviar um pouco o sofrimento da mãe lica, como era tratada carinhosamente peloas demais pessoas, e assim elas prtocuravam preencher cada momento com muito amor, já que nada podiam fazer para abrevias tamanho suplício.
E foi assim que a Nalva pouco a pouco foi perdendo a alegria que tanta beleza lhe dava ao seu rosto infantil. Ela sabe que nunca mais conseguirá ser como já foi, pois foram longos meses de sofrimento e ela se viu mudando lentamente. Impressionante é que ela, talvez inconscientemente guardou consigo os traços da mãe, e em muitas ocasiões nos deparamos com a imagem da saudosa mãe Lica, quando fitamos o olhar sereno da Nalva. Sei que muitos anos já se passaram, mas a dor que a Nalva registrou ficou para sempre, já que a maior parte do tempo quem ficava com a mãe era ela.

Brasil ou França?




Categoria: Poemas
Bela capital é Paris!
Será que lá existe gente feliz?
Decerto que sim, por que não?
Lá é belo,é igual aqui
Há quem sorria, há quem chore
Há os que nascem, há os que morrem,
Há quem ame, há quem odeie
Há quem abrande um coração.
Há quem sofra na alegria
Há quem goze na tristeza e solidão.
Como bem se vê, é tudo igual
Brasil, França ou qualquer outra nação,
Há quem sorria, há quem chore
Há quem console teu coração.

Rei Dos Astros


Se a procuro, ela não foge.
Se a busco, ela me aceita
E chego aos poucos, de mansinho,
Envolvendo-a calidamente
Ao perlustrar com ânsia
O recôndito das sua fendas misteriosas.
E a minha paixão de inebriante
Torna-se ardorosa,
Intensamente abrasadora
E ao longo dos meses, com o fogo
Devastador do meu eu
Vou pouco a pouco crestando o seu corpo,
Para no final deixá-la de mãos feridas,
Corpo doente e a alma já quase morta.
O seu olhar dantes sereno, repousa triste
Sobre o horizonte
Ao sentir o seu corpo ressequido.
Aí, ela pede ajuda e esta vem...
Ela chega derramando suas abundantes lágrimas
Sobre os ferimentos que causei
E o seu agradecimento mais parece
Um esgar de revolta
No seu alto brado de trovão.
E submissa, ela deixa as lágrimas
Escoarem por entre os seus seios,
Lavando-os por completo
Até atingir a sua alma.
E assim ela voltará a ficar revestida de frescor
Para mais uma vez palpitar e fremir
Diante do ardor da minha paixão
Menos tempo ela haverá de ser possuída
pela frialdade,
Pois logo irá sentir necessidade do meu calor,
Da minha tórrida paixão.
E as chuvas terão que abandonar
A pureza do seu corpo,
Deixando-a fresca e bela para que eu,
O rei dos astros
Volte a possuí-la e mais uma vez crestá-la
Com a minha insaciável e premente paixão

sábado, 27 de setembro de 2008

Nem O Tempo Apagou



Categoria: Contos

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O vento castiga as folhas dos coqueiros com violência. O mar está bravo. A chuva que cai parece um véu a cobrir a visão do Antonio, que tenta em vão apagar o seu ontem.
Ele olha pensativo para a imensidão lá fora. Acende um cigarro e tenta se concentrar. Há dias que não consegue pintar, permanece olhando para as telas, pincéis e tintas espalhados, e entre os amontoados ao seu redor, vasculha na esperança de encontrar algo que o traga de volta a realidade. Mas é em vão.
Há meses que já não é mais o mesmo. Este sabe que jamais conseguirá apagar da mente o último encontro que tivera com a Berta. Berta, seu grande amor...
Remexe as papeladas e encontra a carta que um dia antes de partir ela lhe mandara pela derradeira vez...
"Antonio, um dia ousaste roubar o meu coração e com ele a minha vida. Deixaste para trás um espírito atormentado pela dor e pelo desespero.Foram anos onde nunca te pedi nada em troca, contentei-me em viver das saudades e das muitas recordações nossas... alimentei-me de sonhos e ilusões na vã esperança de que um dia irias retornar e trarias contigo toda a minha extinta vontade de viver. Mas as minhas esperanças foram morrendo lentamente com o passar do tempo e de forma incrível o meu amor foi aumentando pouco a pouco, e crescendo espantosamente dentro de mim..."
Antonio pára a leitura. Uma dor aguda aperta-lhe o coração, talvez seja a mesma tortura pela qual a Berta passou...
Volta a olhar para fora... o tempo continua igual. A chuva que cai torrencialmente parece compartilhar com ele do seu sofrimento. Olhando para a tela à sua frente, fita com pusilanimidade aquele olhar que parece acusá-lo de traição, de abandono, de rejeição. Nunca, o Antonio conseguiu retratar a fisionomia da Berta. E aquele olhar que um dia tanto o enlouquecera de desejos, hoje acusava-o violentamente.
Antonio volta a olhar para a carta e recomeça a ler... isto tornou-se um ritual nos últimos meses de sua amarga solidão.
"... Hoje a revolta infiltrou-se dentro da profunda ferida que trago na alma e que inultimente o tempo tentou cicatrizar. Posso estar sendo injusta, mas nesse momento eu te juro que teu último gesto para comigo foi apenas de indiferença, e eu não tive coragem de ver pessoalmente se tudo era real. Tenho certeza que a dor teria sido mortal... ouvir dos lábios que tantas juras de amor me fizera, e ver nos teus olhos indiferença ao invés do fogo
que tua alma deixava transparecer. Eu preferi partir sem tornar a te ver,pois eu prefiro que me odeies, se já não fores capaz de me amar, que me desprezes se já não sou para ti o que ainda desejas, eu até poderia aceitar a tua rejeição, caso eu tivesse caído no esquecimento. Tudo eu poderia suportar de ti, jamais porém a tua indiferença, que me consomeria as entranhas e que por certo tentaria inutilmente aniquilar com o meu grande amor, que ainda consegue resistir a tormenta, do meu amor desenganado por ti."
Mais uma vez o Antonio interrompe a leitura. A tristeza e o sofrimento que lhe invade a alma vem à tona em forma de lágrimas, lágrimas esta que o tempo não consegue secar.
Como encontrar a Berta? há meses o Antonio tenta, mas ninguém lhe soubera informar para onde ela tinha ído. Apenas sumira deixando atrás de si aquela carta acusadora, sem dar ao Antonio a chance de se defender.
Olha para a carta que parece queimar-lhe as mãos. Ele não soubera que a Beta o havia procurado. Ele nunca desconfiou que haviam sido vítimas de pessoas inescrupulosas. Tendo descoberto a verdade, já se fazia tarde. E hoje o Antonio não passa de um misantrópico, vivendo de recordações e sendo corroído pela incerteza de um perdão.
Com desespero ele olha para o final da carta que nunca chegara a ler, pois tinha medo do escárnio que ela poderia conter. Era melhor parar por alí, não precisava ir mais além, se um dia encontrasse a Berta pediria a ela que lhe contasse o que ele nunca tivera coragem de ler. Durante estes quase dois anos ele repetira o mesmo gesto. Guarda a carta se aproximando dos pincéis que estão espalhados. Junta-os calmamente, guarda as tintas, cobre a tela... momentos depois sai até a varanda e mesmo com todo aquele temporal, fica observando o pranto desolado da natureza que chora copiosamente, talvez chore por um amor perdido, quem sabe?
De súbito um relâmpago ilumina um vulto que passeia despreocupadamente sob aquela torrente d'água. Por certo mais um coração aflito como ele, e sem entender bem por que fazia aquilo, ele sai no encalço da estranha figura. Alcançando-a quando esta pára e ajoelha-se na areia soluçando bem alto, e escondendo o rosto entre as mãos. Ele aproxima-se cautelosamente e fica condoído com aquela demonstração de sofrimento. Tenta falar com ela e encontra dificuldades em se fazer ouvir, o vento e o barulho da chuva, bem como das ondas enfurecidas, dificulta um diálogo entre aqueles dois seres desesperados.
Antonio procura com calma afastar a estranha da proximidade do mar, levando-a para sua casa, onde ao menos o barulho do mar era bem menor.
Abraçado a mulher, ele começa a conversar e mostra-lhe que a maioria das pessoas também têm sofrimentos, e que ele era a prova disso. E ele conta sobre a sua desventura, não mencionara nomes nem tão pouco lugares. A mulher começa a dizer-lhe que a sua história é bastante parecida com a dele. Calados continuam a caminhar, chegando ao terraço ele a convida para entrar. Ela que vinha abraçada a ele, levanta o rosto e o Antonio não acredita no que vê, À sua frente está a sua tão amada Berta. Sofrida, desesperada, tal como ele. Ela tenta afastar-se mas ele a impede. Pede que fique, pois há algo que precisa contar a ela, há algo que precisa perguntar-lhe. E diz que nunca leu o final da carta, pois tinha medo do que ela pudesse conter, e acaba confessando que tinha esperanças de tornar a encontrá-la, pois era também a única forma dele vir a saber toda a verdade sobre aquela amarga carta, pois o medo de sofrer mais, tornara-o um covarde. Ele já havia sofrido muito e não queria aumentar ainda mais a sua dor.
Então a Berta pergunta-lhe se ele havia destruído a carta, ele nega. Ela fala que ele poderia ver por si só o que continha, mas ele se recusa, aí ela fala carinhosamente:
- O que eu falava no final da carta Antonio, é que apesar de tudo, apesar das minhas palavras tão duras, eu afirmava que continuaria a amá-lo para sempre e que eu não perdia a esperança de um dia ainda te-lo de volta para mim, inteiramente meu como outrora. Chorando Antonio a abraça e murmura um pedido de perdão e diz que embora não merecendo, precisa do amor dela para continuar a viver, pois o peso da solidão é muito grande e que ele já não a suporta mais.
Berta o olha apaixonadamente e ambos percebem a calmaria que reina lá fora, tal como em suas almas, agora que a tormenta acabou, a paz reinante em em seus corações contagia a natureza, que aliviada de sua mágoas adormece nos braços do infinito, como Berta acaba adormecendo nos braços do Antonio.

Vida De Sertanejo



Categoria: Contos

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O sol escaldante faz o Sebastião suar copiosamente. Os duros e longos anos naquela lida nunca o abateu.
O anoitecer de todos os dias o encontra de enxada nas costas, caminhando lentamente para casa. O cansaço é visível, como visível tem sido a fibra e a coragem desse sertanejo durante todos esses anos. Os sucos profundos que marcam sua tez, mostra a idade avançada do pobre homem. Seu olhar calmo e sofrido faz imaginar o quanto de histórias essa alma boa tem vivido no decorrer daquela rude e precária existência.
Ao longe o barulho de um trovão faz o pobre homem levantar o rosto cansado. O inverno está para chegar e se Deus permitir, aquele ano não será todo sofrimento para o Sebastião, pelo menos assim ele espera.
Mais um dia que chega ao final. Ele recolhe o pouco que havia levado para o roçado e ruma para casa. Cada passo dado torna-se cada vez mais dificultoso, é a idade a pesar-lhe sobre os ombros.
Filhos, Deus nunca o permitira te-los. Sua vida se resumia nele e na mulher, a d. Josefa.
Todos os dias ela o espera na cancela.
Repentinamente o Sebastião se sente mais cansado. A enxada parece pesar-lhe bem mais, chegando mesmo a incomodar. Ele tenta se apressar, mas seus passos vão se tornando menores, sua cabeça parece aumentar de tamanho, seus braços mal sustêm a enxada. Seus olhos se embassam e e ele pensa: - Onde está a minha Josefa que não vem em meu socorro?
Mais uma vez ele tenta ir mais rápido, mas não consegue. Nesse momento um pingo de chuva que cai sobre seu ombro quase nú, parece ferí-lo como se fosse uma agulha lhe penetrando na carne. Depois vem mais um pingo de chuva, depois mais outro e outro, refrescando-o apesar de parecer fazer-lhe chagas, e tornando mais lenta a sua cminhada.
Dobrando uma curva do caminho, Tião, como era chamado pela mulher, avista o seu casebre e percebe a ausência de fumaça na chaminé, desesperado tartamudeia para si: - meu Deus! onde andará a minha Zefinha?
Ao longe percebe o cachorrinho que vem latindo ao seu encontro, e em sua alegria quase o derruba. Pela primeira vez não sente a imensa alegria com a euforia do cãozinho, sua preocupação é apenas com a mulher. Já nem lembra mais da sua dificuldade em chegar até alí.
Angustiado ele olha para a sua pequena tapera, e sente-se pequeno, sente o medo tomando conta do seu ser. Os minutos parecem intermináveis. Mais cansaço a lhe dificultar as passadas já trôpegas.
Se aproxima da porteira e percebe o vulto da sua Josefa, imóvel no lugar de sempre. A única diferença das vezes anteriores é que ela não acenara para ele, e está sentada no chão, escorada no tronco de um imbuzeiro, o mesmo que havia servido tantas vezes de escora para ele, quando ficava a contemplar a noite estrelada, admirando a lua enquanto gostosamente deslizava as mãos por entre os cabelos da sua Josefa, sempre enroscando os dedos engelhados nos caracóis dos cabelos macios da mulher, e esta de olhos fechados, deitada sobre uma esteira,colocava a cabeça no colo dele.
As lágrimas escorrem pelo rosto do Sebatião se perdendo por entre os sucos de suas faces e se misturando aos muitos pingos de chuva que já começara a cair.
Lentamente ele se aproxima, deita no chão e deixa a cabeça repousar no colo dela. Ao senti-lo ela abre os olhos e passando as mãos por aquele rosto cansado, murmura: - Pensei que não vinhas mais, quase que não consigo mais te esperar...
Ele beija aqueles dedos finos e alisa aquelas mãos calejadas pela vida de trabalho árduo a que fora acostumada. Beija aquela fronte tão amada e diz: - Tu não podias ir sem mim...
E sentindo uma dor aguda no peito, aperta a mão da Josefa e sente que suas vidas se fundem num derradeiro suspiro.
A chuva fina já não mais os incomoda. O cansaço se foi... A noite chega de mansinho, suavemente as brumas e o silêncio envolvem aqules corpos que já não mais exalam vida. Apenas retrata o amor. O grande amor que vencera todas as dificuldades e todo o cansaço daquela longa jornada. Um uivo doloroso seguido por outro mais triste completa aquele mórbido quadro. Choroso o caõzinho se afasta em direção ao povoado...


Um Caso Ao Acaso



Categoria: Contos

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Vilma passava os dias pensando:- sim, ela podia se sentir a mais feliz das garotas. Namorava um rapaz que era tudo que queria na vida, era verdadeiramente o homem dos seus sonhos. E tudo eram planos bem discutidos para dar mais certeza aos seus anseios.
Os dias que passavam, pareciam dar mais firmeza de que tudo estava conforme os seus desejos.
Um dia porém a Vilma descobre estar grávida. Medo?
sim...- Será que o Homero iria gostar? A incerteza a deixa apreensiva e um pouco infeliz, e tudo parece incomodá-la, pensa em qual será a reação dele. Longe estava a Vilma de saber que o seu pesadelo estava apenas começando. O Homero ao ser informado do assunto, mostrou claramente o seu desagrado, porém o que mais a chocou foi quando o mesmo disse claramente a ela que precisaria urgente se livrar daquele problema. Então era assim... o fruto daquele amor para ele não passava apenas de um problema. Desolada, se sentindo a última das mulheres, ela resolve encarar de frente a situação, e a primeira coisa a fazer seria contar para o pai, já que ela era orfã de mãe. Sozinha com seu drama, ela procura o pai e lhe põe a par da situação. Amargurado, decepcionado, o sr. Valdir assume o que lhe parecia ser um erro da filha. Mas o seu Valdir nunca mais foi o mesmo, sendo a Vilma filha única era certo que ele havia sonhado com algo bem mais promissor para a sua filha. Mas no momento sua única preocupação era cuidar dela, pois ele tinha certeza que ela ainda seria muito feliz, pois ela sempre fora uma ótima filha.
Meses depois a Vilma ganha uma linda filhinha. O pai a levara para a casa de parentes em um outro estado, e sempre procurava nos finais-de-semana, estar com a filha para tentar suprir a sua carência afetiva. Mas a Vilma nunca mais ouviu falar do Homero... nada perguntava ao pai, e este nada comentava.
Quando do nascimento da sua filhinha, a Vilma está muuito amargurada, estar sozinha nunca foi o que desejara, mas agora ao receber a filhinha nos braços, promete a mesma que irá sempre amá-la e que não permitirá que a mesma seja magoada por quem quer que seja.
Algum tempo depois a Vilma retorna à sua casa, tendo sido muito bem recebida pelo seu pai. O seu Valdir se emociona ao ter a netinha nos braços. Os dias transcorrem calmos, a Vilma permanece em casa cada vez mais distante do Homero tentando apagar tudo o que ficou gravado em sua memória.
Mas tempos depois o Homero a procura e ela aceita-o de volta. Os meses vão passando, e o pai sempre contra, mas ela insiste e entre uma crise e outra, entre um desgosto e outro, a Vilma um dia consegue ver que na vida do Homero não há lugar para elas duas. Nunca ele quiz casar com ela. Uma outra garota nesse meio tempo apareceu grávida dele também.Foi duro, mas a Vilma pode enfim entender que na verdade ela unca foi mais do que um caso ao acaso na vida do Homero

Selvageria



Categoria: Contos

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Anoitece... Joaquim ainda não voltou para casa, a sua mulher não está preocupada, afinal era o dia primeiro de maio e ele devia estar com os amigos a festeja o feriado. A tarde ele fora visto no campo assistindo a uma partida de futebol. Apesar dele já ter bebido um pouco além da conta, também não era novidade para ninguém, afinal ele adorava jogar baralho e beber. Mas naquele dia as coisas iriam sair da rotina do Joaquim, mas ele ignorava tal fato.
A escuridão da noite tragara o Joaquim, pois este não voltara para casa. O dia seguinte chegou e nada de notícias do Joaquim. A mulher preocupada sai em busca do marido, mas ninguém sabe dizer o que acontecera com ele, o que fora feito do mesmo.
Os dias vão se passando e o desespero daquela família vai se tornando mais angustiante. Todos se puseram a procurar por ele, mas tem sido inútil. De nada sabiam, só que ele havia sido visto pela última vez no final de tarde daquele feriado no campo de futebol. A polícia já não fazia mais tanto empenho nas buscas, afinal era um simples, sem eira nem beira, como se costumava falar. Talvez quem sabe se fosse algum fazendeiro da região já teriam uma solução para o caso.
No décimo quarto dia do desaparecimento do Joaquim, quando não havia esperanças para mais nada, chega a notícia de que um corpo havia sido descoberto no canavial. Na realidade, não era bem um corpo, e sim o que havia sobrado de um.
Na noite anterior à manhã da descoberta, a polícia havia conseguido chegar até o criminoso. Muitos pensando que a polícia estava fazendo corpo mole, na verdade ela estava trabalhando em silêncio para não afugentar o possível assassino, pois a essa altura não havia mais dúvidas quanto ao que havia acontecido com o pobre do Joaquim.
Ao pegar o suposto assassino,já que havia sido ele quem estava no campo de futebol com o Joaquim, a polícia o fez confessar, e este revelara onde estava o corpo do Joaquim, num canavial próximo da cidade. Após a confissão, ele fora mantido preso na delegacia. O assassino, um jovem de dezenove anos, que atendia pelo nome de Miguel, dissera onde estava o corpo, só não revelara ainda o motivo do crime. Mas a polícia cuidaria disto quando retornasse do local do crime.
Quando a população tomara conhecimento do fato dirigiram-se a delegacia e se revoltaram diante da frieza do assassino.
O Joaquim já não existia, e deixara uma mulher com quatro filhos pequenos. Aos poucos vai se formando uma pequena multidão que caminha em direção ao canavial.
Uns vão, outros vêm, tapam o nariz, cochicham entre si, uns xingam outros se olham como se procurassem ler um o pensamento do outro. De conversa em conversa, dizendo-se revoltados e enojados diante daquele crime infame, vão se formando grupos de revoltados e como se estivessem numa velha cidade do antigo oeste americano, centenas de animais se encaminham para a delegacia... arrombam a mesma, ferem policiais e arrastam o Miguel para a rua, onde barbaramente o lincham. Será que alguém lembrou-se de perguntar o motivo daquele bárbaro crime? É certo que nada justificaria um assassinato, mas ao menos explicaria, tiraria dúvidas, e daria com certeza o que pensar... mas com certeza as únicas pessoas que poderiam dar uma resposta se calaram para sempre.
A cidadezinha volta a sua rotina normal. já cometeram justiça com as próprias mãos. Mas o que aconteceu de fato foi apenas mais um ato vil e selvagem de centenas que se diziam indignados com a atitude do Miguel, e no entanto foram mais animais, e mais vis, já que nada conseguiram mostrar, ou melhor dizendo, nada conseguiram dar à esposa do Joaquim, a não ser um deplorável espetáculo.

Tristeza Indelével


Eu li uma história de dor em seus olhos
Vi uma tristeza indelével pairando
Por sobre esse olhar tão triste
Que na hora de me dizer adeus
Tinha as cores desmaiantes do crepúsculo.
Havia sombras escurecendo a paisagem de sua alma,
Como havia sombras em meu olhar que tinha a placidez
Dos lagos adormecidos entre a ramagem densa...
Um dia nos dissemos adeus...
Minhas mãos tremiam, meus lábios emudecidos
Balbuciaram palavras de tormento e angústia.
Minha alma chorava e tremia de frio...
Tremia de frio porque sabia que você ía para longe,
Longe de mim, do meu toque, da minha vida...
Fiquei só, senti o gosto amargo da solidão
Os dia pesados de tédio vieram...
Talvez dentro do seu coração,
Tudo tenha morrido pouco a pouco,lentamente...
Todos os sonhos... todos os momentos de recordações...
todas as horas de saudades... Tudo. Tudo se foi...
E quando o tempo branquear nossos cabelos,
Quando já velhinhos, talvez com a memória
Já quase morta, eu ainda haverei de lembrar
Da cor de sonhos dos seus olhos... e em pensamento,
Mirando a sua face, perguntarei ansiosa...
Por que você me esqueceu? Por que me deixou morrer dentro
da sua saudade?
E guardarei comigo a resposta que jamais virá...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Traição


Nas armadilhas da existência
Revesti a minha alma
Com a armadura do amor,
Esquecida da envergadura
Que são capazes
O ciúme, a injustiça,
A traição, o abandono
E a indiferença...
O algoz
Que circundava a minha alma
Tinha a efêmera forma
De um botão em flor,
E quiz o acaso que este
Se transformasse
No portador da minha desventura...
No fantasma das minhas saudosas quimera,
Onde os meus inocentes artifícios
Apenas demonstraram
Tudo o que não me ía na alma.
Fui traída por mim mesma.
E hoje o ontem ou o amanhã
Nos fará como as pedras,
Que rolam nas estradas da vida
Mas sem nunca se encontrar.

Te Buscando


Por vezes me vejo
Tentando alcançar
Da vida o momento
De te encontrar
Perdida me sinto
Quando nesse meio tempo
Por mim te vejo passar

E como louca
Me sinto solta
Meus sonhos envoltos
Prá te agradar
Correndo célere
Para contornar
Essa espera que virá

Nos caminhos traçados
Eu ouço com pavor
As celeumas do coração
Explodindo de dor
Numa triste canção
E entorpecida
Sinto a alma agredida

e nesse meu penar
Eu novamente
Me lanço ao mar
E em fortes ventanias
Volto a te procurar
Mas pelas cercanias
Você não está

Eu fecho os olhos tristonha
E sinto uma leve brisa
É que eu voltei a sonhar
Suavemente sinto a tua carícia
Abrindo meus olhos
Te vejo chegar
E percebo que vens me abraçar

E sorrio... a cantar
Já não há pressa...
Já não és devaneio
És o amor verdadeiro
Que veio para ficar
Ou será que você veio
Só prá me encantar?

Mas não é bem assim
Teus olhos me revelam
Que és louco por mim
Então me sinto tranqüila
E te sinto assim
Como as flores do jardim
Guardadas no tempo só para mim.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Súplicas


Estou chorando...
Mais uma vez me faço em prantos.
Já não encontro palavras
Para dizer o que sinto,
Estas se perderam no vazio
Da minha vasta ilusão.
Perco-me nas tentativas de reencontrar-me.
Abraço-me na esperança de aquecer-me
Da frieza que reveste meu coração,
Mas a friagem impede-me de sentir
O frescor da primavera,
Esta desapareceu na tempestade invernosa
Da minha alma.
Quisera sentir a brisa acariciante
Do verão em minha vida,
Quisera sentir o palpitar do meu coração
Nesse meu tão sofrido interior,
Quisera secar meu pranto,
Atropelar-me com palavras que
Saíssem trôpegas de emoção dos meus lábios.
Como eu gostaria de fechar os olhos
E queimar-me no calor da vida.
Quem dera eu desconhecesse
A palavra solidão.
Ah! se eu pudesse povoar os meus momentos
De doces alegrias,
Ao invés dessas angustiosas súplicas.

Sonhos


Eu queria fechar os olhos
E ver surgir diante de mim
Algo que me arrancasse
Dessa impotente passividade
A qual venho me entregando...
Queria abrir meus olhos
E descobrir
Que os meus sonhos
Não são sonhos, e sim realidade
E com a minha realidade
também descobrir
Que as aparências se foram
E com elas todas as minhas
Desilusões, amarguras e
Frustrações.
Quem me dera
Dormir um sono profundo
E ao despertar
Sentir as tuas mãos
Deslizando suavemente
Por sobre todo o meu corpo.
Sentir a tua boca
Desesperada em busca da minha,
E o teu corpo fremindo de desejos
A reclamar pelo meu.
Quizera dormir, ter lindos sonhos
E ao despertar sentir
As nuvens dos sonhos se desfazendo,
Dando lugar a realização
Do meu mais louco anseio.

Suave Prece


A incompreensão nasceu entre nós
Aconteceu o fim dos sonhos
E nossas almas, antes tão cheias de luz,
Envolveram-se nas sombras do crepúsculo...
E como é triste o crepúsculo de um amor.
Teve início para mim uma noite sem luar, sem estrelas,
Viria para mim a tristeza sem fim das horas de tédio
Cheias de angústias e aflições.
Você partiu para longe,
E foi o fim de nossas rixas, e desentendimentos,
E de nossos beijos também.
Foi a morte do grande sonho
Que alimentou nossas vidas
Por tantos momentos de pura felicidades...
E um dia quando o tempo tiver me afastado
Das tuas lembranças
Quando tranqüilo estiveres ao lado de outro amor
Ao receberes um beijo... um dia... lembrarás de mim.
E talvez nesse exato momento, com uma lágrima,
Nos olhos tristes, estarei murmurando baixinho,
Como uma suave prece, assim:
- Ele me amava tanto... agora bem sei que para ele morri,
E para o mundo sinto ter morrido também, porque
Quem vive dentro desta saudade mesquinha,
É apenas um reflexo de tudo que sonhou ou viveu
E bem sei que nada há de renascer...
Nada viverei outra vez...
Até que um dia, quem sabe, a morte se compadeça de mim
E terei com certeza a tua lembrança numa derradeira vez...

Só Assim


Num mundo de muita pobreza
Pouca fé e grandes maldades
Num mundo de tanta beleza
De muita ilusão e poucas verdades

Nesse mundo de gente grande
Onde a cobiça impera
Reina soberana por alguns instantes
A inocência da criança que espera

Espera por um momento
Que o amor se sobreponha
Se desfaça o mau encantamento
E vença a dignidade, a vergonha

Que se destrua o câncer da corrupção
Que a luta pela honra se coroe
Há espaço para os bons de coração
Que ninguém se irrite, se magoe

Que vença sempre o maior
Maior em bondade, em amor
Não queremos apenas o melhor
Queremos que nos livrem de tanta dor

Só assim haverá progresso
Riquezas e tudo o mais
Seremos um povo de sucesso
Seremos uma nação capaz.

Ruínas


Eu vi por entre uma densa poeira
Um edifício tão bem construído
Ruindo parecendo de brincadeira
Deixando tudo o mais destruído

Era de poucos andares
Parecendo bem solidificado
Nele não havia pesares
Só amor multiplicado

Tinha por base o amor
Que parecia reciproco e verdadeiro
De entrada uma linda flor
Que te encantava por inteiro

O primeiro andar era firmado
Na cumplicidade e no respeito
O segundo era reforçado
De amor puro e sem defeitos

Nesse andar se refletia
Por toda a vidraça
Todo o amor e a alegria
Que nada no mundo embaça

O terceiro andar era encantado
Repleto de ternura e compreensão
Vivia embevecido com o telhado
Que para tanto amor servia de proteção

Sempre resistente aos vendavais
Que por ventura surgisse
Esquecido que dos temporais
Não tinha quem previsse

Nessa base tão fortificada
Com varões de amor entrelaçados
Com respeito solidificada
Formando um lindo emaranhado

Esqueceram que podia fazer parte
O tempo e os falsos brilhos
Escondendo uma grande verdade
Capaz de corroer qualquer trilho

Estes uma vez tendo ofuscado
Deixa vestígios infindos
Deixa qualquer vidro trincado
Sobram cacos mal vindos

O tempo nada faceiro
Pouco a pouco correu
E de modo traiçoeiro
A base que a tudo sobreviveu

e num rompante quase louco
A cortina se abriu
Libertando um grito rouco
Que aquela base feriu

Recebendo em pleno peito
A rejada da desgraça
De um vento suspeito
Quebrando todas as vidraças

Sem piedade o prédiop emplodiu
Um grito de dor primeiro
Ao ver que tudo ruiu
Deixando só o desespero

Desfizeram-se as amarras
Desataram-se os nós
Abriram-se as garras
Já não havia um nós

Porventura foram erradas
Tantas buscas desesperadas
Tantas fugas alucinadas
Para que nada pudesse desabar?

Tantos anos nessa construção
Tão cheias de sonhos
E também de aflição
Mas repletos de momentos risonhos

Que susteve em meio à lida
Um prédio que hoje em ruínas
Chora triste pela combalida
E miserável sina

Chora ao lembrar dessas vidas
Que atravessando fronteiras
Vencera a todas as partidas
Destruindo todas as barreiras

E é nesse momento porém
Entre surpresa e fascinada
Que eu vejo também
Escorrendo pela calçada

Um tímido veio de água
Nascendo de entre as borrascas
Pensa amenizar a caminhada árdua
Que prenuncia uma grande nevasca

Ele nasce manso e tímido
Ante a dúvida ou a certeza
Dessa construção talvez infinda
Que guardou tanta nobreza

Ah! quantos risos espocaram
Por entre estas paredes
Quantos sussurros foram ditos
Que pelas frestas escaparam
Quantos sonhos foram contados
Quantos planos foram traçados
Mas hoje tudo está embaçado
Na poeira dessa ruína
Foram tantas lágrimas
Tantas tristezas e dores
Mas tudo se desfazia
No arco-íris dos odores
Quanta satisfação
Quanto néctar colhido
Nos momentos de paixão
Por vezes de amor ferido
Mas hoje soluços gritantes
Mostra a dor desse peito
Por vezes não obstante
Por ter um grande defeito
Envelhecer com o tempo
Perdendo todo o encanto
E como todo evento
Que cai no marasmo
Dos anos ídos
Onde todo o sarcasmo
Já põe tudo findo

................................

Cada andar que foi subido
E em cada corrimão
Suave e desinibida
Trabalhou com maestria tua mão
Mas se dissolvendo no tempo
Lenta e com covardia
Se fora toda a graça
Só veio traiçoeira e arredia
As marcas da maturidade
Desfazendo as falsas alegrias
Arrebatando com fugacidade
Toda a tua emoção
Novo prédio que se ergue
Ou será fruto da imaginação?
Tens por abrigo nova marquise
Ou simplesmente planos
Pra novos rumos novas construções?
Ou será que o medo da velhice
Que sorrateira se aproxima
Te cegou
E num lampejo
Soprou-te aos ouvidos
O que parece ser canalhice

.....................................

A casa ruiu o sonho acabou
Projeto mal acabado
Por quem o arquitetou
No traçado dessa tênue linha
Uma outra mais firme
A realidade te lançou
Que belo edifício
Deixaste o tempo a base corroer
Mas o alicerce
Ainda parece firme
Aos vendavais resistiu
Os pilares apesar de retorcidos
Magoados e feridos
Permanece de modo sutíl
Lutando
Contra todo o material vil
Que surge nas grandes edificações
Tentando destruir
Majestosas construções
Que um dia o destino
Com amor e dedicãção
Achou por bem construir


Renúncia




Como custa renunciar a um sonho,
E mais ainda quando este tem se tornado
Motivo maior da nossa própria existência...
Se ao menos eu pudesse medir as consequências
Desta cruel renúncia,
Haverias de sentir que há muito eu deixei de viver
Para apenas te amar à distância.
Mas bem sei ser inútil,
Jamais conseguirás medir ou pelo menos pensar
No resultado do teu gesto.
Mas um dia eu espero conseguir fazer você sair
Da minha mente, como saiu do meu coração,
E só assim eu não irei mais tentar alcançá-lo
Nesse desespero imenso da vontade de te amar.
Deixarei de delirar, irei despertar dessa inércia,
Não mais sonharei para acordar balbuciando o teu nome,
Pois eu não renunciei a minha existência, mesmo que esta
Não tenha conseguido fazer da minha vida nada além de uma
constante abdicação.
E até hoje vivo mergulhada nesse triste e amargo
sofrimento,
Que na verdade não passa de uma constante renúncia.
Pois tudo que eu consegui foi fazer da minha vida
Uma constante renúncia

Renascer


É doloroso
Sentir o que já não se é
Quando na verdade
Nunca se foi...
É doloroso
Abrir os braços
Para receber o que nunca veio
Cruzar os braços
Ante o vazio cortante
De algo que transborda
Na alma...
Reprimir um riso
Para dar evasão
A um choro brutal
Convulsivo
Deixar um grito calado
Expandir, se perder
Em mil sussurros,
E pela fresta da existência
Perceber
A vida que célere lhe foge
Por entre os dedos...
Descobrir pasmo, o que
Nunca foi encoberto,
Apenas saber que seus olhos
Deixaram de ver...É doloroso
Sufocar
O que teima em brotar
Arrancar
O que insiste em permanecer

O soluço da dor
Esmaga o meu peito
grita em desespero
Ansiando um gesto de amor...

Mas a hipocrisia
Me afaga
E a falsa alegria
Me abraça

É a ilusão que me acorda
É a realidade que me adormece
É o sonho que me constrange
É a vida que me embrutece

É a saudade que me alimenta
É o desejo que me consome
É o desgosto que aumenta
Nas minha noites insones

É um sorriso que se apaga
Num olhar misterioso
É uma promessa que afaga
Um desejo imperioso

É a calidez do vento
Que desperta sentimentos
Prometendo o que faltou
Uma linda história de amor

Reflexão


Um momento apenas
E tudo parece voltar no tempo.
E foi num momento apenas
Que tudo se foi
Levado por você
E hoje trazido
Pelas sombras do que ficou.
Por mais que eu tente
Lutar contra o desejo
De ver surgir
Dos escombros dos meus sonhos,
Toda uma vida feita de esperanças,
É inútil.
Dentro do peito soluça em desespero
Velhas lembranças.
Grita aflito
O desejo adormecido de felicidades
E chora resignada e angustiada
A esperança de outrora
Por saber que nunca fui
O que sempre pensei ter sido.
Acreditei e fui desacreditada,
Exaltei e fui humilhada,
Amei e fui desprezada,
Desejei e fui preterida,
Confiei e fui traída,
Busquei, porém fui rejeitada.
Hoje
Tenho um gosto amargo
De desconfiança
Por não ter conseguido evitar
Ser apenas um ponto de partida
Nessa longa e perigosa
Estrada da vida

Recordação



Hoje eu posso assegurar
Pois com amargura eu vejo
Que sem chance de errar
Afirmo:
Da vida eu tenho medo.
Nada me resta na verdade
A não ser
Fechar os olhos
E recordar.
Recordar o que na realidade
O destino sempre fez questão
De tomar,
E conquantas não foram as vezes
Que o destino não me deixou
Sequer experimentar.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Quem Fui Eu?


No passado fui o teu primeiro encantamento,
O deslumbramento da tua mocidade,
A realidade da tua existência
E a descoberta do teu eu...
No presente
Posso ser a recordação do teu ontem,
O alheamento do teu hoje
E a saudade do teu amanhã.
No futuro posso vir a ser
O teu desejo esperado de voltar no tempo,
Quando por vezes me lembrares
No teu amanhecer,
Ou se me encontrares durante o teu
Adormecer,
Me fazendo a angústia do teu despertar.
Ainda posso ser uma ausência doída
E aquela dor quase esquecida.
Eu fui porém o mais límpido
Dos teus sentimentos
E a tua mais pungente dor.
-Tu sabes quem fui eu?...
...Eu fui o teu primeiro amor.

Pungimento


Tudo caiu no esquecimento...
Teu falso sentimento
Tuas palavras doces que só me recordam dor,
Ah! como dói lembrar... sentir meu peito aquecer
E nada mais poder falar,
Ficar apenas com as amargas lembranças
Que corroem minha alma, e que me deixate como herança.
As lágrimas que rolam livremente lavando meu todo
Sem contudo devolver a minha calma.
O céu de um azul puríssimo se confunde nos meus sonhos...
Perdidos na dor de um imensíssimo olhar tristonho
Este meu olhar já quase baço pelo desgosto
Do teu amor devasso.
Ah! meu olhar... este que tanto te encantou
Olhar este que te enfeitiçou,
olhar este que tanto você amou...
Mas o teu amor louco e profano,
Mergulhou numa fria indiferença
Transformando o belo, num sentimento de loucura
Ao invés de doçura...
Tornando em ruínas meu castelo.
Tão grande amor sucumbiu
Ao primeiro estertor esmaeceu...
Sobrepujou a vaidade, o orgulho ferido e a maldade.
Toda minha vida ruiu.
Nada mais restou.
A claridade do meu dia escureceu...
Planos desfeitos... Paixão saciada,
E eu contudo ainda me iludia
Que ao meu mundo voltarias,
E outra vez, minha vida encantada seria.
Mas tudo foi em vão. Roubaste meus sonhos
Destruíste meu coração e minha já perdida alegria...
Transformaste meu hoje em triste agonia
Se perdendo em louca fantasia...
Mas bem sei que segues alheio ao meu sofrimento
Mas eu creio que um dia o arrependimento
Será teu castigo e teu martírio
Até que um novo idílio
Em teu coração haverá de florir
E talvez assim compreendas toda loucura de amor
Que não fui capaz,
E entenderás também,
Tudo quanto ficou para trás,
Tristeza, mágoa e dor e uma saudade imensa
Sufocada na grande indiferença
De um breve e pungente amor.

Profanação


Ele chegou de mansinho... e conseguiu entrar na sua vida.
Sorrateiramente penetrou em seu coração,
Se apoderando do seu corpo e do seu espírito,
E com a maior destreza, usando de toda a sua astúcia,
Abandonou-a sem o menor constrangimento.
Ele se foi levando consigo a consonância de suas almas,
Deixando nela apenas vestígios de um amor louco e profanador.
E ela ainda não conseguiu olvidar este sentimento
Que tanto marcou a sua vida,
Queimando a sua alma e solidificando esse amor,
Quando este já não tinha razão para existir,
Pois ele o havia tornado um sentimento oprobrioso.
Os dias que chegam passam lentos e angustiados para ela,
A noite que chega traz consigo recordações
Que dão alento ao seu torturado viver.
Dentro dela há um grito sufocado pelo desespero.
Há um desejo reprimido que o traz de volta em pensamentos.
O íntimo dela anseia por algo que já não tem
E na louca tentativa de discernir o que lhe vai na alma,
Vive alheia a tudo sempre procurando esquecer
O que foi vida na sua vida,
Sempre tentando encontrar uma maneira
De matá-lo de uma vez dentro de si.

Preciso Acreditar


O dia que nasce
Me traz lembranças
Que não consigo esquecer.
São momentos que
Me fizeram vibrar, e
Hoje só os tenho
Nos muitos momentos nossos
De recordações,
E do qual
Ainda consigo tirar
Um pouco de vida...
Um dia te foste,
Deixando a bruma angustiante
Da solidão,
Ao apagar a luz do meu sol.
Mas é preciso acreditar
Em toda a verdade que não fomos
Em todo amor que não nos demos
Para que eu possa sentir
Que vale a pena reviver
Todos os nossos momentos,
Mesmo que para isso
Eu me perca
Nos pedaços desses momentos...

Esplim


Na vida tudo se aprende e infelizmente nada se valoriza
Nos resquícios dos momentos passados,
Visualizasse uma existência... Talvez um fracasso.
Nem sempre se entende o que uma alma busca reter,
Um sonho perdido, um sorriso apagado,
Um desejo contido, ou uma linha, talvez um traçado
Um coração sangrando, ou um corpo cansado,
Uma angústia efêmera, ou quem sabe
Efêmera seja a felicidade que talvez tenha surgido
Nos raros momentos vividos,
Momentos tristes, momentos esquecidos,
Momentos talvez, desapercebidos,
Como tudo em sua vida.
Nesse corpo debate em revolta uma alma que grita sem sentido
Um grito calado, que transborda de desejos ocultos, não
revelados
Por tudo ter aprendido, mas nada encontrado
Que valesse a pena lembrar...
Quanta amargura... Quanta euforia abafada
E este sorriso inquietante que se esconde sob o gelo
Que aos poucos se desfaz na hipocrisia,
Afogando os sentimentos frustrantes.
Que loucura! que insensatez! A povoar-lhe a mente
Lançando-a na embriaguez de momentos esparsos
Pelas bordas do seu eu...
Ah! como queria gritante sentir outra vez a alegria
De voltar à vida! voltar a acreditar na euforia
De sentir-se talvez... um ser
e não simplesmente, apenas e tão somente
Um ser humano qualquer, que deslizando pelas encostas
da vida
Suplica por uma ninharia de atenção...
Pensando que sabe que há muito
Não sente mais emoção,
Sem emoção por viver, sem emoção para viver,
Sem emoção por saber, que toda sua vida se perdeu.
Delírios inquietantes que regem seu pequeno universo
Que metamorfose seria essa, que a pudesse libertar
desse torpor
Que seus sonhos enfeitasse de asas, e os colorisse também
Que completasse seus sentidos
E num mundo inverso a liberdade porém.
Que mundo seria esse
Que apenas no seu universo sorriso não teria fim,
Lágrimas seria o contrário de tristezas ou de esplim.
E num repente tudo o mais se transformasse,
Das cinzas o amor brotasse
O sorriso espelhando felicidade, espocasse,
Borbulhando na emoção, talvez
De um outro alguém
Que por falsa emoção nem tenha percebido
Que já morreu também.

Ontem, Hoje e Sempre


Ontem eu vi por entre as lágrimas
Que turvavam a minha visão
Uma imagem embaçada
Saindo da minha vida
E sumindo
Nas brumas da escuridão.
Hoje, eu ainda ouço
O eco de uns passos
Ressoando dolorosamente
Em meu coração.
E sempre haverei de ver,
Ouvir e sentir
Uma imagem e uma voz
Em cada passo hesitante
Que eu der
Nas perdidas e inúteis tentativas
De salvar-me
Dessa imensa e eterna solidão.

Angustiante Apelo


Aquele olhar se repete em tudo
Ele sempre parece querer dizer
Sua garganta explode num grito mudo
Não me deixe te perder

O silêncio aflito a incomoda
Mas ele parece nem perceber
Para ele nada mais importa
O que a faz entristecer...

E o seu contínuo grito calado
Ecoa apenas em seu coração
Ele parece estar enfeitiçado
aumentando mais a sua aflição

Mas o grito abafado persiste
Mesmo permanecendo sem som
Ela chora, implorando e não desiste
Ele porém permanece no mesmo tom

E o grito calado dela insiste
Mas ele continua sem lhe entender
Essa indiferença a ela aflige
E chorando pede: Não me deixe te perder

Ele envolto em seu mundo
De pequenas ou grandes emoções
Não percebe o quanto de profundo
Há naquele apelo por atenções

Mas isto parece não interessá-lo
O mesmo continua sem retroceder
E com o coração sempre a desejá-lo
Repete infeliz: Não me deixe te perder

Entediado os olhos ele cerra
Ela vê o exício de sua vida acontecer
E numa turbulenta guerra
Sussurra: Não me deixe te perder

O apelo silencioso se vai distanciando
Dentro daquela alma algo vai morrendo
Os soluços desesperados vão calando
Algo em seu íntimo vai renascendo

A flor murcha parece reviver
E num suspiro fala enlevada
Não me deixe te perder
Não me deixe ser levada

E um último apelo se faz entender
Nessa alma que parece renovada
Eu não quero te perder
Eu não quero ser levada

E num breve suspiro se faz compreender
Ela já não tinha a alma enganada
E mesmo assim dizia: Não quero te perder
Chorando repetia: Não desejo ser levada

E como se nada fosse acontecer
Como se o tudo fosse um nada
Ele deixou tudo aquilo se perder
Ele deixou que ela fosse levada.

Por que ?


Eu não soube ler o que continha
No negro dos teus olhos...
Vi o que meu coração desejava ver
Enganando-me de forma quase cruel.
Hoje sofro o tormento de um amor perdido,
Amor este, louco e desesperador,
Que me faz duvidar da existência do perdão.
Mas para que acreditar em perdão
Se nada tenho a perdoar-te?
Basta-me crer que um dia fui amada
E que hoje amo por nós dois
Não importando se eu ainda seja lembrada.
Se amo o mar, a chuva ou a noite,
É por te ver em tudo que os meus olhos alcance.
Mas por que não te afogaste
No mar azulado dos meus olhos?
Ou então por que não te perdeste
Nas matas esverdeadas do meu olhar?
Preferiste que eu mergulhasse nas sombras negras
Desse teu olhar, sem uma luz para me guiar
Para fora de ti...

Poema à minha avó


Que doçura é a minha avó
Não me viu nascer, mas me viu crescer
Viu meus momentos tristes
E meus momentos felizes.
Vovó que tantas vezes me viu chorar
Em teus braços me acolheste
Em teus seios me adormeceste
Cantando cantigas de ninar.
Oh! que saudades tenho da minha avó,
que meus olhos nunca mais a viu
Mas que meu coração sempre a sente.
Vovó, sempre tão querida por tanta gente
Com seu corpo exuberante
E com seus braços aconchegantes
Me embalou com tanto amor...
Vovó, a sua ausência só me causa dor.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Pesadelo de Amor


Do muito que fomos, pouco sobreviveu,
Da chama ardente daquele amor
Restou apenas cinzas
As quais o vento espalhou...
Já não há o creptar ardente
De algoo que em vão
Tentei imortalizar.
Hoje existe apenas um sorriso apagado
Um rosto de pedra, marcado
Pelas gotas do pranto
Que não pude esconder.

Amei... com intensidade vivi este romance feito
De sonhos e ilusões...
Sofri... com tenacidade suportei a trégua que
Não veio...
Chorei... por ver transformado meu ídolo, meu deus,
Num humano qualquer...

Amei... Sofri... Chorei... por um mito que a minha
imaginação infantil criou, pois no íntimo tudo não
passava de um pesadelo decorado de amor...

Peregrina


Eu o sigo...
A cada instante que vivo,
A cada minuto que sinto
Estar respirando.
Deixo meu pensamento voar
Em busca do teu.
Minhas emoções
não conseguem
Ser completas.
A tua ausência em minha vida
Transforma-me em uma
Eterna peregrina do amor.
Desolada busco-te em tudo que vejo
Tento te sentir em tudo que toco,
Mas é inútil...
E mesmo distante,
Sempre estarás comigo,
Pois as lembranças
Que me acompanham
Apenas me mostram
O quanto é impossível evitar
Essa constante peregrinação
Em busca do teu eu.

Audácia e Liberdade


Seria tão diferente
Enroscar-me se eu pudesse em teus braços
Refugiar-me segura e docemente, num
Grandioso abraço...
Ilusão bem sei
Nunca me faria
Almejar o que não viesse
Liberdade incontida para os meus
Desejos...
Onde tudo eu eu daria pelos teus beijos
Cada desejo nasceria, num
Abraço gostoso
Vindo claramente
Audacioso, na mais completa Liberdade...
Liberdade incontida para os meus desejos
Cada ato aconteceria
No nosso feliz aconchego
Transpirando com lascívia, toda
Impetuosidade desse proibido desejo
Grandes sonhos porém, é preciso
Olvidar... afinal nascestes depois de mim
Meus sonhos preciosos e lúbricos sonhos
Estão perdidos
Sem nenhuma chance de aflorar

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Pecaminosa Demolição


Será que consegues ser realmente feliz?
Sabendo que quando saíste da minha vida
Para não mais voltar
Marcaste aquele triste dia para sempre
Pois conseguiste desmoronar um mundo...
Sim, meu mundo de sonhos interior
Que eu havia construído dentro de mim
E que os anos de convivência ao teu lado
Reforçaram a estrutura daquela fortaleza
Solidificando um mundo só nosso.
E foram anos de batalha interior
Para que eu finalmente conseguisse
Torná-la forte, pura e duradoura
E tu levaste apenas alguns minutos
Para destruir a firmeza de um caráter
A firmação de uma personalidade,
Transformando tudo num amontoado de pó,
E que os anos que têm passado
Só me tem permitido construir
Em linhas desiguais e sem nível
A estrada da vida por onde forçosamente
Caminho com passos lentos e cansados
Sempre tropeçando nos resquícios
Dos rastros de dor e desilusão
Que foste deixando ao longo do
Teu caminho,
Onde a saudade e a esperança
De reconstruir o que perdi
Nas esquinas da vida,
Vi se transformar sempre em pó,
E que tu continuaste a espalhar tudo
Pelo vento da desilusão.
Mas como podes te sentir feliz
Quando a tua alma vive a te dizer
Que ainda há um alguém que
Chora pelo teu ontem,
Sofre pelo teu hoje,
E anseia pelo teu amanhã?

Paradoxal


Eu queria abrir a minh'alma
E de dentro dela arrancar
Essa espera angustiante
Pelo que não virá.
Anseio o amanhã
E desprezo o hoje
Por saber
Que dele
Só virá o amanhã
Que me fará viver o hoje.
Então eu percebo
Que preciso fugir de mim mesma
Para não ter que sofrer mais...
Há momentos em que eu desejo
Ser como um barco
Que navegando ao léu
Fosse levada para o desconhecido,
Ao invés de ser como uma folha
Que apenas se solta do galho
E toca o chão...
...Se ao menos essa folha
Fosse levada pela correnteza.

Parabéns Anny


Três anos já, meu Deus
Em tua inocência, de alegrias e felicidades
Três anos, onde ganhei o que sonhei
E renunciei a minha total liberdade.

Tua presença é uma claridade
E nessa vida incerta
Bendito o pranto que na tua idade
Desconhece a dor, trágica e perversa.

Será longo o caminho a ser percorrido
E o tempo se faz companheiro na estrada
Hoje apenas três anos vividos
Nessa tua desconhecida jornada.

Haverás de caminhar lado a lado
Com a sorte, os dissabores, e os sonhos
Feliz? Por certo. - O destino marcado
Será devias bem mais risonho.

Orgulho



Na primavera da existência
Deixaste a flor do amor
Secar na aridez da tua indiferença
E eu
Como que entorpecida
Pela dor da desilusão,
Vi as pétalas murcharem
Na acomodação da minha
Desesperadora impotência,
Onde a soberba encobriu
A sofreguidão de amor
Que me ía na alma.
As lágrimas que rolaram
Apenas conseguiram
Regar a flor
Já quase extinta de sentimentos,
E de uma corola
Foi retirado o pólen
Que deu vida a outra vida,
Pois mesmo não vivendo
Ela continuava a existir.

Obsessão


Nunca mais consegui ter notícias suas...
Sofro ao ouvir e sentir a sua presença
Constantemente.
Imagino mil loucuras, Quando nesa minha ânsia,
Vejo-o sair da minha mente e se materializar
Diante de mim...
Como me sinto sufocada e infeliz...
Percebo que tudo não passou de imaginação
Dessa minha mente doentia e irrequieta
Que vive a voar pelo espaço
Que teima em buscá-lo com intensidade,
Com ansiedade,
Fazendo-me ouvi-lo
Até mesmo no farfalhar das folhas da palmeira...
Percebo então o absurdo...
Um louco desejo de ir até além, tocar o céu
E sentir-me o próprio infinito.
E tudo isto, por saber
Que para mim
Existe um sinônimo de obsessão. Você!...

domingo, 21 de setembro de 2008

O Tempo


Eu queria não ter tempo
Para o próprio tempo
E por mim faze-lo esperar
E mostrar ao enfadonho tempo
Que não há tempo
Para o tempo determinar.
Mas o tempo não tem tempo
De ver o tempo que tem
Mostrando-se cruel e implacável
Quando não há tempo de esperar

E o tempo não mede o tempo
Que o tempo leva e não mais traz
Fazendo do tempo uma longa espera
Para um tempo que é curto demais.

O Ar...


Se encantei-me com a vida
Foi só ao te conhecer
Esqueci-me até da lida
Hoje só me lembro de viver

Quando perdida eu me achava
Sempre buscando me encontrar
Perdendo sempre ganhava
Mais motivos pra chorar

Ontem os sons que ecoavam
No recôndito do meu eu
Eram esgares dos risos que povoavam
A alegria de quem um dia perdeu

Perdeu a chance de viver
Pois perdida estava em devaneios
Hoje já não consegue só querer
Ser sufocada nos seus anseios

.....................................

Então não me sufoquem mais
Não me tirem o ar...
O ar... de acredit...ar!
O ar... de sonh...ar!
O ar de am...ar!

Nunca só


Olhando para trás, na longa estrada da vida,
Descubro estar só, em busca de algo
Que me leve até você...
No silêncio da noite, ao escutar a minha alma
Ouço os sussurros que me falam de você.
Nas escuras esquinas da vida,
Percebo uma luz que teima em fugir de mim
Por entre as árvores saudosas do meu eu
Em busca de você...
Na minha infinita jornada de solidão,
Descubro que estás
Em cada pássaro que canta nos arvoredos,
Em cada ondulação das águas pelas corredeiras,
E em cada pedra que eu venha a tropeçar
Em meu caminho.
Também estás no pulsar do meu coração aflito,
A cada dia que morre lentamente.
Tens sido a luz dos meus caminhos obscuros,
O meu eterno motivo de saudades
Nas frias e tempestuosas noites
Ansiosas de um você...

Não Morrem Jamais


Dentro da noite, há um mistério vago
Pairando dentro da bruma que se esgarça
Lentamente...
E a saudade entra docemente
Dentro da minha alma como se fosse
Um pouco de brisa dentro de um jardim em flor
e traz esse perfume exótico que vem do passado,
Que me traz as recordações que não morrem...
Não morrem jamais...
São recordações que falam da tristeza infinita
De se sentir só...
Da tristeza infinita de haver perdido tudo na vida...
Tudo...
Os momentos felizes... as horas deliciosas...
Os sonhos mais doces... tudo enfim.
Só ficou esta saudade imensa que fala de você...
Essa saudade que é todo o meu tesouro,
Todo o meu viver...
É tudo o que me resta nestes dias infinitos,
Tristes e modorrentos...
São dias em que vejo as horas passarem lentamente...
Horas amargas... horas cheias de tédio...
Enfim, são horas longas, que se arrastam
Porque são horas em que vivo sem você, meu amor...

sábado, 20 de setembro de 2008

Morrer



Morrer é não conseguir encarar
O que nos vem depois...
Morrer é não saber lutar, reunindo forças
Para sentir-se um vencedor...
Morrer é se entregar ao acaso,
Sem ter esperanças,
Se deixando invadir pelo desespero
Mergulhando nos braços da solidão...
Se morrer é assim, então eu morro todos os dias,
Pois o fustigante vento da inconsciência
Açoita-me fortemente, arrancando-me da realidade,
Fazendo-me flutuar em um mundo
Inverso e inexplicável,
Para essa minha mente fatigante e complexa.
Sinto-me invadir por uma pusilanimidade
Que me leva a uma eutemia estranha,
Onde até mesmo a inópia não me afeta.
Morte final é aquela onde já não há mais chances
Para lutas e menos ainda para vitórias...
É aquela onde já não conseguimos fugir
Do ocaso da razão
Nem é mais necessário se ter esperanças...
Morrer é para os simples mortais
Fechar os olhos numa derradeira vez
Morrer para mim, é cada passo que dou
Nos tortuosos caminhos da minha mísera existência...



Morbidez



Ela vai penetrando de mansinho na minha alma,
Trazida pela morbidez da minha mente,e
Afiada como uma navalha,
Faz sangrar o mais íntimo do meu ser.
É uma saudade boa,
Machuca ferindo
E faz-me queimar de dor e prazer.
Lubricamente me toca todos os sentidos,
Ela me chega úmida,
Sinto o toque morno da sua língua
Em meus dedos,
Saboreando
A palma da minha mão, e descendo suave
Pelo meu braço
Em busca do meu todo.
A carícia
Faz meu corpo tremer de volúpia,
E doer de desejos...
Saudade ingrata,
Desperta minhas lembranças
E te traz para a minha dor,
Consumindo o fogo intacto da paixão,
Libertando meu desejo,
Fazendo-me enlouquecer
Ao queimar-me na ânsia
Dessa inesgotável fonte de prazer.

Meus Treze anos


Ah! meus treze anos
Que o tempo
Me fez deixar para trás,
E quanto mais o tempo passa
Mais eu lamento
Pois meus treze anos
Nunca mais...

Ah! meus treze anos
Que o tempo ladrão roubou...
Será que levou toda
A minha inocência?
Será que dela
Alguma coisa restou?...

Ah! meus treze anos
Que o tempo não perdoou...
Levaste de fato
A minha inocência
Mas quanta malícia
Ele deixou...

Mentira


Tudo o que fiz foi em vão.
Foste apenas e tão somente
A mentira maior
Da minha existência.
Porém o que mais marcou,
Não foi a tua
Saída da minha vida,
Foi a tua passagem por ela,
E apesar de efêmera
Foi mais ardorosa
Que uma chama
Mais dolorosa
Que a mais profunda das chagas,
E mais marcante
Que a maior das cicatrizes.
Foste enfim
A mentira mais verdadeira
Que acorrentou meu coração
Já tão marcado
Pelo teu fingimento.

Mansidão


No silêncio do meu presente,
Grita angustiado o meu passado.
Na mansidão do meu quarto,
Sussurros roucos e enlouquecedores
Me lembram que continuarás
Em cada som trazido pelo vento
Cortante da saudade,
E em cada olhar terno,
Enegrecido
Pela dor da tua ausência.
E como se tudo não bastasse,
Me vêm os sonhos
Despertando meus sentidos,
Quebrando em mil pedaços
A ilusão de quem espera
Um dia
Retornar a quietude e ao silêncio
De um grande e verdadeiro amor.

Maldito Orgulho


Já não consigo buscar
O que não me vem,
As forças foram
Aos poucos me abandonando
Nas incontáveis descidas
Aos socavões do meu eu.
Já não há como voltar atrás,
No longo caminho percorrido
Não encontrei
Um único retorno,
Estes se desfizeram,
levados pela força insípida
Do meu orgulho insano
Ante a insânia
Das minhas saudosas,
Porém
Cautelosas
Ânsias de amar.
Tudo se perdeu no pó
Do tempo.
Encoberto pelo medo
De poder
Se sentir feliz...
Não fui capaz
De deixar-me vencer
Pela falta
Dos teus carinhos,
Do teu amor,
Da tua avidez de amar.
Apenas me deixei guiar
Pelo orgulho,
Maldito orgulho
Que me fez perder
A essência natural da vida
Em meu viver,
Que era tão somente você

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Mágoa



Pensei em minha vida
Ser de alguém a outra metade,
Mas eu me enganei.
Fui na verdade
Instrumento
Do que me era desconhecido.
Tentei perpetuar o que julguei ser amor,
E tive eternizado o
Rancor, a mágoa e o desprezo.
Buscando a perfeição, encontrei a ignomínia,
E na ânsia desta livrar-me
Acorrentei-me no contorno icástico do teu eu.
Fere-me a alma a tua lembrança,
Tira-me a alegria a tua saudade,
E se esvai a minha vida sem a tua presença
No imenso vazio da minha existência.
Se um dia eu renascesse
Seria para ser mais uma vez
O início da tua caminhada
E o tropeço que te feiu os pés,
Mas não te derrubou.
Humildemente eu derramaria lágrimas
Para lavar as feridas
Que por ventura as tivesse provocado,
E bem sei que no fim de tudo,
Eu novamente seria
Apenas uma sombra de mulher,
Igual a tantas outras,
Que passaram em tua vida.
 
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