quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Lenta Agonia


Queria ver a minha alma em multicores
Subir aos céus se evaporando em pleno ar,
Ao invés desse lento e agoniado deslizar incolor
Que se dissolve aos meus pés sem emoção, sem dor
Pois até mesmo a dor me abandonou....
Sofrimento já não consigo discernir se é bom ou ruim
Também já nem consigo mais sofrer, sinto-me inerte.
Tenho vida, embora não viva, vegeto.
As lágrimas já não consigo reter, abundam
E já nem sei porque choro...
Sinto-me tão viva quanto um túmulo...
A indiferença povoa a minha mente e rege meus sentimentos
Se é que ainda os tenho... sinto-me impotente
Até mesmo para suportar as agruras que por acaso
Já me foram bem vindas.
Não, não é tédio, talvez seja o abandono completo
Da vontade de existir de um corpo
Que há muito se acha morto, muito embora
Continue existindo a perambular por esse mundo vazio
Em que me vejo encerrada...
Já não há esperanças, esta dissolveu-se
Na amplidão do meu resumido espaço...
Para que continuar a caminhar se meus pés
Já não mais me sustêm?
Para que olhos se não consigo ver além
Do que a minha vista alcança?
Para que olfato se já não consigo distinguir os aromas?
Para que paladar se já não consigo sentir o doce
Sabor das coisas a não ser o sabor acre
Do que me oprime, e me asfixia?
Os tentáculos do dissabor me lembram a cada minuto
De ânsia incontida
Que já não há muito nem pouco para eu fazer...
Só resta-me fechar os olhos numa derradeira vez.
 
TOPO
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