terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Mergulho Na Escuridão


Categoria: Contos

O dia amanhecera lindo... os pássaros em barulhenta arrevoadas festejam aquela ensolarada manhã. De uma janela um alguém parece não perceber a maravilha da natureza, de um novo alvorecer... a maravilha da vida.
Os olhos inchados da Jeannie não a deixa ver a beleza que encerra tão deslumbrante quadro. Ela tem a alma envolvida nas brumas da desilusão, do desencanto.Em seu espírito é cada vez maior a tempestade que se desencadea, é sempre mais forte e constante as desventuras,os desenganos.
Há dias atrás tudo era belo, era amor em sua existência, até que de repente tudo aconteceu...
Não se deve brincar com a sorte, muito menos com a própria vida, e foi isto o que aconteceu com o Adelmo... Adelmo, o porto seguro da jeannie.
Adelmo... moço divertido, brincalhão, talvez um pouco demais... Em um certo domingo, estando o mesmo no último dia de suas férias trabalhista, e ele após passar praticamente todo o dia dividido entre jogos e amigos o Adelmo passa o restante da tarde na casa de um companheiro de trabalho. Conversam, bebem... se divertem.
Finalzinho de tarde... O crepúsculo parece mais firme, mais vivo... O Adelmo se despede do companheiro, está na hora de ir para casa, é preciso ir ver a Jeannie e se preparar para retornar ao trabalho no dia seguinte.
Realmente foi ótimo ele e a Jeannie tirarem férias ao mesmo tempo, pois dessa forma tiveram mais tempo um para o outro, se divertiram bastante curtiram a vida de modo mais amplo e divertido.
Pensando na Jeannie o Adelmo pega a moto, mas nisso ele se desiquilibra derrubando-a, o companheiro dele tenta faze-lo entender que não deve ir naquele momento, que é melhor entrar em sua casa e descansar um pouco, pois ele não parece estar em condições de guiar, mas o Adelmo não se deixa convencer, ele só pensa em ir à casa da Jeannie e passar essas últimas horas de férias com ela. O amigo insiste... mas o Adelmo diz que não será um pouco de bebida a mais que irá mudar os planos dele.
Decidido o Adelmo pega a moto e parte... parte para a sua última viagem. Uma corrida louca, desesperada, uma corrida para os braços da morte, não para os braços da amada como ele desejava...não... ele não mais a iria abraçar.
O vento fustigando-lhe os cabelos, lhe dá uma sensação de leveza, de liberdade, de irrealidade, e de repente um mergulho na escuridão... um mergulho no nada... um imenso vazio que o abraça. É um abraço diferente, não tem o calor da Jeannie. É um abraço com sabor de nada para ele e de desespero e saudade para ela..
Lentamente a Jeannie sai da janela. A vida continua... maravilhosa e completa para uns... vazia e amarga para tantas outras pessoas assim como ela. Até quando a sua alma vai chorar pelo último abraço que não veio? até quando essa sensação de abandono irá acompanhá-la? não sabe... tudo que sabe é que precisa continuar a sua jornada, mesmo que esta tenha se tornado amarga sem o Adelmo. Suspira melancólica e nesse momento sente suavemente um toque cálido e imaginário que parece acompanhá-la. Sorri triste, pega a bolsa e sai para mais um dia de trabalho.

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