sábado, 18 de fevereiro de 2012

DE VOLTA AO PASSADO CAP: VIII





"Anny, éramos crianças e eu já sentia alguma coisa estranha quando te via, eu não sabia o que era, não sabia porque me sentia tão sufocado. Hoje eu sei, é exatamente aquilo que os jovens não dizem mais as jovens... Tanto tempo passou, tanta coisa se fez. Nós crescemos, ficamos adultos e nos encontramos novamente, e eu não senti mais aquela explosão de flores em meu coração. Senti que ele chorava, porque o mundo, a vida com a sua rebeldia, e com os ensinamentos que tiveste, com os sofrimentos que passaste, te ensinaram a querer uma outra pessoa que teve oportunidade de te dar aquilo que eu nunca tive a chance de te ofertar, chance essa negada a mim pelo destino...




CONTINUAÇÃO


CAPÍTULO VIII

Quase duas semanas demora a viagem de retorno da Anny. A Carla estava muito feliz, o mês de setembro já estava no fim. O Sandro tudo fazia para tornar a viagem mais agradável, mas a Anny continuava sem confiar no Sandro,mesmo sabendo que estando com a Carla sua segurança era garantida.
- Não está gostando da viagem Anny? tudo tenho feito para você não se aborrecer, mais você mais parece um bicho acuado. É por você não estar bem de saúde, ou é por estar com medo de mim?
- Eu estou apenas cansada e apreensiva, não sei o que me espera, você não acha isso, motivo suficiente para eu estar nesse clima de angústia e tensão? - O que está me deixando nesse clima de terror, na verdade é a sua presença. - Conclui a Anny em pensamento.
Ao saírem de São Paulo, o tio da Anny resolve mostrar a ela um pouco do Brasil, o que em nada agradou a ela. As circunstâncias atuais em nada lhe favorecia o prazer de uma viagem daquela.
O Sandro atravessa a região Sudeste em direção a região centro oeste, ela teve oportunidade de conhecer vários lugares, tendo inclusive feito um extenso passeio em Uberlândia, passaram também por Brasilia e depois, tomando a rodovia Belém-Brasilia, foram em direção a região norte. Quando chegaram em Belém, capital do Pará, a Anny saiu a passear só com a Carla, se afastando um pouco do Sandro. passou algumas horas calma, embora tivesse a alma atormentada.Após dois dias de estadia , a Carla adoeceu. O Sandro as levou a um consultório médico, e após a consulta ela ficou sabendo que a Carla estava com catapora. Passou-se mais dois dias para a Carla ter mais um pouco de repouso. Em seguida seguiram viagem com destino a Teresina. A Anny já não estava mais suportando o desespero e o medo se apoderara dela desde o momento da sua partida.
Mesmo tendo passado por tantas cidades e alguns lugares ter chamado a atenção dela pela beleza e outros pelo atraso da cultura e pela pobreza, e ela tem consciência do quanto de miséria tem pelo Brasil à fora , e mesmo assim ela não consegue se libertar do desespero em que está envolto o seu espírito. Anny, o que está havendo com você? está parecendo um fantasma.

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- Eu não estou me sentindo muito bem Sandro. - A Anny não o chama mais de tio.
- Eu tenho reparado que você praticamente não tem se alimentado, você pelo menos tem dormido? pergunto porque as vezes a pego cochilando.
- Você tem razão Sandro, eu mal tenho me alimentado e dormir eu não consegui, desde que iniciamos a a viagem, e ainda teve o problema da Carla.
- Anny, a Carla está bem, você falou com o médico, ele dise que era uma catapora, muito leve.
- Eu sei Sandro, mas eu gostaria de chegar logo em casa.
- O Sandro nada diz, passa dirigir com mais velocidade e só parando para o estritamente necessário,
- Você não acha melhor parar um pouco pra descansar Sandro?
- Não.- Foi a resposta seca dele. - E continuou:
- Só vou parar quando você se sentir a salvo... Você acha que eu não percebi seu olhar de desconfiança quando o carro deu problema? você achou que eu estava fazendo de propósito, mas se engana... Já não tem me apetecido a ideia de retê-la mais tempo comigo.
E assim falando o Sandro pisa fundo no acelerador e continua o resto da viagem calado, porém, muitas horas depois ele volta a falar.
- Anny já estamos quase chegando, são duas horas da manhã, podemos ficar aqui nesse posto de gasolina e assim que clarear continuamos,falta muito pouco e eu estou quase dormindo.
- Claro Sandro, descanse... E desculpe se fui grosseira e mal agradecida.
- Eu lhe entendo Anny, nunca lhe dei motivos para confiar em mim, mas eu prometi ao pessoal que a traria sã e salva, se tem algo de que me orgulho é da minha palavra dada, para mim ela é lei, e eu respeito justamente por ser a minha lei. Como vê Anny, você sempre esteve protegida... Pela minha palavra.
Calada, a Anny desce do carro.
- Não se afaste Anny, pode ser perigoso, se você não dormir, me acorde no romper da aurora.
Ela passa o resto da madrugada sentada perto do carro. O amanhecer a encontra gelada

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e mais gelada ainda, por dentro.
Ela abre o carro e tira a Carla com cuidado e vai lhe dar leite, antes ela pega a menina e leva-a consigo. Ela
toma um banho e vai chamar o Sandro, mas é surpreendida pela voz dele.
- Podemos ir Anny?
- Sim Sandro, estamos prontas.
E mais uma vez eles prosseguem e desta feita para a etapa final da viagem, Recife. Ao chegarem em casa, a felicidade é geral, mas a Anny continua triste, muitos meses ela havia estado fora, e agora ela se lembra com mais intensidade do seu passado tão presente em sua memória, e imediatamente se pergunta: - O que terá feito o Adolfo durante todo esse tempo, será que ele havia casado? e fica angustiada com medo da resposta.
- Anny, o Adolfo ficou feito um louco quando você foi embora, a primeira coisa que ele fez foi desmanchar o noivado e ele continua sozinho. - Diz a Paula, e continua:
- Durante um bom tempo, aliás até hoje, eu acho que você se precipitou. Quem sabe se ele realmente não estava pra acabar com o noivado, e que ia casar com você?
- Isso é o que jamais saberemos Paula, disso pode estar certa.
- Mas Anny veja bem, se ele realmente amasse a moça e fosse mesmo casar com ela, o máximo que ele teria feito seria ficar preocupado com o seu sumiço, mas nunca acabar o casamento e ficar desesperado a procura do seu endereço, querendo ir buscá-la.
- Eu não sei Paula, e como já falei antes, jamais saberemos o que de fato se passa no íntimo do Adolfo, afinal"coração é terra que ninguém pisa", você já ouviu esse ditado, não?
- É Anny, já ouvi... Mas eu adoraria ver vocês juntos outra vez.
- Esqueça isso Paula... Esqueça.
Apesar de tudo ela se sente feliz, mesmo não demonstrando. O Adolfo não havia casado, logo, ele a amava, só podia ser isso, ou não? - Mais uma vez a dúvida se infiltrava no coração dela. De repente ela é arrancada dos seus devaneios, pelos gritos da Carla. Ela se vira e vê a filha abraçada a Louise e esta, cobrindo-a de beijos. A d.Rejane nem cabe em si de contentamento, embora a Anny sente-se que dentro da mãe


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havia mágoa... Muita mágoa. A Louise continuava a mesma, com a Carla nos braços, lembrando do tempo em que esta ainda era um bebê e ela cuidava dela.
a noite a Anny estava conversando com a d. Rejane quando a Danny chega do trabalho, ela estava noiva de um rapaz muito legal, o Jaime. Anny fica muito emocionada com o reencontro, e feliz a Danny começa a contar como havia sido o reencontro com o George, e que ele estava ansioso por revê-la, pois ela havia falado para ele sobre o possível retorno da irmã.
Incentivada pela Danny, a Anny pega o endereço do George e na manhã seguinte, numa sexta feira vai até a casa dele, ao chegar é recebida pela mãe dele e ela informa que o filho está viajando e só voltará, provavelmente no domingo.
- Moça, você não quer deixar um recado?
- Por favor, diga pra ele que a pessoa que ele tanto deseja ver,já chegou. - E sem acrescentar mais nada, agradece e vai embora.
Anny toma um ônibus e vai para a casa da tia, e poucos minutos depois dela ter chegado aparece a d. Rita, a mãe do Adolfo.
- Minha filha, como eu estou feliz que você tenha voltado, podemos conversar um pouquinho?
Anny começa a conversar com ela, e ela sempre abraçada com a Carla, então ela pede pra levar a neta em casa, Anny não concorda,mas devido a forte insistência, termina cedendo, depois da d. Rita prometer que não demora em trazer a menina. A tarde, a d Rita ainda não havia trazido a menina. Anny olha pra tia e diz:
-Tia, se a d. Rita pensa que eu vou buscar a menina, ela está muito enganada, a Carla já era pra estar de volta há muito tempo. Será que o Adolfo está pra chegar e ele está retendo a menina até a chegada dele?
- Eu acho que não minha filha, deve ser eles matando a saudade da menina.
- De repente, sem que ela tivesse percebido, surge o Adolfo. Ela não sabe definir ao certo o que sente, mas com certeza, foram muitos sentimentos e todos eles se contradiziam. - Então ela pensa angustiada: - Meu Deus, após tantos meses de silêncio, meses em que eu vivi na mais completa solidão, onde foram longas noites de insônia e intermináveis dias de tristeza e apreensão, você surge... E real, você não

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saiu da minha mente, da minha imaginação e tomado forma como tantas vezes acontecera nos meus maiores momentos de solidão. Não, você não é fantasia, eu posso senti-lo, tocá-lo e inexplicavelmente eu não me sinto feliz, há medo... Muito medo dentro de mim, para que eu possa entender e aceitar o que vai em meu íntimo nesse momento.
- Anny, será que eu posso falar com você?
ela permanece calada, são momentos de silencio angustiado, ela está muito emocionada, e como num piscar de olhos, mais uma vez, toda a revolta toda a revolta, todo o desprezo, todo o sentimento ruim desaparece,para somente ficar a ansiedade, o desejo de apagar tudo quanto havia sido dor em suas vidas.
Mas ele interpretou errado o silencio dela. Ele julgou que ela não queria ouvi-lo, que nada do que ele tivesse pra falar teria importância para ela. e ela continua calada, ela sente tudo quanto pode estar se passando na cabeça dele,e mesmo assim ela não consegue demonstrar o quanto ele está errado. Com seu ar ausente ela apenas demonstra que não aceitará qualquer tipo de relacionamento, por mais superficial que possa ser.
- Por favor Anny,insisto que precisamos conversar, eu preciso saber como vocês estão, preciso contr-lhe tudo o que aconteceu sna sua dolorosa ausência, você precisa saber dos meses de desespero e solidão que eu tive que suportar com a sua partida.
- Não quero ouvir nada Adolfo, não preciso saber nada, como também não vejo necessidade de dar-lhe qualquer tipo de explicações,pois já deu pra você e todos perceberem que eu sou muito responsável quanto a minha filha, nao?
- Nossa filha Anny, embora possa não parecer, eu amo a nossa filha tanto quanto você, e vou lhe provar isso pode esperar, talvez eu não saiba amá-las como devo, mas amo e amo a você desesperadamente.
E dizendo isso o Adolfo se vai. Ela logo em seguida manda buscar a menina e volta para a casa da mãse. Ao chegarem, a Paula corre logo para ficar com a Carla, A Anny entra no quarto e desaba a chorar desesperada, fica pensando no Adolfo, e mais uma vez desabafa para ele da única maneira que sabe, é um desabafo como tantos outros, onde o Adolfo nunca os ouvirá, pois eles ficam apenas no papel.


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"Meu Adolfo,
Tudo tem início, chegamos ao fim
Pelas raras horas de alegria te peço
Segue em frente, vai pra longe de mim
Que este curto e negro período encerro

Amei com desespero, como uma louca
Sofri calada no silencio do meu quarto
Já cansada de tudo... Até fiquei rouca
Ao gritar teu nome num deserto vasto

Tu fingias tão bem que me amava
Eu na minha lucidez nem percebia
Com cinismo teu jogo ganhavas
E com amargura sentida eu te perdia

Hoje eu só consigo ouvir um eco
De um triste e abafado sussurro
E na calada da noite eu desperto
Para uma dor que já não murmuro

E quando toda a cidade dorme
Eu ainda grito... Um grito sem enlevo
Pois o tempo deu-me a voz da morte
Pequeno castigo para tão grande erro."

Ao terminas mais este desabafo, ela se sente mais arrasada, sente que foi destruída, e que com certeza já não tem mais alma, nem coração. As palavras do Adolfo ainda ressoam em seus ouvidos e ela sente-se derrotada. Sabe que não conseguirá suportar mais uma desilusão, se é que ainda havia alguma chance para isso.
Angustiada ela resolve tomar um calmante e quem sabe conseguirá dormir um pouco e dar um pouco de paz a um espírito tão atormentado.
- Anny acorda, por favor... Visita pra você!
- Ela mal consegue abrir os olhos, sente-se atordoada e sem saber direito o que está


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acontecendo- Anny, visita pra você. - Repete a Danny.
- Quem é Danny?
- Venha olhar você mesma.
Ela se levanta e se sente estranha, então se lembra que havia tomado remédio para dormir e como não havia surtido efeito ela repetira a dose. Então era isso, estava um pouco dopada... Não havia descansado direito, por isso essa sensação tão esquisita. - Pensa a Anny.
Ela se dirige para o terraço e vê um rapaz muito bonito, com uns penetrantes olhos azuis, e de repente se lembra.
- George! é você? Que surpresa boa, você está diferente...
- Diferente está você Anny, mas para melhor. Olhe, eu fiquei louco pela Carla, ela é adorável.
- Não precisa se desmanchar em gentilezas George, a sua visita já me trás muita alegria.
- Ora Anny, eu apenas estou sendo sincero e gostaria muito de conhecer melhor a sua filha, pois tenho a certeza que vamos nos dar muito bem. E como estou louco pra matar as saudades que sinto da mãe, aproveito para convidá-las para irmos à praia amanhã, aceita?
- Não George, obrigada, mas eu acho melhor que não.- Que é isso Anny? - Interrompe a Paula. - Você vai sim, a Carla vais gostar muito e você precisa sair um pouco.
- A Paula está certa Anny, a sua opinião fica para uma próxima vez... Está decidido.
- Não George, agradeço, mas insisto em que não devemos ir. Que tal deixarmos para uma próxima vez?
- Anny, eu sou estou querendo destraí-la um pouco e conhecer melhor a sua filha, mas se a sua recusa é devido a presença do Adolfo, então me desculpe. Pode ir fazer companhia a ele, e perdoe-me por tentar ser amigo.
- Você disse que o Adolfo está ai George?
- Está sim, por que? você não sabia?
- Não sei, acho que não, é que eu tomei remédio pra dormir, e acho que exagerei na dose, pois ainda estou sonolenta. Acho que dormi, mas eu não tenho certeza... Estou


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confusa. Mas retornando ao assunto, se o convite ainda estiver de pé, eu aceito. Agora me dê licença que eu acho melhor ir dormir. Acerte tudo com a Danny ou a Louise, elas me falarão amanhã. Boa noite!
O George se levanta e diz boa noite pra ela, se aproxima e dá-lhe um beijo no rosto e sussurra:
- Anny, eu não vou dormir com medo de não acordar amanhã. - Toca de leve seu rosto e ela se retira. Ao entrar dá de cara com o Adolfo que estava observando-a. Ela se aproxima dele e pergunta se fazia tempo que ele havia chegado.
- Então você não se lembra?
Ela o fita apreensiva e indaga sobre o que ele está falando.
- Anny, você tomou remédios além do que devia, então eu a levei pra cama e fiquei ao seu lado, conversando um pouco, você realmente não se lembra?
- Eu não sei... Pensei que tivesse sonhado, como tantas vezes já me aconteceu.
- Não Anny, você não sonhou, era eu que estava ao seu lado... O seu Adolfo, era eu quem a beijava queimando-a com o fogo do desejo que me consome. Foram longos meses sem você, e ao vê-la tão indefesa, tão carente , não resisti, já não dava mais pra sufocar, eu precisava tocá-la... Sentir o seu gosto, e só Deus sabe o quanto eu preciso de você... Não me deixe Anny, nunca mais faça isso comigo, senão eu vou enlouquecer, só com você eu me sinto completo, e eu sou capaz das maiores loucuras para tê-la só para mim. Tente me entender e em nome de Deus perdoa a quem tanto erra, mas que só consegue aumentar cada vez mais esse amor, que só não me destrói, porque me dá forças para viver, para esperá-la, pois mesmo que tenhamos nossos corpos separados, nossas almas estarão unidas para sempre e nem a morte irá destruir esse amor... Ele poderá adormecer... Mas morrer... Nunca.
Adolfo beija a Anny apaixonadamente, depois a põe na cama, olha-a longamente e diz:
- Encontrei consolo na vida ,ao perceber que eu não tinha o seu corpo, mas era dono da sua alma, e a minha alma coloco em tuas mãos... Faze dela o que quiseres.
- Então Adolfo, apenas junte-as de maneira que nem o tempo nem a distância e nada no mundo possa separá-las.
- Nossas almas para sempre estarão unidas Anny, até na eternidade.


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Adolfo torna a beijá-la e de maneira quase desesperada, e só vai embora quando a deixa adormecida, embalada pelos sonhos de onde adviriam novos pesadelos.
Ela acorda durante a madrugada, e fica desorientada, porém aos poucos percebe onde se encontra, levanta e procura a filha, está dormindo tranquilamente, alheia ao drama do qual faz parte. Ela volta para a cama e torna a se deitar e fica meio perdida pensando se o que aconteceu foi sonho ou realidade. E durante o café da manhã ela pergunta pra irmã:
- Paula, ontem a noite eu estava dormindo, acordada, ou sonhei? refiro-me ao cedo da noite, eu fiquei confusa essa madrugada e ainda continuo, tenho a impressão de ter despertado de um sonho ou ter mergulhado em um pesadelo. Estou realmente perdida.
- bem Anny, ontem a noite você exagerou ao tomar calmante, não se sentiu bem, então o Adolfo que havia acabado de chegar levou-a pra cama e ficou lá com você. Mais ou menos uma hora depois o George chegou... Passado algum tempo da chegada dele, o Adolfo já havia saído do quarto, fomos até lá e tentamos lhe acordar por diversas vezes e após muitas tentativas, por fim conseguimos, mas ao que parece você só acordou mesmo quando o George falou que o Adolfo estava aqui. Mas antes que eu esqueça, ficou acertado que você irá à praia com a Carla, ela está muito feliz.
- Eu vou à praia com quem?
- Com o George Anny, puxa! mas que memória hem?
- Diga-me Paula, quem estava lá fora quando o George chegou?
- Estava a Louise, depois chegou a Danny. O márcio entrou em casa muito rapidamente, pois logo em seguida ele saiu. Mas o George só queria ver você. Mais alguma pergunta?
- Não Paula, obrigada.
A Paula sai para o trabalho e a Anny vai arrumar a Carla pra o passeio. Pouco tempo depois sai ao encontro do George. Da noite anterior ele pouco se lembrava, apenas as palavras do Adolfo parecem ecoar em sua mente. Trata de esquecer e aproveitar aquela manhã, mas logo fica desconcertada quando o George confessa que a sua paixão de adolescente havia florescido e ao vê-la tão linda... Tão mulher, e ao menos tempo tão menina, seus sentimentos ganharam mais força.
ela desconversa e dirige a sua atenção para a filha que está brincando com areia.

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George a convida para tomar um banho de mar, ela olha a Carla e percebe não haver perigo, se dirige para a água, o George começa a brincar, eles parecem crianças, sempre relembrando o tempo passado, e ao chegar ao presente, dão-se conta de que são um homem e uma mulher, ela se retrai, mas o George a abraça e a beija, um beijo cheio de amor, de paixão... Um beijo possessivo, mas que aos poucos vai se tornando carinhoso, mas ela não consegue corresponder, a imagem do Adolfo surge na sua mente e a atmosférica romântica logo passa e o encanto se desfaz.
Saem da água, ele se sentindo feliz e ela culpada. Brincam mais um pouco com a Carla e decidem já ser hora de irem embora.
- Anny, vocês vão almoçar lá em casa, minha família está esperando... Ansiosos por conhecê-las.
Ela fica com receios de conhecer a família dele, pois ela achava que a amizade deles não seria bem vista, mas para não desapontá-lo, ela o acompanha. Uma surpresa porém a aguardava, pois foram muito bem recebidas e a d. Clara, mãe do George, ficou encantada com a Carla. e avisou que depois do almoço ia querer ficar com a Carla, e eles poderiam ficar mais a vontade.Um pouco antes de ser servido o almoço, a Geórgia, uma irmã do George convidou a Anny para ir até o quarto dela, onde poderia pegar algumas roupas que lhe serviriam, e poderia tomar um banho e ficar mais confortável. Enquanto isso, o George havia ido tomar banho e a d. Clara já estava dando banho na Karla. E quando a Carla terminou de almoças, a d. Clara levou-a pro seu quarto e minutos depois voltava dizendo que a menina estava dormindo. Anny agradece e diz que está se sentindo desconfortável, pois não tinha intenção de dar trabalho.
- Tenha a certeza minha querida que não está sendo trabalhoso pra ninguém, o que faz bem ao George nos enche de prazer... e olha que há tempo não viámos ele tão feliz, não é mamãe.
- É verdade Anny, não se sinta desconfortável por nada, tudo o que fazemos, é com satisfação, e além disso vocês duas são uma amor, nem sei por qual me apaixonei primeiro.
- Obrigada d. Clara, a senhora é que sem dúvida nenhuma é uma amor de pessoa.
Todos riem, nesse momento ouve-se a vos do pai do George.
- Eu estava falando agora mesmo pra o Damião, que eu não esperava uma moça tão


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bonita... tão simples, mas que nos desperta a curiosidade por saber o que esconde esse olhar tão lindo e ao mesmo tempo tão triste.
- Obrigada... Vocês é que são muito bondosos.
O Damião se aproxima, toca no rosto dela e diz:
Olha Anny, meu pai não consegue fazer um elogio a ninguém, decididamente você conquistou não só a família, mas principalmente o velho Donato. esse meu irmão é um sujeito de sorte.
Ela olha para o Damião sorri agradecida e se sente invadida por um par de olhos verdes, que sem dúvida nenhuma devia ser muito admirado.
Enquanto ela estivera tomando banho pensava um pouco aflita, que o George se mostrava um excelente companheiro, terno, carinhoso e amigo, mas a situação não a deixava satisfeita e ela estava se deixando levar sem contestar e era preciso não permitir que o George ficasse sonhando com algo que ela julgava ser impossível. E agora toda aquela atenção e carinho dos demais membros da família a deixava numa situação muito difícil. Para ela havia sido uma manhã divertida e a tarde muito agradável, mas havia algo que a estava assustando, estava lhe sendo imposta uma situação da qual ela não queria fazer parte.
À tardinha, o George leva a Anny e a filha para casa. Conversou um pouco com todos e se despediu, prometendo que voltaria na noite seguinte. Assim que ele sai ela aproveita e dar um banho na Carla, e logo depois foi tomar o seu, se arrumou um pouco e logo em seguida ouve a voz do Adolfo:
- Carma, o papai chegou! Venha me dar um beijo. A menina fica observando-o depois se aproxima e se joga nos braços dele, o Adolfo a pega põe no braço e fica beijando, depois se dirige a Anny e fala:- Você está linda Anny, foi a praia?
- Fui sim. Mas o que o trouxe aqui?
- Vim ver vocês... E eu preciso lhe falar.
- Sobre o que Adolfo? eu já lhe disse que nada temos a nos dizer.
- Você pode não ter nada pra falar, mas são muitas as coisas que eu tenho para lhe dizer.
- Está bem Adolfo, estou escutando, pode começar.


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- Eu te amo Anny, não sei viver sem você, e desta vez eu falo pra valer, eu não vou mais passar as minhas noites sem dormir pensando em você... Eu quero passá-las acordado... Mas amando você.
- Ah! não... Outra vez não... Eu jamais vou acreditar em sua palavras novamente, pois ela só encerram falsas promessas, e sempre que acreditei em você, eu me machuquei, e não será agora que eu vou querer passar por tudo outra vez. Jamais Adolfo, eu sinto muito, mas eu não mais voltarei a acreditar em você.
- Mas você precisa acreditar, eu não aceitarei um não como resposta. Eu a amo e não deixarei que ninguém a tire de mim, você sempre foi minha e não será de mais ninguém.
- Deus! eu devo estar delirando. - Exclama a Anny e continua: Eu não acredito que seja possível tudo o que eu estou escutando...
- Por favor Anny, pense em mim e em tudo que eu já lhe falei, no próximo final de semana eu estarei aqui. Você poderia caminhar um pouco comigo?
Ela olha para ele e sem nada dizer sai para a rua e ele calado acompanha. Quando chegam ao final da rua se despedem. Ele a beija longa e apaixonadamente, e ela fica entregue aos seus pensamentos, se queimando no fogo que o Adolfo reacendera.
A semana transcorre tranquila, o George todas as hohas possíveis vai a procura dela, sempre demonstrando-lhe o grande amor que crescia dia após dia.
É chegado o sábado, mais uma semana que passa. Ela está cada vez mais desorientada e temerosa, não sabe o que lhe reserva o futuro, e já não tem forças para lutar e resolve aceitar o que o destino lhe impuser.
Na tarde da terça-feira, a Anny está na casa da sua tia, quando o Adolfo chega de repente, ninguém o esperava. ele olha carinhosamente pra ela e fala:
- Anny, você hoje está de parabéns... quantos anos Anny?
- Vinte e três anos e doze meses.
-Sempre cheia de gracinhas não é Anny? as vezes eu fico pensando, quando será que você vai crescer.
- Nunca Adolfo, adoro ser uma mulher-menina.
- Mas as pessoas precisam crescer, não se pode ser criança a vida toda.
- Eu gostaria de ser uma menina a vida inteira, pois as vezes que tentei se adulta,


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só fiz me machucar, e dói muito Adolfo... Muito mesmo.
- Mas a vida é isso mesmo Anny, todos nós aprendemos a viver assim, se machucando, mas desse sofrimento tiramos sempre algum ensinamento.
- Nesse caso eu prefiro só existir.
O Adolfo se cala, ele fica olhando para ela, sente vontade de tomá-la nos braços e protegê-la de tudo quanto fosse dor e desilusão, mas sente que é incapaz, pois na verdade tem sido ele a grande desilusão e dor na vida dela.
- Anny, você vai pra casa hoje? podíamos ir juntos.
- Não Adolfo, eu vou só, agradeço mas prefiro assim, e pensando melhor, eu vou agora.
Ela termina de falar procura a d. Rita, se despede dela, do tio, dá um beijo nas crianças, olha para o Adolfo, dá um sorriso triste e se vai.
Ao chegar em casa ela encontra o George esperando-a. ela começa a conversar com ele quando surge o Adolfo. Ele olha pra ela, depois pro George, com o semblante carregado e sem disfarçar a raiva se dirige a ela.
- Eu preciso falar com você, pode ser?
Anny pede licença ao George e o deixa conversando com a Paula.
- Algum problema Adolfo?
- O que esse cara está fazendo aqui?
- Ele é amigo da família, eu o conheci quando criança, na verdade primeiro do que a você, portanto, não estou entendendo esse seu comportamento, que para mim não passa de tardio e ridículo.
- Anny, ele está querendo você... Ele gosta de você. Só que ele não vai tirar você de mim, ninguém irá tirá-la de mim... Você é minha, está no meu sangue, ninguém jamais terá a sua alma, disso você pode ter certeza.
ela procura conversar com ele sobre outros assuntos. Ela se sente impotente, não consegue tomar nenhuma iniciativa, e sabe que para o futuro só lhe restará dor e solidão e não tem como evitar o que na verdade pra ela será inevitável.
Na noite seguinte, ela está muito preocupada, pois o Adolfo sa´ra a tarde pra viajar. O George chegou assim que o Adolfo saiu. Todos ficaram conversando, mas ela está muito preocupada... Sabe que a sua vida terá que tomar um rumo e ela está muito assustada.
A semana passou rápido, o George apareceu algumas vezes. Ela sabe que o Adolfo está

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certo, o George só tem ido a casa da d. Rejane por causa dela, isso dá mais medo na Anny, ela teme o amanhã.
No sábado o Adolfo chega, o George já está lá conversando com a Paula e a Louise. O Adolfo não gostou de ver a Carla no colo dele.
- boa noite! a Anny não está?
- Está sim Adolfo, pode entrar. - Responde a Louise.
Ele entra e a encontra deitada... Pensando.
- Anny, você está doente?
- Oi menino! eu não tinha certeza se você vinha... Estava aqui esperando.
- Eu gostei de não te ver conversando com aquele rapaz.
- Eu não estava com vontade de conversar. Mas e você, tudo bem?
- Agora está tudo bem, só não está melhor porque eu não posso fazer o que tenho vontade.
- É mesmo? é uma pena...
- Anny não me provoque!
- Mas eu não estou fazendo nada.
- Você sabe que me deixa louco quando me olha assim, e vê-la tão sem maldade, provocante e deliciosamente sensual, me deixa realmente louco... Imagino mil loucuras, e juro que eu não entendo como você consegue fazer com que eu me sinta assim... Tão homem e tão perdido.
- Talvez seja justamente por eu não fazer nada, nem pretender conseguir nada.
- Não sei Anny, só sei que você é uma doença incurável.
Ela acha graça e começa a rir.
- Não ria Anny, eu falo sério.
ela fica calada observando-o e sente o Adolfo se aproximando, tocando-a levemente, torturando-a lentamente. Ela fita-o demoradamente e seu olhar voluptuoso não deixa dúvidas sobre o que vai em sua mente, com voz rouca ela fala:
- Eis a anny que você criou, a Anny que você ama... Mas que não é feliz.
Ele a abraça desesperadamente e com sofreguidão a beija... Um beijo enlouquecido pela fúria do desejo, a paixão avassaladora quase domina o Adolfo, mas ele desperta


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daquele turbilhão de emoções, olha pra ela e diz:
- Preciso resolver essa situação, assim não dá pra continuar... Meu Deus, quando eu penso que um outro qualquer que não seja eu possa ter você eu me desespero. Ouça bem o que vou te falar Anny... Se nós nunca ficarmos juntos, você não será assim para homem nenhum... Só a mim pertencerão, a tua alma... Teus sonhos...Teus desejos e da tua vida. Algum poderá querer ser dono de tudo isso, até poderá possuir o teu corpo... Mas dessa Anny, só eu serei possuidor.
Ela fica calada, ela sabe que ele está certo, ela nunca conseguirá ser essa Anny para ninguém, só o Adolfo terá esse poder sobre ela.
Ele vai para fora da casa e pergunta por d. Rejane, ele diz que precisa conversar com ela e os demais membros da família, apenas a Anny fica excluída daquela reunião.
O George se despede e vai embora prometendo voltar na noite seguinte. A Anny entra e vai direto pro quarto, envolvida por seus sonhos termina adormecendo. Mas ela desperta ao ser envolvida por um forte abraço e um longo beijo.
- Adolfo!
- Oi Anny, eu já estou indo, eu só queria lhe falar que eu tomei uma decisão muito importante... Nós vamos nos casar.
- Não Adolfo, eu sinto muito mas eu não posso acreditar em você.
- Olhe Anny, hoje quando eu cheguei de viagem eu falei com meus familiares, todos ficaram felizes, e ainda há pouco eu falei com os seus, todos concordaram comigo, portanto só lhe resta aceitar.
- Será que você não compreende Adolfo... Eu tenho medo, de um casamento entre nós não dar certo, não sei explicar esse medo, só sei que ele existe.
- Engano seu, você está achando que eu vou decepcioná-la mais uma vez, mas não será assim Anny. Veja bem, nós já temos uma filha... Uma família começada, sou loucamente apaixonado por você, eu a amo de maneira completa, então por que não vai dar certo? nós seremos felizes tenha a certeza disso.
Como ela nada diz, ele a beija e fala:
- Pense bem Anny, amanhã você não terá mais dúvidas. Até amanhã meu amor.
Ele se vai e ela mergulha no refúgio do esquecimento, não querendo mais motivos para

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sofrer.
O novo dia não consegue por calma no coração dela. As horas se arrastam... De repente a Paula chama por ela.
- Anny, você está ai?
- Sim Paula, o que houve?
- O George está lá fora, ele quer falar com a mamãe.
- Mas o que ele tem pra tratar com ela?
- Bem, ele acaba de dizer pra Louise que quer casar com você.
- O quê? não Paula, não pode ser isso. O Adolfo ontem me falou a mesma coisa.
- E pra você que não sabe, o Adolfo nos reuniu a todos ontem e nos comunicou a sua decisão, todos ficaram felizes, o único que não se manifestou foi o Márcio... Só você sabe como o nosso irmão é. Mas ele falou que o que você decidir ele apoia.
- Paula, será que não dá pra vocês entenderem que o Adolfo só está agindo assim por causa do George? ele não admite que homem nenhum se aproxime de mim, mas tão logo o George desista, quando não mais houver sombra do George em minha vida, o Adolfo fará o mesmo, pode estar certa disso.
- Dessa vez você está enganada minha irmã, ele disse a mim que a ama, e que não sabe viver sem você, e eu acredito nele, eu sendo você daria uma chance ao Adolfo... Mas veja bem, no caso de você realmente não estar interessada no George. Mas seja qual for a sua decisão, pense bem antes de tomar qualquer atitude.
Anny sai, ela busca um pouco de paz. Ao retornar fica sabendo que a d. Rejane não havia aceitado a proposta do George, ela achava que o único que deveria casar com a filha dela seria o Adolfo. a Paula tentara argumentar junto a d. Rejane, mas ela não admitia um outro homem na vida da Anny.
- Mamãe você tem certeza do que está fazendo?
- Sim Paula, o George não é o moço certo pra sua irmã, ele é rico, muito bonito e não será beleza e riqueza que dará felicidade a sua irmã, já o Adolfo, apesar de tudo o que já houve entre eles, eu tenho certeza que ele a ama e além disso tudo, eles já têm uma filha, o que já é um começo.
A tarde o Adolfo chega, ele brinca com a filha, fica um pouco com a Anny e depois se


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vai, ele precisa viajar mais uma vez. A Anny nada falara sobre a conversa anterior, nem tão pouco o Adolfo tocara no assunto, ele já considerava tudo resolvido.
Anny nada diz, ela sabe que não deve sonhar. Após a partida do Adolfo ele volta a ficar apreensiva, sabe que algo está para acontecer e que nada irá fazer para impedir. A noite a Louise fala:
- Anny, o George está ai, ele quer falar com você, mas não se demore, vá logo antes que a mamãe o faça.
- Anny, eu não me conformei com a resposta que a sua mãe me deu a respeito do pedido que fiz hoje pela manhã. Eu a amo Anny e não consigo ver nenhum empecilho para que não sejamos felizes.
- George, eu estou muito confusa... Você é legal, gosto de você, mas para casar é necessário não haver nenhuma dúvida sobre os nossos sentimentos. Esses dias você está embriagado por aquela menina que você conheceu no passado, tínhamos então, apenas doze anos... Eu sabia que você gostava de mim, mas a Danny não permitia muita aproximação, então você ficou marcado, talvez seja isso o que está te confundindo. Você está encantado com a possibilidade de ver a continuação do seu passado. Enquanto que eu estou muito magoada com o meu passado recente. Você George, é um rapaz jovem, bonito, e muito atraente, mesmo que eu fosse totalmente livre, ainda assim não seria justo aceitar, você esquece que eu tenho a Carla.
- Mas Anny, eu quero a filha tanto quanto eu quero a mãe, eu amo você, portanto amo a sua filha também, e ela não será apenas a sua filha, ela será a nossa filha.
- Não George, não posso aceitar. Apesar de você estar disposto a tudo, bem sei que jamais daria certo, pois nunca conseguiríamos uma comunhão de almas, de corpo , provavelmente sim, mas o Adolfo sempre estaria entre nós, Isso não quer dizer que eu não fosse gostar dos seus carinhos e dos seus toques, você e o Adolfo têm algo em comum, e isto só me faria lembrá-lo ainda mais. Embora eu tenha a certeza que o Adolfo não ficará comigo, não consigo lutar contra o inevitável, sinto-me incapaz.
Eu sinto muito George, eu não queria magoá-lo, mas sempre soube que nunca poderia me livrar da minha sombra... Ninguém consegue... E a minha é o Adolfo. Outra coisa George, todos estão torcendo para que o casamento entre o Adolfo e eu aconteça, eu


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sei que isso não se realizará, mas quando perceberem que eu sempre estive certa, ficarão ao meu lado, enquanto que se eu escolhesse ficar com você e por alguma razão não desse certo, eu ficaria completamente só, pois eu não ia ter coragem de procurar eles.
- Olhe Anny, amanhã estarei esperando-a na cidade, precisamos conversar um pouco em outro ambiente, não perdi as esperanças de fazê-la mudar de ideia.
- Acho impossível, mas eu irei, pode me esperar.
Na tarde seguinte eles se encontram, ele tenta dar a ela um pouco do que terá ao lado dele. Vão ao restaurante de um hotel cinco estrelas, ele nada fala, apenas a deixa a vontade, e ela entende o que ele está querendo mostrar. Eles passam a tarde toda juntos, passeiam, conversam, e ela ouve os planos dele para o futuro, onde estão incluídas ela e a filha.
Marcam um novo encontro para a quinta -feira. Vão a um outro restaurante, Ela está triste, ela sabe que ali acontecerá o último encontro deles.
Após alguns segundos de silencio o George Começa a falar.
- Anny por favor, deixe-me insistir, eu decidi ir para Brasília amanhã a noite, eu quero levá-las comigo, lá nos casaremos e prometo-lhe que vou viver para fazê-las felizes. Teremos outros filhos e continuarei amando a Carla do mesmo jeito. Seremos um casal modelo, me acredite, eu preciso muito de você, e nunca saberei dizer-lhe o quanto. Resolvi abrir uma filial em Brasília, mas se você não gostar de morar lá, buscaremos um lugar que a deixe satisfeita, eu tudo farei para vê-la feliz.
- Eu sinto muito George, mas aqui termina a nossa história... uma história sem começo
, apenas com um final, espero que não me queiras mal, pelo que estou fazendo, mas eu jamais conseguiria fazê-lo feliz, e por mais que você tentasse também não conseguiria me transformar numa outra mulher, pois se isso fosse possível, existiria a possibilidade de sermos felizes. Muito em breve estarei só, com as minhas mágoas e decepções, mas estarei bem, pois não levo ninguém para minha solidão.
Ele fica olhando para ela, ele sabe que seus sonhos acabam de ser destruídos, mas não consegue deixar de sentir orgulho de ser amigo da única mulher que conseguiu transformar a sua vida num verdadeiro caos. Sente-se arrasado, mas ele tinha certeza

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que seria assim.
- Eu sabia que não ia conseguir sair vitorioso... Eis aqui a minha despedida.
Assim dizendo, ele pega uma carta do bolso do paletó e entrega pra ela. Não leia agora, deixe para ler em casa, no silencio do seu quarto. Agora venha, vou levá-la pra casa. ela recusa, diz que precisa caminhar um pouco, que é melhor se despedirem ali mesmo.
- Então adeus Anny, se mudar de ideia, sabe onde poderá ter notícias minhas... Partirei amanhã a noite... E não esqueça, não pretendo esquecê-la, menos ainda deixar de amá-la.
O George a beija... seu último beijo, ela mal consegue olhar na profundeza daqueles olhos azuis.
Assim que ele se vai, ela sai lentamente do restaurante, mas parece uma boneca sem vida. Ao chegar em casa ela corre para o quarto e vai ler a carta dele.

"Anny, éramos crianças e eu já sentia alguma coisa estranha quando te via, eu não sabia o que era, não sabia porque me sentia tão sufocado. Hoje eu sei, é exatamente aquilo que os jovens não dizem mais as jovens... Tanto tempo passou, tanta coisa se fez. Nós crescemos, ficamos adultos e nos encontramos novamente, e eu não senti mais aquela explosão de flores em meu coração. Senti que ele chorava, porque o mundo, a vida com a sua rebeldia, e com os ensinamentos que tiveste, com os sofrimentos que passaste, te ensinaram a querer uma outra pessoa que teve oportunidade de te dar aquilo que eu nunca tive a chance de te ofertar, chance essa negada a mim pelo destino.
Tentei me conformar com as tuas sugestões, parece até que eu não vou conseguir.
Mas o que é que eu não consigo nesta vida maravilhosa que Deus me deu? Tu, eu não posso conseguir? Não o que eu não posso fazer é tentar te conseguir, porque eu não devo.
Anny reafirmo, és a amiga mais diferente entre tantas que eu tenho.
Não anny, não guardo rancor pela escolha que tiveste, só espero que sejas feliz, porque assim eu também serei.


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Vagarei, vagarei um pouco mais até quando eu encontre outra que possa substituir-te, encontrarei, sei que encontro, não outra igual, mas alguém que possa ocupar o teu lugar.
Mas pior de tudo não foi saber que tu não podias me pertencer, foi encontrar-me, conhecer e entender como é a vida sem a tua presença.
Anny, if I knew that every day of my life were sunny days, I would just for you."
Adeus, beijos
George
Anny chora tristemente por sobre a carta.



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JÁ ESTÁ DISPONÍVEL O IX CAPÍTULO

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