sábado, 18 de fevereiro de 2012

DE VOLTA AO PASSADO CAP : I V




"... vá vestir algo,pois assim você está tentadora.
- Pois fique ai enquanto eu vou me vestir.
Ela se dirige para o quarto e está tão nervosa que não percebe que ele a seguira, ao tirar a toalha sente os braços do Adolfo rodeando-lhe o corpo, e ela vê por terra toda a sua resistência, e mesmo assim ainda tenta se livrar.
- Não Adolfo, por favor, não...
Sua boca é silenciada com um beijo, e mais uma vez ela se entrega, é uma entrega feita de amor, necessidade, paixão, revolta, mágoa presa, mas ela se entrega e chora feliz ao ouvir as palavras dele.
- Anny, você vai terminar me enlouquecendo, não consigo esquecê-la..."





Categoria:ROMANCE

CONTINUAÇÃO

Capítulo IV


Está chovendo muito... Através da vidraça a Anny fica olhando aquela grossa cortina de água que cai com muita insistência, de repente ela tem a impressão de já ter vivido aquela cena em alguma outra época. Nisso, ouve-se ao longe o barulho de uma sirene de ambulância,o que a toca profundamente, e logo ela descobre a razão, pois como num passe de mágica se vê transportada para um dia muito longínquo e bem distante dali. Com os olhos marejados, ela sente mais uma vez que está mergulhando outra vez no passado.

De vez em quando o barulho da sirene da ambulância quebrava o silêncio da madrugada. Chovia muito, a Anny estava indo pra maternidade, o medo do desconhecido não era maior que o anseio pelo que em breve iria chegar. Como doía aquela ausência, ela precisava do Adolfo por perto, ou melhor, ela precisava dele ao seu lado, ouvi-lo sussurrar palavras que aliviassem seu sofrimento, que era mais doloroso do que as dores que ela sentia naquele momento.Mas não adiantava sonhar, principalmente num momento como aquele.
A chuva continuava fustigando... Através da janela ela podia ver que a mãe natureza se compadecia do seu sofrer e não a deixava chorar sozinha.
Um novo dia surgiu e com ele uma nova vida. Ela é levada para um quarto onde fica repousando... Acabaram-se as dores, agora surgia as preocupações com a nova situação, fica pensativa, quando ouve uma voz:
- Bom dia! Como irá se chamar a herdeira? - Pergunta-lhe o médico que fizera o parto.
- Bom dia doutor, Será Carla, Ana Carla. Posso vê-la?
- Sim. - Responde-lhe o médico.
- Daqui a pouco a enfermeira irá trazê-la. Mas eu gostaria de conversar um pouco com a senhora, pode ser?
-Claro doutor, do que se trata?
- É que essa madrugada aconteceu algo que me deixou um pouco surpreso, talvez por ser algo não costumeiro e também a primeira vez que eu presenciei. O fato é que eu lhe fiz uma pergunta que lhe deixou perplexa, além de constrangida, mas eu vou lhe explicar o que ocorreu. É que apenas essa madrugada a senhora perdeu a virgindade.
- Como é doutor? não estou entendendo?

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- O que eu estou falando é que durante o seu parto o seu hímen foi rompido, então se não fosse essa gravidez você continuaria virgem, esteticamente falando é claro, com certeza em mais algumas relações ele seria rompido. Estou lhe explicando para que não fique nenhuma dúvida em sua cabeça, pois quando indaguei sobre o que estava acontecendo, compreendi que você de nada sabia. Espero ter esclarecido a situação.
- Obrigada doutor por tudo. Agora entendi tudo o que ocorreu na sala de parto.
Nesse momento a enfermeira entra com o bebê, o médico se despede e sai com a enfermeira, deixando a Anny entregue aos seus pensamentos.
Com aquele pingo de gente nos braços, ela fica pensando no que será a sua vida de agora por diante,pois se já estava sendo difícil com a filha na barriga, imagine agora, quando seria necessário mais cuidados e atenção, e ela sabia que tinha que continuar trabalhando para manter a ambas.
A manhã transcorre sem novidades, ela está ansiosa a espera de visitas. Quem será a primeira pessoa a visitá-las? - Essa era a pergunta que ela se fazia constantemente.
É chegado o horário de visitas. Anny está pronta, ela fez questão de estar bem apresentável, na esperança de que o Adolfo surgisse a sua frente.
- Visitas para a Carla!
- Que surpresa boa! - Exclama a Anny, embora um pouco decepcionada por não ver o Adolfo entre as pessoas que haviam chegado. Entre os visitantes estavam a d. Rejane, a mãe dela, a Paula, sua irmã caçula e a Terezinha, uma amiga do trabalho.
- Anny, a Carla é linda! E tem os olhos azuis como os da mãe. - Fala a Paula.
- Mas é a cara do pai. - Diz a d. Rejane.
- Mas é muito novinha pra saber com quem se parece mamãe.
- Engano seu minha filha, é incrível, mas a menina é a cara do Adolfo.
Anny permanece calada, só fazia escutar os comentários, pois pensava consigo mesma: - Meu Deus, eu achei que fosse imaginação minha, agora vou ter que viver lembrando dele, mesmo que eu não queira.
Após dois dias, onde ela esperou ansiosa por algo que pudesse acontecer, mas que na realidade só ficou nos seus desejos, que era a visita do Adolfo. Ela teve alta. Era preciso voltar pra casa e continuar a vida, e foi o que tratou de fazer. Ela

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resolve voltar com a amiga do trabalho, a Terezinha, embora a d. Rejane tivesse ido até a maternidade convidá-la para ir pra sua casa, anny recusara, pois entendia que não havia mais lugar para ela na casa da sua mãe, agradecera bastante, mas preferira que fosse assim. No seu entender, a partir daquele momento sua vida se resumiria a ela e a filhinha, e no Adolfo...Se milagres acontecessem. Seria difícil dali ´por diante, mas não teia ninguém para lhe censurar ou criticar por qualquer coisa que não desse certo.
Por direito, ela havia tirado noventa dias de licença maternidade, e ela esperava poder dedicá-los exclusivamente para a pequenina Carla. Mas ela logo descobre que as coisas não serão tão fáceis para ela, e quando menos espera, a Terezinha diz pra ela que há um serviço no escritório que se ela quisesse daria pra ela fazer, e com certeza ela seria bem recompensada. Terezinha diz que foi o Marcos que pensou nela, e seria uma forma de ajudá-la, embora fosse errado. já que ela estava de licença, mas ela poderia levar a filhinha e não precisaria cumprir horário, bastava por em dia três talões de notas fiscais, pois a empresa estava irregular. Mas ela não pensou duas vezes, aceitou e na segunda-feira, com apenas cinco dias de resguardo, pega a filhinha e se dirige para a empresa. Lá conseguiram uma cesta, colocaram travesseiros e acomodaram a Carla o mais confortável possível, deixaram a cesta em cima da mesa que a Anny estava trabalhando. E assim ela trabalhou toda a semana, e terminou tudo no final da tarde da sexta-feira. A filhinha só levava o tempo em dormir. Missão cumprida, ela volta para casa satisfeita. Em troca do serviço prestado recebera o equivalente a dois meses de salário.
Agora ela iria curtir a filhinha, aproveitaria cada minuto e principalmente porque vivia chovendo muito, parecia que o inverno havia chegado fora de tempo, e naquele sábado não havia sido diferente, pois amanhecera chovendo bastante e a Carla estava com dez dias de nascida.
- Mas como chove Carlinha, não sei o que fazer para secar suas roupinhas. - Ela adorava conversar com a filha, como se esta pudesse entender o que ela falava, e nem ligava em falar sozinha, pois a a nenen só vivia dormindo, mas era a forma que a Anny tinha para manter a mente ocupada, sem precisar pensar em nada, sem reparar no tempo que estava passando. E foi num desses momentos que o Adolfo chegou e a surpreendeu

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falando com a filhinha. Surpresa com a visita ela o recebe friamente, e do mesmo modo ele a trata, mas todo esse antagonismo passa, tem fim, quando após alguns minutos nesse clima de hostilidade, ambos resolvem esquecer as diferenças e passam a cuidar mutuamente da pequenina Carla.
Todos os dia ele aparecia e ficava a cuidar da filhinha. Anny, mesmo achando bonito o modo como ele cuidava da filha, sentia o ciúmes lhe corroendo, mas apesar de tudo, as coisas começaram a mudar entre eles, e ela sempre esperava por ele, pois o mesmo estava de férias. Todas as tardes ele chegava, e em alguns dias ele tanto vinha para ajudar a cuidar da filha, como para amar a mãe. Mas ela nunca dava demonstração do que lhe ia na alma, pois ela já tinha sido humilhada, e não iria cometer o mesmo erro. E assim, todas as manhãs, quando o sol já ia alto, o Adolfo ia para a casa da mãe e á tarde voltava para a Anny, e apesar da insistência dele em querer tornar conhecido de todos o relacionamento deles, pois o Adolfo dizia que todos tinham que saber que eles estavam juntos, como marido e mulher,mas ela se esquiva, pois sente que aqueles momentos só deve ser partilhado entre eles, ela temia que as outras pessoas interferissem nesse relacionamento. E quem sabe eles conseguiriam finalmente aprofundar aquela convivência e tornar em realidade o sonho de ambos. E assim passaram muitos dias.
Terminada as férias, o Adolfo mais uma vez se vai... Só que aquela noite ele a amara com loucura, com muito mais paixão, era como se fosse uma despedida, aquela noite parecia ser mágica... E bem mais inesquecível.
O Adolfo parte... Ela continua sua vidinha ao lado da filha... Ele depois que se foi não deu mais notícias. A licença dela está chegando ao fim, e ela ainda não conseguiu ninguém de confiança para ficar com a Carla, e ela se desespera... Não sabe nada do Adolfo, e agora esse problema que ela tinha que resolver,pois não podia perder aquele emprego.
Então, uma vizinha da d. Rejane, a d. Zezé se prontifica a tomar conta da Carla, bastava que a Anny a levasse todos os dias para a sua casa e a buscasse ao sair do serviço, e mesmo sendo provisório, já que ela não podia fazer isso por muito tempo, a Anny se sentiu muito grata, e continuou a procurar uma outra pessoa, o que parecia

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ser a coisa mais difícil do mundo. Até que certo dia a Louise, sua irmã, se oferece para tomar conta da sobrinha.
- Anny, sei que está muito difícil pra você conseguir encontrar uma pessoas de confiança pra tomar conta da Carla, se você quiser e confiar eu faço isso pra você, basta trazê-la pra cá.
- Você faria isso por nós, mesmo sabendo que a mamãe é contra?
- Não importa, você precisa de ajuda, que irmã seria eu se fechasse os olhos diante de um problema que pra você tem sido maior do que todo esse sofrimento que você vem passando?
Anny se comove diante da demonstração de amor e solidariedade. E assim a Louise passa a tomar conta da pequena Carla. A Anny mal tem tempo para si. Trabalha muito pra poder arcar com todas as despesas que enfrenta com a atual situação. E a cada dia que passa a situação se agrava mais, e a cada novo dia, mais aumentava a despesa da pequenina Carla, e ela se viu obrigada a diminuir o máximo possível a sua. O tempo vai passando, a situação vai ficando mais difícil, mas ela não desiste, sempre esconde de todos o que realmente está acontecendo, até mesmo a sua refeição ela já diminuiu, mas mesmo assim as dificuldades persistia. Até que um dia a Louise diz a ela que tem uma casa pequena pra alugar, ficava mais perto do trabalho e a Anny não precisaria gastar com passagem. Sem dúvida isso iria facilitar a vida dela. E naquele mesmo dia, ao invés de almoçar, ela tira o horário para ir na tal casa. Gostou muito do que viu e logo fechou negócio. A mudança é feita rapidamente, já que ela quase não tinha móveis. Certo dia a d. Rejane vai a casa da filha sem ela estar e fica horrorizada com o que vê, pois só existe o quarto da Anny e da filha,um pequeno fogão e um filtro. E para surpresa da Anny, a d. Rejane compra uma cozinha pra ela, o que a deixa muito agradecida. Todos os dias a Louise vai pra casa dela, já evitando da Anny ter que ir pra casa da mãe levar a filha. Os dias vão transcorrendo na maior monotonia. Para complementar o orçamento, ela se torna manicure, e passa a fazer unhas no horário do almoço, pra ela não fazia muita diferença,pois a mesma quase sempre estava sem almoço, não precisava se preocupar com a Louise, pois esta trazia o almoço dela de casa. E é assim dessa forma que ela continua sua pacata vidinha. Nunca mais soube do Adolfo...

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Teve um dia que ela trabalhou demais e ao chegar em casa, estava muito cansada... Nessa noite ela não dormiu, e ficou a pensar nas dificuldades dos primeiros dias, quando precisou voltar a trabalhar no quinto dia de resguardo... Lembra quando a Terezinha foi falar com ela, levando recado do gerente, do carinho que a Maria José teve ao improvisar uma caminha pra Carla, da gratificação que chegara em boa hora,pois ela estava com o aluguel atrasado, e volta a pensar nas palavras do Marcos, que mais que um gerente, fora um bom amigo.
- Sabe Anny, nós gostamos muito de você, mas eu juro que nunca na minha vida eu conheci alguém tão orgulhosa quanto você.
- As vezes Marcos, as dificuldades servem para nós crescermos, e eu acho que pior do que o que eu tenho passado, seria ouvir alguém me humilhar por estar me ajudando... E tudo isso que eu tenho passado, tem me ajudado a lutar sozinha, sem esperar por quem quer que seja, mas quando acontece de chegar alguma ajuda, eu consigo fechar os olhos e engolir o meu orgulho, pois agora tem uma criaturinha que não pediu pra vir ao mundo, e por ela, só por ela eu sufoco esse orgulho.
O Choro da Carla tira a Anny dos seus devaneios... São duas horas da madrugada, ela corre pra ver a filha e começa a conversar com ela:
- Meu bem o que é que você tem, conta pra mamãe.
E carinhosamente põe a filhinha nos braços e começa a niná-la, dá-lhe um pouco de leite, e deita ao lado da filha, começa a pensar nas roupinhas da Carla que ainda não terminara de lavar. E sem perceber ela adormece ao lado da filha, mas ela acorda ao escutar barulho de chuva, enrola a Carla num lençol e a coloca no berço. Levanta e ao chegar na sala, descobre um monte de goteiras, a impressão é que chovia mais dentro de casa do que do lado de fora, ela ainda se sente cansada... Cansada e impotente, e com os nervos em frangalhos se põe a chorar, mas ela lembra que a Louise irá chegar mais tarde e ela precisa dar um jeito naquela situação. Senta-se e fica observando sem saber por onde começar, e vê o tempo passando e ela continua sem ação... De repente a chuva cessa, e sem demora se põe a limpar tudo,e tão logo termina, percebe que não terá tempo pra mais nada, ela precisa estar no trabalho as seis horas da manhã. Nisso ouve a Louise chegando.

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- Oi Anny, cheguei! Estou muito atrasada?
- De jeito nenhum, olha eu queria que você desse o leite da Carla, é que não deu tempo.
- Tudo bem Anny, outra coisa, a partir de hoje eu lavo as roupinhas da Carla, assim diminui um pouco mais o teu serviço, e outra coisa, eu quero saber por que você não vem pra casa almoçar.
- É pra não perder tempo Louise, você sabe que o tempo que eu gastar pra ir e voltar, será quase o meu horário todo do almoço. Assim fico por lá mesmo e faço um lanche.
- Desculpe-me pela franqueza, mas eu sei que isso não é verdade, você não vem pra casa porque sabe que eu trago o meu almoço, e você além de não ter o que almoçar, ainda fica usando o horário do almoço pra fazer um extra. Sinto muito Anny, mas eu fiquei sabendo de tudo, portanto a partir de hoje, farei todo o serviço da casa e você virá almoçar em casa, pois se eu trago pra mim, posso muito bem trazer pra você, e ninguém precisa saber disso. Será um segredo só nosso.
- Eu não acho certo Louise, é melhor como está, eu aguento, pode acreditar.
- Não Anny, será melhor você aceitar a minha ajuda, do que adoecer e precisar dos favores dos outros, você não acha?
- Está bem Louise, nesse caso até a hora do almoço.
Ela passa a almoçar em casa todos os dias, e quando acontecia de não dar tempo, ela deixava para almoçar quando chegasse a noite, nesse caso, jantava. E foi então que ela resolveu dar uma desculpa pra não vir mais almoçar, e a Louise ficou despreocupada, pois sabia que a irmã não dormiria com fome.
Um dia o gerente descobriu o que estava acontecendo e passou a almoçar no escritório, e sempre chamava a Anny pra almoçar com ele, pois o restaurante mandava muita comida. A princípio ela agradeceu e recusou dizendo não estar com fome,mas ele insistiu e ela acabou aceitando, e assim passou a acontecer todos os dias, ela sempre se esquivava e ele sempre insistia, até que virou rotina, e um dia ela descobrira a grandeza da atitude do Marcos, e pela primeira vez não sentiu necessidade de engolir seu orgulho,era um gesto muito nobre para ser ignorado. E dessa forma aumentou ainda mais aquela amizade, e o grande respeito que ela tinha por ele.

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Mais alguns dias se passaram, é chegado o fim de semana, e como sempre acontecia, a Louise só ficava até a chegada da irmã, e ia embora só voltando na segunda-feira. Nesse dia a Anny demorou um pouquinho mais. Logo que a Louise se vai,ela termina de arrumar a casa, toma um banho e vai dar um banho na Carla, em seguida dá o leite a ela e a põe pra dormir. Assim que sai do quarto a sua irmã mais velha, a Danny chega e diz:
- Anny, o Adolfo está lá em casa, ele está lhe esperando, quer vê-la.
- Diga-lhe que espere deitado, pois até sentado irá se cansar.
- Quer dizer que você não irá lá em casa falar com ele?
- Não, Danny,não irei, e me dê licença que eu preciso tomar outro banho, pois a Carla me sujou, deu-me uma golfada. E quanto aquele ídolo de barro,mande-o pro inferno, mas por favor me deixe em paz.
A Danny sai e a Anny fica com a consciência doendo, não havia necessidade de ser grosseira com ele, afinal ela não tinha culpa de nada. E assim pensando, se dirige para o banheiro e toma um demorado banho, sai enrolada numa toalha e uma outra enrolada nos cabelos, ao chegar a sala estanca.
- O que foi agora Danny, já lhe disse que não vou a lugar nenhum, eu só quero ficar em paz, eu só quero descansar, estou exausta, por favor Danny, me desculpe, mas agora vá, volte uma outra hora, vou adorar tê-la aqui em casa.
- Desculpe Anny, eu não queria, mas ele insistiu e a mamãe mandou trazê-lo.
A Danny sai rapidamente, só então ela olha para a porta e vê o Adolfo escorado na parede. Um arrepio de prazer percorre seu corpo, mas logo é substituído por um acesso de fúria que lhe acelera as batidas do coração.
- O que você quer aqui Adolfo? nada temos pra conversar, portanto vá embora, não dê mais um passo.
- Eu não vim pra conversar, só quero ver você e a nossa filha, e vejo que está sendo mais difícil do que eu pensava, por Deus Anny, não posso ficar aqui parado. - E dizendo isso, ele abre a porta e entra.
- Adolfo não chegue perto de mim,se afaste.
-Não irei tocá-la , se é isso que tanto lhe assusta. Vou ver a nossa filha, e se não

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se importa, vá vestir algo,pois assim você está tentadora.
- Pois fique ai enquanto eu vou me vestir.
Ela se dirige para o quarto e está tão nervosa que não percebe que ele a seguira, ao tirar a toalha sente os braços do Adolfo rodeando-lhe o corpo, e ela vê por terra toda a sua resistência, e mesmo assim ainda tenta se livrar.
- Não Adolfo, por favor, não...
Sua boca é silenciada com um beijo, e mais uma vez ela se entrega, é uma entrega feita de amor, necessidade, paixão, revolta, mágoa presa, mas ela se entrega e chora feliz ao ouvir as palavras dele.
- Anny, você vai terminar me enlouquecendo, não consigo esquecê-la, não consigo tocar em outra mulher, eu acho que você me enfeitiçou... E sofro porque não temos dado certo e ainda não descobri a razão, será que sou eu o culpado?
- Não faça perguntas das quais nem mesmo você tem as respostas.
Em silêncio ela vai pro banheiro tomar banho, e assim poder refletir um pouco. Nesse momento a Carla chora, ela volta correndo, mas a encontra nos braços do pai, e ela não consegue conter a risada, ela jamais pensou ver uma cena como aquela.
- O que tem demais um pai acalentar a filhinha que está chorando?
- Nada Adolfo, desde que o pai esteja vestido.
Então ele percebe que está completamente nu. Nisso a Carla se cala, ele a põe no berço, vira-se para a anny e diz:
- Não gostei da sua observação, menos ainda da sua risada, você agora vai pagar por isso.
E em questão de segundos estavam embaixo do chuveiro fazendo amor... Ele amava cada parte daquele corpo que parecia incendiá-lo de paixão, e como ele lhe falara um dia, que juntos aprenderiam tudo o que um homem poderia dar e querer de uma mulher... E o Adolfo foi sem dúvida um grande professor, e se ela não foi uma boa aluna, era devido a sua timidez. Depois do banho o Adolfo pergunta pra ela:
- Anny, não há nada pra se comer nessa casa?
- Não Adolfo, eu faço as refeições na firma, e a Louise trás o almoço dela, e final de semana eu sempre dou um jeitinho.

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Ele veste a roupa e sai em seguida, mas volta logo com algumas compras. Após o jantar o Adolfo combinou que iria ficar dando a despesa da filha, Anny insiste em não querer aceitar, mas ele diz que não adianta ela recusar, pois criança dá muita despesa e não era justo ela arcar com tudo sozinha. Continuam conversando, e vivem mais uma noite maravilhosa, não se falava no passado, não se tocava no presente, nem se referiam ao futuro, viviam aqueles momentos como se fossem os últimos das suas vidas... Foi mais uma noite para marcar a alma dela, já tão cheia de cicatrizes... Mas aqueles momentos de loucura... Embriagues e sonhos pareciam jamais ter fim.
- Anny, como falei antes do jantar, vou mandar a despesa da Carla regularmente, e não pense em contestar.
Ela fica calada olhando para ele. O Adolfo vai se aproximando dela, olhando-a fixamente, pega uma escova de cabelos, e começa escovando os cabelos dela e murmura:
- Anny, você está mais linda que antes, o corpo continua o mesmo, nem parece ter conhecido a maternidade, agora a sua fisionomia de mamãe tem um quê de sofrimento, de medo, o que a torna mais bonita, teus olhos continuam inocentes, mas o teu olhar revela toda a sensualidade que em vão tentas esconder... És linda... Corpo de mulher... Coração de mulher e a alma de criança... Amo-a Anny... Amo-a com loucura, perco noites de sono pensando em você, mas quando estou perto, principalmente depois de me realizar como o homem mais feliz da terra, sinto-me incapaz de seguir em frente, você me deixa inseguro, e não consigo fazer nada para vencer essa insegurança.
- -E fácil de resolver Adolfo... Cresça, torne-se um homem, amadureça e estarás pronto para assumir esse amor tão louco... Tão desesperador. Esqueça o passado, o tempo pra nós passou, só que você parece ter ficado perdido nele. Somos adultos, o tempo de adolescente ficou pra trás, mas parece que você não percebeu isso ainda.
A madrugada os recebe de braços abertos, era muito amor para ser sentido... Vivido com intensidade, ele não cansava de amá-la, enlouquecido de paixão.
Pela manhã o Adolfo se vai prometendo voltar logo. Ela o vê ido embora e sente um aperto no peito. Volta para o quarto e ao passar pela mesinha de cabeceira percebe que ele havia deixado dinheiro sob o relógio. Ela sente-se ferida,humilhada, era como se ele estivesse pagando aquelas horas de loucura que ambos tinham vivido. Ela jamais

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pensaria que ele havia feito dessa forma, justamente por sabê-la orgulhosa demais para aceitar ajuda, ele jamais faria isso se soubesse que a magoaria tanto.
Depois que o Adolfo se foi, ela só recebia dele o cheque da despesa da Carla, apesar dela ter recusado algumas vezes, ele não aceitara a recusa.
Passado alguns meses, ela sai do emprego. E como vinha acontecendo já há algum tempo, ela voltara a frequentar a casa dos pais do dele, atendendo a um pedido do Adolfo. O seu Antunes convida a Anny para vir morar com eles até ela conseguir um outro emprego, e possa dar um novo rumo a sua vida. E ele chega pra esposa, e diz:
- Rita eu convidei a Anny pra vir morar aqui com a gente, até que ela consiga um novo emprego, ou acertar a situação deles de uma vez, e como você adora a Carlinha...
- Mas é claro que eu gostei da notícia Antunes. Todos nós gostamos da anny,e o quarto do Adolfo está desocupado, a Anny pode ficar lá.
Ela passa a morar com a família do Adolfo, mas era muito doloroso pra ela, estar na cama dele sozinha, e mais ela sofria com a chegada dele, a incerteza a agredia de tal forma que em muitas vezes ela parecia que ia enlouquecer, mesmo com eles se entendendo melhor, havia alguma coisa no ar que a deixava em pânico, ela sentia que alguma coisa estava para acontecer, e tinha a certeza que não era nada bom, ela sentia que escondiam alguma coisa dela, e ela começa a pensar mais seriamente em dar um novo rumo a sua vida.
Há mais de quinze dias que elas estão morando com a família do Adolfo. Certo dia ela estava tomando o desjejum, quando acontece alguma coisa que quebra o silencio daquela ensolarada manhã. Ela ouve vozes exaltadas que vem da sala de visitas, quando se dirige pra lá a d. Rita tenta convencê-la a continuar tomando o seu café.
- Desculpe d.Rita,mas eu preciso saber o que está acontecendo, pois eu sinto que vocês estão me escondendo alguma coisa e eu tenho certeza que escutei o nome do Adolfo.
- Deixe-a ir pra sala mamãe, ela precisa saber o que está acontecendo,não é justo ficar enganando-a. Vá Anny, participe da reunião, mas prepare-se para um choque.
Mariluce falara com muita firmeza, o que deixa a Anny mais apreensiva.

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Ela se dirige para a sala e lá encontra o seu Antunes dos irmãos do Adolfo, O Renato e o Guto, além de uma senhora que se fazia acompanhar de uma jovem, Anny olha bem pra garota, mas nada encontra que lhe chame a atenção. Ela olha pro seu Antunes que logo se achega, põe os braços em torno dos ombros dela e fala:
- Senhora, pode tomar a atitude que quiser, o Adolfo tem mulher e filha, que por sinal moram comigo. Se há alguém nessa sala que tenha algum direito, ou melhor todos os direito, esse alguém é ela, a Anny, minha nora.
A moça perde toda a classe da qual forçosamente havia posado e dirige-se ao pai do Adolfo, furiosa.
- Ele disse a mim que a mulher e a criança que moravam aqui, era mulher e filha do Renato. Ele não mentiria pra mim, ele jamais faria isso.
- Faria sim, tanto faria que fez. A Anny ele conhece praticamente desde criança , ela é diferente de todas vocês, e o meu filho, pode não parecer, mas é louco por ela, nem sei porque ainda não casaram. Já você é igual a tantas que vivem por aí caçando marido e é isso o que termina acontecendo. Se quer um conselho, afaste-se do Adolfo, ele não tem nada pra dar nem a você e nem a nenhuma outra.
Arrasada a Anny vê mãe e filha se retirarem. E chora ao perceber que ela era na verdade apenas um escudo de defesa para os atos irresponsáveis do Adolfo. Ela se dirige para o quarto, passa pela cozinha e fala com a d. Rita.
- D. Rita, a senhora pode cuidar da Carla pra mim? vou precisar sair e não tenho hora pra voltar.
- Tudo bem Anny, mas pra onde você vai? por acaso irá falar com o Adolfo? se for isso minha filha, não vá, ele vai ficar muito perturbado, e ele está se preperando para fazer uns exames.
- Não d. Rita, eu preciso de paz e o seu filho seria incapaz de me dar isso. Eu não sei pra onde vou nem a que horas voltarei.
Ela sai de casa, após beijar a filha e se dirige para a rodoviária... não quis escutar ninguém. Ela estava muito arrasada e ficando em casa poderia terminar por fazer alguma coisa que se arrependesse depois, e ela não era de se arrepender do que fazia,mas sim pelo que deixasse de fazer. Pega um ônibus com destino pra Caruaru.

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Ainda não sabe por quê nem para quê, sente que precisa sair de Recife de qualquer jeito. É cero que ela pensara em ir pra Caicó, onde o Adolfo estava, mas ela não saberia fazer isso,era contra os princípios dela.
Passa o dia todo perambulando por Caruaru, não visita ninguém conhecido, ela não quer que vejam seu desespero, sente-se impotente... Arrasada... Destruída. Tenta pensar no que irá fazer, mas falta coerência em seus pensamentos. Sente-se pequenina... incapaz... desprotegida. Passa por lugares onde costumava ficar relendo as cartas do Adolfo... Era apenas uma adolescente, nada sabia da vida nem das maldades humanas, pois foi a partir dali que foi aos poucos tomando conhecimento do quanto teria que aprender a se defender,para não ser pisoteada... Chora todas as suas mágoas e dores... Chora desconsoladamente, é muita amargura que brota da sua alma. Ela sabe que precisa dar um novo rumo à sua vida, e será no dia seguinte que ela dará início ao seu plano.
Anoiteceu... Ela continua sentada no mesmo lugar, estranhamente sente-se vazia. Quando decide voltar está um pouco tarde, mas ela consegue pegar o último ônibus, o das 20 h. Chega em casa já passando das 22:00 h. Encontra a d.Rita desesperada.
- Anny você foi procurar o Adolfo?
- Não d. Rita, eu nada fiz que possa me unir ou me afastar mais do seu filho, do que já estou. não se preocupe.
-Será que você pode nos dizer onde estava Anny? ficamos preocupadas, a mamãe ficou numa agonia só.
- Mariluce, eu fui pra Caruaru... Passear por lugares onde eu costumava ficar para ler as cartas que seu irmão me mandava, onde ele deixava transparecer toda a singeleza dos sentimentos que nutria por mim quando este ainda tinha a beleza dos puros de coração... Passei todo o dia perambulando na esperança de esquecer o que nunca poderia ser esquecido... Era preciso me afastar de tudo que me lembra-se esse animal chamado homem.
Chocados com as palavras dela, se olham entre si, até que o seu Antunes fala pra ela.
- Anny, telefonei pro Adolfo, contei-lhe ocorrido, ele disse que no máximo em três dias estará aqui para se explicar com você.

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- Ligue pra ele e diga-lhe que não precisa se abalar em vir até aqui por mim, talvez ela tenha alguma coisa pra ouvir,mas até disso estou duvidando... Acredito que qualquer coisa será em vão.
No dia seguinte ela deixa a Carla aos cuidados da avó e sai sem dizer pra onde vai, procura nos jornais mas nada encontra, está ficando desesperada, ela precisa conseguir um emprego, ela precisa sair da casa da família do Adolfo... ela precisa sair da vida dele pra sempre.
Passa na frente de um grande supermercado, entra, procura o gerente e diz que precisa muito de trabalhar e com humildade pede-lhe ajuda. sente-se mal, não gosta de pedir ajuda, mas a necessidade se fazia maior, pela primeira vez colocava o orgulho em segundo plano. Com calma contou sua situação, ele se compadeceu dela, pega um cartão escreva alguma coisa e entrega a ela, e lhe diz que deve ir até aquele endereço e procurar a pessoas que ele estava indicando e finaliza orientando-a para chegar ao local indicado, e percebe o semblante dela se entristecendo quando ele diz que ela irá pegar dois ônibus pra ir e os mesmos pra voltar. Ele a olha fixamente, pede licença e a deixa aguardando e logo em seguida retorna trazendo um envelope que entrega a ela.
- Toma minha filha, aqui tem o suficiente para você se manter durante umas duas semanas, pois eu tenho certeza que você conseguirá uma vaga de trabalho.
- Como farei para pagar-lhe.
- Você não está em condições de se preocupar com isso, você me parece ser uma menina de fibra, e isso não encontramos com muita facilidade hoje em dia. Lhe desejo muita sorte e quem sabe um dia nos encontraremos por aí
E assim falando colocou a mão no ombro da Anny e a acompanhou até fora da loja. Ela agradece e vai em direção a parada do ônibus, toma a condução pra cidade e de lá pega outra em direção ao endereço que tinha nas mãos. Ao chegar ao endereço ela tem uma rápida entrevista com o responsável pelo recursos humanos, e logo a encaminha para fazer uns testes. Ela faz todos os testes no mesmo dia, havia uma recomendação no cartão que ela trouxera, a esse respeito. Ao terminar o gerente geral a pede que volte no dia seguinte para saber os resultados. Ela agradece e sai dali confiante.

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Dirige-se para a parada de ônibus e esperançosa retorna pra casa, ao chegar a d. Rita pergunta se está havendo algum problema.
- Aconteceu alguma coisa minha filha. Eu a esperei para o almoço, como você não chegou, mandei a casa da sua tia mas você também não estava lá. Então eu fiquei preocupada, principalmente porque ela disse que fazem dois dias que não a vê.
- Não se preocupe d. Rita, não está acontecendo nada, apenas estou tentando colocar a minha vida em ordem.
E sem maiores explicações deixa a d. Rita entregue aos seus pensamentos na cozinha e se dirige para o quarto.
No dia seguinte ela pede pra d. Rita cuidar mais uma vez da Carla pois vai precisar sair. E se dirige para o local onde havia feito os testes no dia anterior.
- Bom dia! Eu sou a Anny, eu fiz uns testes ontem e vim saber o resultado.
- Bom dia, olhe você foi aprovada e teve um excelente rendimento, parabéns.
- Tenho certeza que isso em parte se deve a necessidade que tenho no momento de trabalhar, outra parte foi sorte, e por fim um pouco de conhecimento.
- Não seja tão modesta, existe alguma coisa em você que não combina com ela.
E rindo a recepcionista pede que a siga.
Ela a segue, a jovem a deixa em uma outra sala e pede que aguarde um pouco. Se retira e logo em seguida entra uma senhora que com simpatia a cumprimenta.
- Bom dia, você é a Anny?
- Sim.
- Ficamos satisfeitos com o seu resultado, você se mostrou bastante capaz. Portanto a partir desse momento você passa a fazer parte do nosso quadro de funcionários. Lhe encaminharei para o setor de treinamento onde você ficará por duas semanas, e depois irá para uma das nossas lojas. Agora só me resta desejar-lhe boa sorte. Anny agradece e se dirige para a saída, ela está eufórica.
Todos os dias ela sai cedinho da casa dos pais do Adolfo. Deixa a Carla aos cuidados da avó e só volta no final da tarde. E ela se sai muito bem no treinamento, e logo não acham necessário ela continuar, não havia mais nada a aprender e assim ela é transferida para uma das lojas na zona sul, ela acha ótimo pois agora só pagará uma

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condução. Mas com o passar dos dias ela começa a se preocupar, o dinheiro que ela tem está acabando e ela ainda não conseguiu pensar numa solução. Passa a tarde preocupada, até que se lembra de uma pessoa que com certeza a ajudará, o Mauricio,,apesar de nunca se verem. Ela sabe que poderá contar com ele, afinal ele faz parte daqueles amigos que ela sabe que tem e que sempre estará de braços abertos, mesmo que há muito não tenham se visto. Fica tranquila e decide que mais tarde ligará para ele.terminado o expediente liga para o amigo.
- Alô! Por gentileza, eu gostaria de falar com o Maurício do setor financeiro.
- Quem deseja?
- Diga-lhe que é a Anny.
- Alô! Anny...
- Oi Maurício, tudo bem?
Comigo tudo ótimo, e você, algum problema?
Rapidamente ela conta pra ele um pouco da situação e finaliza dizendo que com certeza vai precisar de ajuda financeira.
- Anny, isso não é problema nenhum... Problema é essa vida que você insiste em levar, as vezes eu penso e não consigo entender, como é que tantos caras bacanas se interessaram por você, e você escolhe logo um que além de complicado, parece que nem cresceu ainda.
- Maurício, essa história você conhece muito bem, e até hoje nada mudou, nem a minha situação, nem a sua opinião, mas fazer o quê? é a vida meu amigo, é a vida...
Maurício começa a rir e deixa ela mais descontraída.
- Anny, a semana passada eu encontrei o Vital, e ele me perguntou de você, e falou que nunca mais a tinha visto e que sentia falta de encontrá-la na empresa sempre que vai lá, e ele me confessou que é apaixonado por você, eu desconfiava, mas ter a certeza me deixou meio surpreso, talvez tenha sido o modo dele falar.
- Eu sempre gostei dele, um sujeito como poucos... As vezes sinto falta dos mimos que eu tinha direito.
- Você pelo visto continua dengosa como sempre. Mas voltando ao assunto, fico feliz que tenha lembrado de mim e não do Vital, de quanto você precisa? levarei no final do expediente.

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- O suficiente pra pagar condução por uma semana. Ah! obrigada pelo ciúme do Vital.
- Você é demais menina. Mas aviso-a de que não levarei apenas essa quantia, pois tenho a certeza que você precisará de mais, e só estou avisando pra você não começar com cenas de orgulho bobo. Portanto minha eterna menina, me aguarde no final do expediente. Deixe-me ajudá-la como você merece e lembre-se que nem todos são iguais ao seu precioso, e desculpe-me se a magoei, mas a verdade é que eu preciso fazê-la enxergar a vida sobre um outro ângulo. Um beijo e até mais tarde.
- Até Mauricio, e não se preocupe, você não conseguiu me magoar, se era essa a sua intenção.
- Não Anny, não era isso o que eu estava querendo fazer, só quis lhe mostrar que não uso de subterfúgios com você, gosto de você pelo que tens dentro de ti, e eu simplesmente te adoro minha amiga.
Rindo o Mauricio desliga o telefone e ela fica pensando em tudo que ele falou,depois dá de ombros pois sabe que ele é assim mesmo, na verdade ele lembra muito o Márcio, o irmão dela, talvez por isso ele tenha conquistado a amizade dela.
No final do expediente ela é chamada na gerência.
- Anny, você foi transferida para a nova loja. Você já começa na próxima segunda-feira, se não me engano fica próxima da sua casa não é?
- É verdade, não gastarei nem 10 minutos, caminhando.
- Lhe desejo boa sorte... Gostamos muito de tê-la trabalhando conosco.
Obrigada, seu Elias... eu também gostei muito de trabalhar aqui, e nunca vou esquecer o que fez por mim. Adeus .
- Adeus não. Vou visitar a loja e faço questão de ir cumprimentá-la. E espero que sejamos amigos.
- Claro, o senhor está certo, até logo.
Ela sai apressadamente e dá de cara com o Mauricio esperando por ela.
- Puxa, você está linda! Venha que eu a levo pra casa.
- Não é ´preciso Mauricio, eu tomo a condução aqui mesmo na frente, como eu também devo lhe dizer que o incomodei à toa, pois não vou mais precisar do dinheiro que lhe pedi. Hoje foi o meu último dia aqui nessa loja, vou trabalhar lá perto de casa.


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- Venha Anny, eu a levarei para casa e no caminho discutiremos o assunto.
- Por favor Mauricio, eu não quero lhe dar mais trabalho
- Venha... E faça-me o favor de ficar calada, eu gosto demais de você mas isso não lhe dá o direito de ser tão insensível. Olha, eu só estou querendo lhe ajudar, mas as vezes eu fico pensando, será que você não vive melhor por causa desse orgulho besta, do qual você não abre mão?. Desculpe-me minha querida, eu não queria ser tão grosseiro.
Ela estava com o rosto voltado pra o outro lado, ela não queria que ele visse o quanto a tinha ferido. Nesse momento ele toma o rosto dela ente as mãos e sente-se miserável ao ver as lágrimas rolando pelo rosto dela.
- Perdoe-me Anny, eu acho que você tem razão ao querer manter-se afastada de nós. Terminei fazendo o que eu já havia jurado a mim mesmo não fazer, e veja o que consegui, a magoei. Esqueci por um momento o quanto você é sensível... Me perdoe, fui um monstro.
- Não meu amigo, você é um anjo, eu é que ando sensível demais para o gosto de qualquer ser humano.
Rindo, ele a beija na testa e diz:
-Venha, vou lhe dar um pouco daquilo que você tanto gosta... Uma caminhada pela praia.
- Eu até que aceito,mas e a Izabel, o que dirá quando você chegar em casa com os sapatos cheios de areia?
- Ela não dirá nada, pois ela sabe que estou com você, e maluca como você é, e lhe conhecendo tão bem... Ela sabe que não há nada melhor pra você do que sentir a brisa a essa hora. Final de tarde e início da noite, o que é um verdadeiro bálsamo para seus problemas. Mas ela só é boazinha assim, porque é você.
Anny sorri... e ele pode sentir naquele sorriso e naquele olhar toda a doçura que o sofrimento tem tentado sufocar.
- Algum lugar especial minha querida?
- Não, qualquer lugar, desde que seja sempre seguindo a orla da praia, pois logo estarei em casa.
- Você não tem jeito mesmo não é? agora pegue esse dinheiro e guarde.
- Não devo aceitar Mauricio, eu já lhe expliquei que não mais será necessário. Aceitei a carona para fazermos as pazes, não para continuar discutindo.
- Está bem, você venceu, mas com uma condição.


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- E qual é?
- Para ninguém ficar chateado com ninguém, você irá jantar comigo. Aqui perto tem um restaurante muito bom,estive lá a semana passada com a Izabel. E então, tudo bem pra você?
- A Izabel não ficará chateada?
- Ela não se importará, quem não vai gostar será o meu chefe, é que eu disse a ele que voltava pra fazer serão, estamos fazendo balanço.
- Bom, nesse caso eu aceito,já pensou você dando bolo no chefe por minha causa?
- Você não muda mesmo... Nunca vai deixar de ser criança, de agir e pensar como tal.
Ao chegarem ao restaurante, são conduzidos pelo garçon até a mesa, o Mauricio pede licença a ela e vai ligar para a esposa, pois havia dito que só iria entregar o dinheiro pra Anny e voltaria para o trabalho. E se o chefe ligasse procurando-o, com certeza iria deixá-la muito preocupada e enraivecida sem saber o que de fato estava acontecendo. Então ele explica pra ela que está jantando com a Anny, para o caso do chefe ligar pra casa a procura dele. Ela promete dar uma boa desculpa, desde que depois de deixar a Anny em casa, volte correndo pra ela.
O jantar transcorre em silencio, ela mal toca na comida. terminam e saem caminhando em direção a praia,a noite está linda... O céu cheio de estrelas, mas ela parece não perceber.
- Obrigada por tudo Mauricio... O jantar estava perfeito e o passeio, foi ótimo.
- Eu observo anny, que você se contenta com muito pouco... Izabel está certa. Você é boa demais pra ele.
- Engano seu Mauricio, é que vocês me olham com os olhos do amor, por isso não conseguem ver meus defeitos, e talvez por isso eu os ame tanto... Vocês dois são como o Zé Luis e a Ivalda, sempre me enchem de mimos... Vocês é que me fazem uma eterna criança.
- Você está enganada minha querida,nós a vemos e a amamos como você é... Uma criança crescida, carente e precisando não só de amor, mas de proteção também. Mas agora, entre,já é tarde e eu não quero levar carreira de ninguém.
Ela fica rindo. Se despedem, ele a beija carinhosamente e se vai.
Os dias vão se passando sem novidades, do Adolfo, nenhuma notícia.A Anny está se dando muito bem no novo local de trabalho, estava sendo muito corrido, pois a loja tinha data para a inauguração, era a maior loja no ramo, no nordeste.


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Certa noite ao chegar em casa, vê o Adolfo. Ela se sente feliz e ao mesmo tempo triste.
- Olá Anny! como você está? eu estava ansioso para que você chegasse, eu não sabia que você largava tão tarde.
- Eu acho que quem demorou pra chegar foi você, era apenas três dias que você mandou dizer que estaria chegando, e no entanto faz quase um mês... Quanto a mim, não costumo chegar tão tarde, mas hoje aconteceu. Agora se você me der licença, preciso tomar um banho, estou cheia de poeira e muito cansada, mais tarde falaremos.
Ele se aproxima dela.
- Anny,o que é isso em seus cabelos, e em seu rosto? - Pergunta incrédulo o Adolfo, sem querer acreditar no que estava vendo.
Ela não havia explicado pra ninguém o trabalho que estava fazendo. Ela estava arrumando a loja que estava perto de ser inaugurada, e que passava a maior parte do tempo desembalando as peças que estavam em caixas que continham capim seco, por serem peças quebráveis.
- -E capim seco, não está vendo? e o que tem o meu rosto, está irritado? se está vendo, por que pergunta?
Ela vai em direção ao quarto e deixa ele plantado na sala. Sai do quarto e passa direto pro chuveiro.
- Você demorou muito no banho Anny.
- É que eu precisava tirar todo o vestígio do que cobria o meu corpo de forma tão penetrante.
Ele a pega com força pelo braço e de maneira brusca pergunta:
- O que você está querendo me dizer com isto? por acaso existe algum homem na sua vida que eu não esteja sabendo?
Ela sente vontade de jogar-lhe no rosto que existe um homem sim, que existe ele, que não lhe sai da cabeça em momento algum. Mas ela apenas o olha profundamente, balança a cabeça e responde:
- Sim Adolfo, nesse momento existem vários homens na minha vida, se é isto o que você está querendo saber.
Mas ao olhar para ele, ela compreende que fora longe demais, mas continua...
- Sabe Adolfo, quando eu chego em casa, todas as noites, corro para o banho para poder me



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livrar de tudo que está impregnando o meu corpo, afinal eu estou com eles desde a hora que chego até o momento de voltar pra casa, por isso chego tão cansada e tão suja.
Lívido ele a interrompe.
- O que você acha que está fazendo comigo? o que você pensa que eu sou?
- Não estou fazendo nada, nem tão pouco pensando coisa alguma, apenas estou tentando dizer que fico das sete da manhã até as cinco horas da tarde, acompanhada de muitos homens e mulheres, tirando mercadorias de dentro das caixas e estas estão cheias de capim seco e poeira e por isso minha pele está ficando tão irritada. E se chego tarde, é porque precisamos trabalhar mais, caso contrário não teremos terminado tudo para a inauguração que já está muito próxima. Seja lá o que foi que tenha passado pela sua cabeça, estás muito enganado. Não me julgue por você Adolfo. Embora você parece vez por outra esquecer, eu continuo sendo uma mulher de fibra, não temo o pesado e acima de tudo, nunca esqueça; eu sou mulher de um homem só... Ou de nenhum.
- Anny,eu preciso conversar com você sobre o que aconteceu aqui em casa na minha ausência.
- Amanhã Adolfo falaremos sobre isso, por hoje eu já completei a minha carga de emoções.
E dizendo isso, se dirige para o quarto, ela ainda tem muitas coisas a resolver, e o dia seguinte será decisivo na vida dela.


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JÁ DISPONÍVEL O V CAPÍTULO

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