quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Minhas Cartas



Estas são algumas cartas
que encontrei por acaso...
Guardadas entre tantas coisas de mim e você...

Dezembro de 1979

Hoje eu acordei e vi que o relógio estava parado... Fui
até a janela e pareceu-me ouvir risos... Risos estes que
se distanciaram a medida que eu começava a pensar em você.
Lembrei-me de cada palavra e de cada toque que eu ouvia e
sentia a cada amanhecer...
Uma lufada, tenta varrer da minha mente as lembranças
que me chegam sem pressa. Ouço nesse momento o barulho do
chuveiro e sinto um fremir percorrer todo o meu corpo,
exatamente como ocorria sempre que brincávamos no chuveiro...
Nunca mais ouvi aquele riso cristalino que cativou-me durante
nossa permanência juntos.
Olhos fechados... Ainda sinto o seu toque carinhoso e tantas
vezes enlouquecido pelo desejo.
Sinto nesse momento um roçar suave sobre a minha pele,é a
brisa da manhã que insistente procura me despertar desses
angustiados momentos tão cheios de amor...Tão cheios de dor...


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Dezembro de 1979

Querido,
O dia amanheceu ensolarado!... Não tem chovido esses dias...
O verão parece mais forte que das vezes anteriores. Os dias têm
sido lentos e as tardes sempre modorrentas e com poucas chances
de um anoitecer feliz...
Cada dia parece ser uma cópia do dia anterior, sempre a mesma
monotonia, o mesmo tédio.
Hoje, distante de tudo quanto sonhei, busco nas lembranças um
pouco do muito que vivemos lado a lado.
O sol escaldante parece ferir os meus olhos tão tristonhos e
quase sem brilho, pois a opacidade foi o que restou num olhar
que tantas vezes fora a ousadia das nossas noites profanas e
tão enlouquecedoras.
Mergulho a alma nesse dia que já se inicia de forma triste
e solitária... Este será mais um dia de muitas lembranças e
poucas alegrias... Muitas lágrimas e poucos sorrisos... Muitas
saudades e poucos arrependimentos... Muito vazio e poucas
esperanças... Este será mais um dia como tantos outros sem você.


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Março de 1980

Meu Querido,

A madrugada foi fria e cruel... A sua ausência me transporta
para outros tempos, onde tudo era bonito e perfeito...Hoje porém
a solidão tem sido presença constante nesses momentos de angústia
sem fim.
Sobrevivendo das recordações e de fracas esperanças, contento-me
em buscá-lo em cada despertar ou mesmo durante minha insônia, nas
madrugadas indiferentes ao meu sofrimento já tão costumeiro.
Minhas mãos cansadas de tocar o nada parecem implorar por um corpo,
Seu corpo, ainda tão distante de mim... Bem sei que muitas vezes
mais, estarei a buscá-lo... A esperá-lo, como sempre o fiz. Nunca
mais tive prazer ou alegria, estes se perderam na imensidão dessa
sua ausência tão doída.Continuarei buscando-o no silêncio da noite
ou na frialdade das madrugadas, tão solitárias quanto eu.
Mas eu sei que um dia haverá, em que terei saciado todo o meu desejo
e recuperado a minha sanidade, ao ver transformado em realidade esse
meu sonho desvairador.


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Abril de 1980

Oi!

Esta tarde, ao observar o mar, lembrei de um por-do-sol que eu nunca
consegui esquecer... Onde abraçados trocamos juras de amor...
Parece que estou a nos ver... Você correndo comigo nos braços, e
quando exausto, nos deixamos ficar deitados na areia a nos observar.
Mas o tempo passou e com ele essa história que teve seus momentos de
loucura, prazer e ilusão.
Hoje, o crepúsculo já não tem a mesma beleza, embora muitas vezes eu
o ache com uma tonalidade mais forte, mais vívida e mais triste ...
Pois ele tem a cor da saudade e o gosto da solidão.
O barulho do mar me parece gemidos de angústia, a brisa que sopra
tem o cheiro de você e esse mesmo vento parece invadir o meu íntimo,
lembrando coisas que preciso esquecer.
A solidão que perdura em meu ser,me angustia, pois me mostra o quanto
tenho sentido e sofrido essa sua ausência.
Nunca mais vivi... Nunca
mais senti o gosto pela vida... Nunca mais
senti você...

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