sexta-feira, 13 de abril de 2012

distraçaõ

Categoria: Conto

O som dos pássaros parece dar um maior encanto àquela paisagem bucólica... O sol com seus raios brilhantes saúda tudo em derredor. Mas há um alguém que não consegue ver o brilho da vida que contrasta de forma gritante  com o seu interior...
Jane contempla toda a beleza, mas não consegue capitar o colorido forte e ousado da vida. Em seu íntimo desencadeia uma tempestade de proporções imensas. Em seu olhar o verde que se confunde com o azul do mar está sem brilho... Lágrimas parecem inundar aquele mundo de inquietação, o semblante só retrata desespero. Mais uma vez a amarga solidão parece asfixiá-la. Ela tenta desesperadamente se libertar daquela dor mas não consegue. Qualquer esforço mostra-se inútil. Uma vez mais se encontra sozinha... Nada mais há para encher seus dias amargos e transformá-los em esperanças.
Olha para o computador e as lágrimas rolam pelo seu rosto sem que ela consiga retê-las. Já não haverá mais um boa noite querida! Ela já não encontra mais mensagens de amor carinhosamente postadas para ela. Que felicidade ela sentira quando certa vez, ao abrir seu e-mail havia uma mensagem sonora. Emocionada ela começara a ouvir ... Nesse momento porém, a situação é diferente, e mesmo assim, ela volta a fechar os olhos e começa ouvindo aquela voz que era capaz de enlouquecê-la.

Jane amor, um poema pra ti


Seria mesmo a vida?


Agora que nos encontramos,
de repente compreendemos
que estávamos sózinhos...
Que importa o que vivemos?
Que importa o que passamos?
Seria mesmo Vida, a vida que levamos
por diferentes caminhos?
Agora que nos encontramos,
que te quero e me queres
como uma força jamais
pressentida,
parece incrível que eu já tenha falado de amor
a outras mulheres,
e que antes de mim pudesse ter havido algum amor
em tua vida!
-                         J.G. de Araújo Jorge


Anteriormente ela escutara dezenas de vezes aquela mensagem, e cada vez mais sorria, sentia-se verdadeiramente amada. Mas agora... Olha tristemente para o computador e o silêncio do outro lado parece mortal.
Que fazer com tanto amor dentro do peito? E agora, como seriam as suas horas se já não havia mais nada a esperar?
Nunca mais iria ler um "Boa noite querida! chegaste?" nem aquele "Bom dia menina querida", ou um simplesmente: Jane amor...
A angústia transforma-se em dor física, e o pior, ela sentia que isso um dia poderia acontecer, e a qualquer momento... Agora, aquela fantasia havia se desfeito como fumaça levada pelo vento. Como seria agora seus dia e suas noites solitárias? como fazê-lo entender a proporção que a sua presença mesmo virtual era imprescindível para ela continuar vivendo?
O computador, de repente parece se transformar num imenso monstro de maldades, pronto para tragá-la.
Não... Ela não tinha como fazê-lo entender que mais nunca conseguiria sorrir, como aprendera a sorrir com ele, como fazer para deixar de sonhar acordada esperando o surgir do nada lhe trazendo o tudo?

Como esquecer o som inebriante daquela voz sedutoramente inesquecível?
como fazer para voltar a encontrar os versos que falavam de amor... de carinho... De amizade?
Hoje ela percebe que mais uma vez se tornará um iceberg à deriva... O vulcão que ele havia despertado, deveria  ser extinto em meio às lembranças que pareciam queimá-la como fogo .Não mais haveria de correr pra casa na esperança de ligar computador e de coração acelerado, ouvir a voz dele declamando para ela. Como iria agora passar os dedos suavemente pela tela fazendo o contorno daquele rosto amado? e agora, como tocar lascivamente aqueles lábios, sem chorar aquela perca?
De imediato lembra de uma mensagem que ele mandara e que dizia assim:



Para a menina Jane que mata
de tentação gostosa...
Beijos amor.....

"Um homem só encontra a mulher ideal quando olha
para o seu rosto e vir um anjo e,
tendo-a nos braços, ter as tentações que só os demônios provocam..."

** Pablo Neruda



Como? como poderia ela sorrir e dizer, não apenas eu amo, mas dizer sou amada?
Voltará ela ao mundo insípido em que sempre viveu... Voltará a chorar, pois sabe que as lembranças desse amor virtual que agora chega ao fim nunca mais a fará sentir-se realmente feliz, pois a dor da saudade a estará matando por dentro.

Recorda quando achara por bem terminar aquele sonho e ao dizer-lhe isso, ele apenas mandara mais uma poesia. Remexe no e-mail e procura pela poesia enviada, e ao encontrá-la começa a ler e mais uma vez deixa as lágrimas correrem livremente...


 Jane querida 


 "CANÇÃO DA ESPERA"



"Quando marcares a tua volta,
quero levantar na madrugada,
quero acordar na alvorada
e esperar por ti.
Quero confundir minha alegria à tua
e juntos, lavar nossas saudades.
Poucas mudanças deverão ser notadas,
além do descompasso
de um coração apertado.
Cada minuto deste novo dia
será precioso de felicidade.
Quero, de novo, trocar contigo
as experiências que teus sonhos embalam.
E, enquanto não chega a hora,
vou desenrolando, nesta minha espera,
imagens que de ti eu guardo. "

                                                          "Dúnia de Freitas"


 Beijos molhados na sua boca, 


 Ela chora desconsoladamente sem entender por que o destino tem que ser mal com ela... era tão pouco o que ela queria da vida, e agora paga caro por ter ousado se apaixonar... Por ter desejado amar e ser amada. E nesse sofrimento descomunal, ela deita por sobre os braços, toca levemente a tela do computador desejando que o seu amor virtual tome vida... Mas ela sabe que isso não irá acontecer.. Desliga o computador e se prepara pra dormir, ao chegar na cama e deitar é abraçada pelos braços  indiferentes e frios da solidão... Acabaram-se seus sonhos... Sua chance de ser feliz mesmo com um amor virtual. Pior era agora... Não ter mais por quem esperar... teria sim... Por quem chorar relembrando a sua mais linda, ousada  e curta história de amor.

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