Minha memória ultimamente tem falhado E há coisas que nem sempre consigo lembrar Mas tudo o que tenho no peito guardado Da minha memória eu não consigo apagar
As vezes quando eu estou pensando Em tudo aquilo que tanto me fez sofrer Sinto como essa dor vai aumentando Ao lembrar de tudo que guardei de você
E mesmo não querendo ser assim E desejosa de tanto mal esquecer Eu sofro pois vejo que tudo enfim Será insuficiente se só penso em você
E os anos vão passando e me fazendo ver Que muita mágoa em mim ainda perdura E sei que não vai adiantar nunca eu querer Tirar da minha alma tanta dor e amargura
Estou sozinha nas lembranças E com a dor que em mim perpetuou Perdi da vida toda a esperança Apenas a saudade em mim ficou
Se foram todos os sonhos e ilusões E todos os desejos ocultos da alma Se perderam todas as minhas emoções Nada me restou, nem mesmo a calma
A calma de um dia poder aceitar Tudo o que a vida cruel me reservou Perdi até o gosto de também pensar Na beleza dessa nossa história de amor
E vagando entre os meus pensamentos Querendo nas lembranças não reviver Cada um dos nossos ardentes momentos Tentando tirar de mim essa ânsia de você
Mas quando fecho os olhos ainda revejo Essa grande ilusão que um dia eu perdi A de tê-lo para saciar os meus desejos E sentir outra vez tudo o que um dia vivi
E perdida entre tantas lembranças e desafetos Continuo em verdade na busca de um dia poder Sentir de novo cada um daqueles ousados gestos Que um dia, espontâneamente os tive de você
Vivo de tudo a me esconder Aguardando por algo irreal E também não quero que você Perceba que tudo me é crucial
E assim me reservo sempre o direito De nas sombras do tempo me ocultar Já que mais nada me parece perfeito Eu consigo assim de tudo me afastar
E olhando para trás finjo não ver O que tanto eu insisti em conservar E eu sei que foi por puro prazer Que o tempo resolveu também me magoar
E vou descrevendo em círculos fantasiosos O que da minha mente não consigo tirar Se vai a juventude,fica os momentos ansiosos E o receio da velhice que vejo quase chegar
Cada ano vivido nunca me trouxe paz Não consigo ter ilusões no meu viver E também nunca aceitei nem fui capaz De tirar da minha vida tantos porquês
O que foi feito daquele teu olhar Que por mim se incendiava de paixão E que tantas vezes me fazia sonhar Dando asas a minha imaginação?
Infelizmente no tempo se perdeu Não resistiu as tempestades surgidas Foi perdendo o brilho e arrefeceu Deixando um vazio na minha vida
E tudo o que foi feito dos nossos sonhos De todos os nossos planos e dos projetos Soçobraram nos refolhos do meu olhar tristonho E na indiferença de cada um dos meus gestos
Finalmente o que houve com aquele teu amor E teus lábios tão sequiosos e enlouquecidos Infelizmente não conseguiu sobreviver à dor No final, tudo se resumiu a um amor perdido
Foram anos de espera E ansiedade Mas um dia tudo terminou E na maior leviandade Vi o tudo se fazer em nada E o nada se perder Nessa longa jornada
Nos resquícios se apagaram Todo e qualquer vestígio Não importando quantos choraram Ou quem perdeu ou tenha ganhado Já que hoje de mais nada há indícios
E percebo já não há muito a pensar Menos ainda o que esquecer Pois como poderia eu achar Que o tudo que veio de você Em algo eu conseguisse transformar Sem que eu pudesse perder A serenidade do meu olhar...
Não importa quanto tempo tenha passado Mas eu sinto que algo posso te pedir, sim Mesmo que te foste e nunca tenhas voltado Eu apenas desejo que nunca esqueças de mim
Que eu nunca venha a ser em tua vida Tão somente um simples esquecimento Pois para quem um dia foi tão querida Com certeza nunca fui um arrependimento
Que eu permaneça no recôndito do teu ser Uma lembrança terna e também muito amada Pois se de ti nunca conseguirei esquecer Que do teu coração eu nunca seja apagada
Que mesmo distante consigamos olhar para trás Sem nenhuma mágoa ou qualquer tipo de rancor Pois só assim haveremos de por um pouco de paz Repousando junto a esse inesquecível amor
Que recordemos sem nenhum sofrimento Tudo o que um dia juntos pudemos viver Pois sempre guardarei em meu pensamento Tudo aquilo que possa recordar eu e você
A voz que meu peito silencia É a mesma que com nostalgia Me embriaga com sua magia Ofuscando toda a minha alegria Por saber que essa vida que eu vivia Ela apenas existia Nas cinzas que teimosa renascia...
E com amargura eu sofria Toda a sorte de hipocrisia Quando solitário meu coração sorvia Todo o sofrimento que se fazia Quando da imensa covardia Que a vida me oferecia Sem dó da minha agonia...
E já nada mais havia Apenas a grande melancolia Que comigo a tudo assistia Pois ela num certo dia Junto a mim se unia Para viver sem nenhuma euforia A essa tristeza que eu sabia Ser tudo o que eu podia Conservar na alma com primazia
A silenciosa madrugada Me encontra triste, cabisbaixa Tão sofrida e calada Com vontade de chorar
Quieta, vou revendo meus conceitos Sofrendo meus próprios preconceitos Sem querer a eles aceitar E me enrosco nos braços do desassossego Reprimindo meus arcanos e meus medos E me ponho a chorar
Choro com o coração e com a alma E em meio as tantas mágoas Desato a soluçar E sinto o abraço estreito De todos os meus medos E novamente os meus preconceitos Não me permite mais sonhar
E me calo diante desse mundo Que de um jeito tão profundo Amarga mais e mais o meu viver E vou arrastando comigo cada desejo Cada sonho e também cada medo De não mais conseguir me ver