quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Saudade Boa


Esse vento que sopra preguiçoso
Que não consegue varrer minha lembranças
As vezes até me lembra pensamentos bobos
Daqueles que só os têm, as crianças

A paisagem bucólica de pura nostalgia
Me trazem recordações que chegam a doer
O burburinho das crianças em sua alegria
Me lembra outras crianças que eu vi crescer

E não falo só das minhas filhas que aqui cresceram
Mas de todas aquelas que por aqui eu via passar
A maioria cresceu, casou...Outras no tempo se perderam
E algumas poucas, agora adultas, aqui resolveram ficar

Tempos bons... Saudade boa que eu ainda consigo sentir
E pareço ainda ouvir os risos das crianças a espocar
Mas o tempo, esse, hoje ainda consegue me fazer sorrir
Diante dessa muitas lembranças que insistem em voltar

Nada Mudou


Categoria: Crônica


Nessa tarde modorrenta, observo a movimentação dos caminhões de cana que passam carregados para a usina, e é sempre a mesma coisa, desde a primeira vez que aqui estive.Um ou outro grito se escuta dos trabalhadores que se comunicam, mas que apenas eles entendem o que está sendo dito.
Observo crianças que passam correndo, outras que param na esquina conversando, como se discutissem algo muito importante. Pelo que vejo, nada mudou nesses mais de vinte anos que conheço esse lugar, a não ser pelas caras novas que tenho visto. De resto está tudo igual... Pais que se aposentam e os filhos vão ocupando seus lugares... Os mesmos sons... A mesma nostalgia... o mesmo tédio... Quase que o mesmo tudo

domingo, 16 de outubro de 2011

Outros Momentos


Esse bafejo morno que chega ao meu pescoço
Impregnando meu todo,me lembrando outros momentos
Me fazendo reviver seu toque mágico e gostoso
Que até hoje não me sai da cabeça,para meu tormento

Esse som que lembra o farfalhar de uma palmeira
Me faz voltar no tempo...Quando eu ainda o esperava
E sinto na pele como se eu ainda fosse a primeira
A sua primeira... O seu primeiro sonho que buscavas

Fecho os olhos e pareço sentir seus longos dedos me tocando
Sua língua...Como labareda a queimar-me por inteiro
E o seu olhar lascivo a penetrar na minha alma, me desejando
Me possuindo, marcando-me para sempre como o seu amor primeiro

Nunca mais eu pude sentir a magia da sua encantadora sedução
Nem dos seus toques,que ao lembrá-los ainda me faz enlouquecer
Até hoje, me sinto presa nessa grande e inexplicável ilusão
De que um dia ao abrir meus olhos, vou ter diante de mim você

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Não Importa O Tempo


Á Minha Irmã Georgete

A minha irmã, a Georgete
É uma menina do bem
Com ela a gente se diverte
Pessoas como ela, é raro também

Procura sempre aos outros ajudar
A maldade com ela não tem vez
É uma pessoa digna de se admirar
Dela, passa por longe a insensatez

E sempre que ao telefone nos falamos
Me vem a mente as mais doces lembranças
Daquelas que não importa o passar dos anos
Pois são recordações que nos enche de esperanças

Confesso: O nosso convívio é até muito pouco
Mas também em nada a nossa amizade interfere
E nessa vida agitada e nesse mundo louco
As lembranças, a nos procurar nos impele

E não importa o tempo nem a curta distância
Que ainda temos a nos manter separadas
Ouvi-la, sempre me transporta a nossa infância
E é um sentimento que nos une, mesmo se caladas

A minha irmã Georgete é realmente uma pessoa incomum
Eu diria, um anjo, com palavra amiga a quem precisar
E até hoje não consigo me lembrar de momento algum
Dela ter dado as costas a quem um dia foi lhe procurar

Pela Última Vez


Meu dias se perdem em saudades
E minha alma agoniza na solidão
O muito que tenho em amizades
Se resume a uma minúscula porção

E a cada novo dia que vem surgindo
Sinto aumentar a tristeza do meu coração
Eu queria não viver para mim mentindo
Fingindo sempre, enganando-me a cada ilusão

Da vida o muito que tive sempre foi pouco
E o melhor até a mim, esse nunca chegou
Meus gritos de protesto contra a vida foram roucos
Pois o medo, a esses meus gritos sempre sufocou

E é assim que sempre vou levando essa minha vida
Que de angústia em angústia vivo nelas a mergulhar
E a minha alma tão desgastada e tão sofrida
Muito em breve eu sei, irá finalmente descansar

E até receio que para isso não falta muito tempo
O meu corpo cansado isso já está a demonstrar
E nesse dia terei meus pensamentos soltos ao vento
Tentando numa derradeira vez poder te alcançar

E eu sei que dessa vez será mesmo assim
A vida eu sinto não terá como isso desfazer
Já que será meu último desejo... Nesse meu fim
Deixar a minha saudade afagar pela última vez você

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Vítima


Será que eu fui do destino uma vítima?
Ou... Sou uma vítima sem referencial
Vítima triste... Vítima sem igual
Vítima das circunstâncias...
Talvez a vida com sua arrogância
Me tenha feito apenas mais uma vítima
Vítima do destino,e tão somente desigual

Uma vítima do acaso
Do descaso
Ou uma vítima diferente...
Talvez apenas
Indiferente
Perdida em meio a tanta gente
Que as vezes me dirigem um olhar
Como se eu fosse uma indigente
Pensando que nada vou perceber

Mas assim é a vida...
Para uns sorridente
Já para outros... Infelizmente
Só a tristeza
À sua porta vem bater...

E a vida continua com seus momentos
E alguns tão incabíveis,
Que de momento nem os consigo citar...
Outros são um tanto calmos
Mas as vezes tão descontentes
Que logo descubro
Ser melhor continuar a sonhar
 
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