segunda-feira, 30 de abril de 2012

DO MEU ALCANCE







Sentada à sombra de um  coqueiro
Olhando o mar logo penso em você
Pois nessa vida de momentos corriqueiros
Me vi perdendo pouco a pouco... Você


E esse som que chega aos meus ouvidos
Som de mar quebrando nas pedras
Se mistura a outros sons  proibidos
O de nossas almas  em particular festa


Hoje tão distante estás do meu alcance
Porém bem mais perto dos meus pensamentos
E revejo na história desse curioso romance
Que nada consegue apagar nossos momentos


E mesmo que não dês importância ao fato
Do que representaste no meu solitário viver
Surpreendi-me ao ter meu coração conquistado
Por quem nen sequer chegou a me conhecer


E já não me importa que de mim continues ausente
E que insistas de nessa ausência permanecer
Embora tudo isso só me faça ainda mais carente
Ansiosa de poder estar outra vez com você...


E a cada novo dia que vejo nascer
Sinto a angústia em mim cada vez mais forte
Pois o prolongamento dessa falta de você 
Tem a intensidade do tenebroso eco da morte


Por que dificultas essa nossa reaproximação
Se é tão pouco o que estou a te pedir?
De ti só quero teu amor e essa tua paixão
Pois todo o resto pra mim deixa de existir


domingo, 29 de abril de 2012

MEU ÚNICO RECEIO



Há um vento bastante inquietante dentro de mim 
Bem diferente deste que insiste em me acariciar
Talvez seja por isso que eu hoje aqui vim 
Para mostrar essa saudade que insiste em ficar


O ar está impregnado desse teu cheiro, imaginário 
Na pele sinto as lascivas carícias que não morreu 
E no meu quarto na penumbra posso antever o cenário 
Que nos fará viver dessa vez tudo o que não aconteceu 


Por enquanto tenho a alma em profundo e doloroso torpor 
Ela já não acredita que este amor iremos finalmente viver 
Pois ela continua presa nas lembranças desse nosso amor 
E que eu insisto em buscar um jeito pra nunca o esquecer 


No silencio das madrugadas ainda consigo ouvir 
O meu coração que pulsa ao lembar do que dizias 
E por mais que eu queira sei que não devo insistir 
Em ocultar todo o bem que a mim sempre fazias

E agora que já não mais te tenho como sempre desejei 
Que provavelmente dos teus pensamentos não faço parte 
Hoje a solidão em mim fez morada, e eu não a busquei 
E meu maior receio é  pensar que de mim  te cansaste


E nessa incerteza vou tentando seguir em frente
Sempre esperando vê-lo finalmente pra mim voltar
Já que me falaste que nunca serei pra ti indiferente
Estarei pacientemente na expectativa de vê-lo chegar

sexta-feira, 27 de abril de 2012

AINDA TE ESPERO



Hoje eu me lembrei demais de você
E uma saudade imensa me envolveu
Eu preciso muito outra vez poder
Sentir esse amor que um dia foi meu


Fechar os olhos e novamente perceber
Que o tempo se foi  mas você em mim ficou
E como um sussurro do vento sentir  você
Murmurando as mais belas frases de amor


Ah! se pudesses num desses momentos sentir
O meu corpo reclamando tua ausência sem cessar
Pois foste bem mais que um novo porvir
Foste um mundo de loucura e prazer ao me amar


Onde deixas agora teus despojados carinhos
E toda aquela avidez ao querer me amar
Bem sei que já não cruzamos nossos caminhos
Mas mesmo assim ainda te espero voltar


E com a chegada desse momento sentirás
O quanto meu corpo ainda falará  por mim
Então verás que nosso amor sempre será
Um eterno começo e jamais terá um fim





ENTRE NÓS




Hoje trago no rosto a sombra do cansaço
Das muitas noites insones pensando em ti
Relembrando nossos momentos e cada afago
Que com loucura sempre me fizeste sentir


Se fecho os olhos te imagino ao meu lado
Contemplando este corpo que um dia foi teu
este mesmo corpo que não reteve o cansaço
Antes, aguardo ansiosa pelo que já foi meu


Não busco apenas esse tempo reviver
Quero-te bem mais do que realmente pensas
E isto é algo que eu sei não consegues entender
Mas foi por esse amor que  revi  minhas crenças


E esquecendo o espelho de todas as verdades
Abro os braços esperando-o por fim regressar
Pra vivermos juntos  as experiencias da nossa idade
E descobrirmos o quanto ainda podemos nos amar


E será uma entrega livre sem culpas nem pudor
Mitigando essa saudade que é apenas nossa
Precisamos viver toda a loucura desse amor
Não só hoje, mas que sempre a gente possa


E teremos  na  força desse nosso amor realizado
Um saciar de desejos no tempo já tão reprimido
Te amarei como eu sei que gostas de ser amado
E viveremos esse amor sem que nada seja proibido



quinta-feira, 26 de abril de 2012

AMOR CORSÁRIO



O sol tão radiante a essa hora da manhã
Tira do meu corpo qualquer rastro de preguiça
Escondo ansiosa do meu dia todos os afãs
Pois sei que minha alma toda mágoa dissipa

E buscando razão que aos lábios um riso aflore
Encosto minha cabeça no teu ombro imaginário
Talvez, num gesto impensado eu até implore
Para que voltes... Oh! meu amor corsário

Retorne ao teu lugar em meus pensamentos
Pois o amanhecer já vai alto e tu não chegas
Quebra a monotonia de todos esses momentos
Vem pra o meu corpo onde tão bem velejas

Me põe pelo avesso, me desnorteia como quiser
Pois nada sou sem esse teu amor transloucado
Nunca te esqueças, pra ti, sempre serei essa mulher
Que enlouquece ante esse teu amor arrebatado

Meu pirata... Tão louco e bem mais encantador
Vem... Te apressa, em meu corpo venha aportar
Estou sedenta dos teus beijos, e desse teu amor
Onde  maliciosamente soubeste me aprisionar...

domingo, 22 de abril de 2012

À PEQUENA JÚLIA






A MINHA QUERIDA NETINHA
                            JÚLIA


Eu hoje estava pensando  nessa alegria geral...
Estou a falar da minha  netinha que está pra chegar
E sem dúvida este será um momento muito especial
Onde todos vão querer muito mais que admirar


Júlia será com certeza uma linda menina
De uma brancura (pode ter certeza) sem igual
Todos sonham em embalar essa  pequenina
Que fará desse momento algo bem triunfal


Parabéns aos  papais que da vida vão receber
Um lindo presente e  por Deus tão abençoado
E eu tenho certeza que ela será uma linda bebê
Que trará pros seus dias um perfeito aprendizado


Continuarei  aguardando com uma certa ansiedade
Essa chegada que é por todos nós muito esperada
Que os céus derrame sobre ela, saúde e bondade
A doçura da mãe, e do pai a inteligência comprovada
..................................................................................
Mas o que ela herdar de vocês com certeza será benção

























Um Sábado diferente... Porém proveitoso



Categoria: Crônica

Ontem, sábado, saí com o meu esposo, paramos em uma praia (ele queria pescar), nem reparei em que praia estávamos. Caminhando em direção a areia, havia um paredão, ao chegar próximo a ele descobri um buraco e nele um cachorro. Chamei a atenção do meu esposo para aquilo. Ele olhou e disse: " O cachorro não sai porque não quer". Eu respondi: "Acho que não, ele me parece sem forças." Meu esposo retrucou: "Você não está querendo que eu vá tirar o cachorro daí?"  Respondi: "E por que não? tenho certeza que sozinho ele não consegue". Meu marido olhou mais uma vez e falou: Ele não sai porque não quer. Vamos embora!" 
Eu olhei pro cachorro e fiquei sem saber o que fazer (eu tenho muito medo de cachorro), nisso meu esposo grita do carro. "Vem embora Gil!" 
Eu sai muito triste... Senti os olhos se encherem de lágrimas, tentei segurá-las e fui embora. Ali eu não mais falei. Ele dirigiu durante algum tempo, e me disse; "Estás emburrada porque eu não tirei o cachorro do buraco, Gil aquele cachorro tem dono, ele logo vai sair dali". Olhei pra ele e falei com a voz apagada: "Não custava ter ajudado o cachorro. Eu não tentei porque tenho pavor de cachorro". Ele nada falou e continuou a dirigir, então ele me pergunta: "Pra onde vamos finalmente?" e eu respondi: "Voltar"
E foi o que ele terminou fazendo, mas disse logo: "Não pense que eu vou tirar o cachorro do buraco, pois eu não vou. Ele pode estar doente". Eu nada respondi e em silencio continuei. Ao chegarmos lá, corri até o buraco e lá estava o cachorro. Comecei a chamá-lo, ele deu uma passada e caiu, eu me desesperei e disse ao meu esposo que ele estava muito fraco, ele se aproximou e pediu pra eu não  tentar chegar perto. Mas eu não o escutava, fui me aproximando do buraco (que por sinal era grande e largo) e continuei a chamá-lo e ele insistente tentava andar e caia, e nessa agonia ele chegou próximo de onde eu estava. Me agachei e continuei chamando-o ele se aproximou de mim, me abaixei o mais que pude e tentei puxá-lo. Meu esposo se aproximou e foi me ajudar. Juntos puxamos o cão pra fora. Ele se encostou na minha mão e eu senti muito medo, eu estava com o cheiro de gato (eu tenho três gatinhas) mesmo apavorada, me ajoelhei ao seu lado e comecei a alisar a sua cabeça, primeiro receosa e depois mais a vontade. Ele se ergueu, caminhou um pouco cambaleante. Voltou, se aproximou de mim, se esfregou nas minhas pernas, fez o mesmo com o meu esposo e depois saiu, no início trôpego e depois foi se aprumando. Não sei se ele não havia saído porque no buraco havia muitos ferros, (varões que se usam em construção, pois o tempo todo o guiei, pedindo que parasse, ou que voltasse, ou mesmo quando era pra continuar). Não sei exatamente o que havia acontecido, mas ele tomou a direção oposta a que nós íamos. Esse foi o meu sábado, que perdi naquele momento, imaginando quantos animais não estariam passando fome ou qualquer outro tipo de dificuldades.
Voltamos para casa, e eu não deixei de pensar no cachorro o restante do dia.
Hoje, domingo, saímos novamente pra passear, coisa que fazemos todo final de semana, haja visto que ele trabalha em outro estado e só volta pra casa na sexta feira a noite ou no sábado, e quando está de plantão, então viajo eu pra lá (Paraíba).
Hoje resolvemos ir pra escada,  outra cidade aqui próxima a Recife, e quando passávamos logo após a cidade do Cabo, um pouco antes de chegar a Charneca, vi do lado esquerdo da pista um cavalo machucado, ele estava em pé, mas a pata esquerda dianteira dele, estava com sangue e ele a mantinha levantada, de longe eu percebi. Quis parar, meu esposo disse que não, pois eu não poderia ajudar e de certa forma era perigoso. Me desesperei, queria ajudar e não sabia como. Liguei pra o 190, expliquei a situação e a moça  me informou que não poderia dar nenhuma referência de ajuda, já que estava fora de Recife, nisso a ligação caiu. Tentei retornar não consegui. Tentei a Polícia rodoviária também não consegui completar a a ligação. Tentei então Dr: Sérgio, veterinário das minhas gatinhas, mas foi em vão. Eu nada conseguia, só dava fora de área, e ainda dizia que só ligações de emergência, mentira, pois nem isso eu consegui. Três operadoras e em nenhuma foi feita a ligação que eu precisava. Comecei a chorar... Me senti pequenina diante daquele problema. Meu esposo se irritou eu o olhei e demonstrei todo o desprezo que ia na minha alma naquele momento, e apenas respondi que era por isso que o mundo era aquela desgraça, pois as pessoas não se compadeciam nem do seu semelhante, que dirá dos animais. 
Ai lembrei a ele do caso que recentemente eu havia visto na televisão, onde uma mulher espancava um cãozinho, e eu falei pra ele:"Se eu pegasse essa mulher eu faria a mesma coisa com ela, como se eu pegasse o dono daquele cavalo, quebraria a ´perna dele pra ele saber que bicho precisa ser cuidado, ele me respondeu que eu seria presa e eu falei que no Brasil, vergonhosamente só existe justiça quando a mídia está por trás, e que eu não me importaria de entrar numa delegacia e até ser presa se fosse defendendo um animal, pois animal na verdade são essas pessoas que se acham humanas, mas que  não passam de animais bestiais, pois até que é uma ofensa aos pobres animais chamar certos seres (infelizmente humanos) de animais.
Meu esposo se irritou outra vez, mas depois de poucos minutos tentou me agradar, e me disse que infelizmente essa é a nossa realidade, ele se importava com os animais sim, só que  ele nada podia fazer, ao menos dessa vez. Mas o meu domingo estava perdido. Voltei pra casa chorando, mais uma vez me vi de mãos e pés atados, sem poder ajudar quem naquele momento tanto precisava. Meu esposo ainda tentou justificar a dificuldade de encontrar ajuda por ser domingo. Eu apenas fiquei sem saber o que fazer diante de mais um momento onde eu pude perceber a fragilidade de quem realmente se importava com um animal que nada faz além de ajudar o homem.

ADEUS AMOR



Adeus amor... De ti estou a desistir
sofro muito, mas isso já não importa
Já que o teu amor não vou mais sentir
E nada mais encontro que me conforta


Quantas vezes pelas frias madrugadas
Irei sentir a tua ausência mais forte
Não verei  a beleza das noites enluaradas
Apenas ouvirei o som de tristeza e morte


Tentarei não sucumbir de tristeza e solidão
Já que não te afastarei dos meu pensamentos
Pela vida à fora trarei amargura no coração
Pois farei desse idílio meu maior tormento


Como esquecer essa tua voz rouca e sedutora?
Como não lembrar tuas mensagens de carinho?
Foste um instante de amor e paixão avassaladora
Que o destino permitiu que atravessasse meu caminho


Nunca mais poderei sentir as tuas carícias
Nem o calor do teu corpo no fogo dessa paixão
Não lerei mais tuas mensagens de malícias
Nem ouvirei tua voz inundando meu coração







quinta-feira, 19 de abril de 2012





Olá a todos!


Perdoem-me a ausência de postagens, mas estou escrevendo um livro-reportagem para a faculdade, o que me tem tomado todo o tempo, e ainda faltam três capítulos, e tenho praticamente duas semanas para concluir. O que acontecerá até mais ou menos  na primeira semana do próximo mês(maio/2012). Na certeza de ser compreendida, agradeço a atenção de todos.
Um grande abraço. 
                              Gil Ordonio

quarta-feira, 18 de abril de 2012

DE VOLTA AO PASSADO CAP : II





"- Anny, será que se eu lhe contasse algo você se chocaria?
- Acredito que não Bernard, todo esse tempo você foi para mim o pai que eu não tenho, um pai moderno, amigo e protetor, tenho por você muito carinho e respeito, não conheço ninguém que me proteja e respeite tanto quanto você.
- É verdade, eu a respeito muito e admiro a maneira profunda doce e coerente de você agir, pensar e falar, talvez por isso a minha admiração tornou-se mais forte e mais sublime, essa admiração com o tempo se transformou em amor... amor de um homem por uma mulher..."



CATEGORIA: ROMANCE

CONTINUAÇÃO

CAPÍTULO II


O dia estranhamente amanhece nublado, até parece que a natureza está sendo solidária com Anny, que calada guarda para si suas dores... Seus tormentos...Suas aspirações mais improváveis. Ela sente que se pudesse jamais teria saído de Recife, pois essa parte da história ela gostaria de continuar vivendo, e assim ela não teria deixado Adolfo para trás.

Dessa vez não houve dificuldades para ela conseguir uma vaga num colégio público. Ela se matricula no Colégio Industrial, um pouco longe da sua casa, porém era o único que conhecia. Iria estudar à tarde e teria como companheira de caminhada, Nilda, que era irmã caçula da sua madrinha e que estudava no mesmo lugar, apenas em salas separadas.

Início das aulas, ela faz poucas amizades, pois continuava tendo dificuldades em lidar com os garotos. Na sala dela havia uma turminha de quatro garotas comandadas pela Rosário, uma menina que pelo seu porte chamava à atenção, era um pouco desconforme para o tamanho e peso das demais.
Certa vez Rosário se aproximou da Anny e começou a insultá-la, por achar que ela queria ser melhor do que as outras, ela se incomodava com a maneira que ela falava e agia.
- Anny, você se acha mais importante do que nós não é?
- Olha Rosário, eu tento ser como todos acham que eu sou, ou o que pelo menos eu deveria ser na minha idade, porém como sou e me sinto realmente só interessa a mim.
- Nesse caso então eu devo concluir que existe algo por trás do seu modo de pensar e ser?
- Esquece Rosário, afinal não vale a pena relembrar coisas que nos magoam, mas para que não penses além do que deves, saiba que apesar do meu temperamento explosivo, dos meus quatorze anos e da minha indiferença pelo sexo oposto, sou virgem e nunca tive namorado, satisfeita?
- Desculpe Anny, eu não queria ser indiscreta, apenas confundi um pouco as coisas, mas prometo que nunca mais tentarei descobrir o que quer que seja a seu respeito.

Anny aceita as desculpas dela e põe um ponto final naquele assunto.

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No dia seguinte a Rosário chama Anny e diz que não haverá aula e convida-a para ir até o Morro Bom Jesus, pois de lá se tinha uma vista maravilhosa da cidade.
- E então Anny,vamos?

- Não sei, eu tenho medo, e se de repente acontecer alguma coisa errada?
- As vezes eu não a entendo, você não dá sossego a ninguém no colégio, e um simples convite que eu faço, você age como se eu estivesse lhe propondo participar de um crime. O que a faz ser tão medrosa?
- É muito simples de entender... Minhas travessuras são praticadas à vista de todos e não se compara ao que você me propõe, pois sair do colégio, ir pro outro lado da cidade e sem que ninguém saiba, me parece errado.

Nesse momento se aproxima delas uma garota e diz a Anny que não há o que temer, pois muitos no colégio fazem isso, inclusive ela. Mas sentindo-se insegura, ela agradece mais uma vez e recusa o convite.
Anny vai para casa sozinha, pois a Nilda vai ter aula. Enquanto caminha de volta, vai pensando na maneira de agir da Rosário e sente que há algo errado com aquela garota, que em muitas vezes deixava Anny intrigada com o seu comportamento. Outros convites vieram e ela sempre recusava, não conseguia mudar de opinião.
Um dia, enquanto voltava para casa com a Nilda, começou a conversar a respeito daquele assunto que tanto a incomodava.

- Nilda, você sabe quem é a Rosário?
Sei...É aquela menina que estuda na sua sala.
- Sabe Nilda, as vezes ela é um tanto estranha, eu demorei pra fazer amizade aqui no colégio, e quando decidi fazer, escolhi a ela, pois havia alguma coisa nela que me dava pena, mas logo mudei de ideia, pois existe algo errado com a mesma, muito embora eu ainda não tenha descoberto o que seja... Mas eu vou descobrir, pode ter certeza disso.
A Nilda fica rindo da maneira dela falar e resolve chamá-la pra irem até o local do qual a Rosário tanto falava, ela queria mostrar pra Anny que não havia nada de errado. E Nilda consegue persuadi-la e esta acaba aceitando o convite. Logo elas descobrem que não havia nada de errado com o lugar, era realmente um cenário lindo e elas observam o quadro que se estendia aos seus pés e ficam encantadas.

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- Nilda, como é linda a cidade vista daqui! É deslumbrante, que visão maravilhosa... Eu devia ter vindo a mais tempo... O que nossa vista alcança deixa em êxtase nossa alma, e olha o por do sol que coisa esplêndida.
-Pois é, mas você achava que havia algo errado no convite que Rosário lhe fazia, e por falar em Rosário, ela e a sua turma estão do outro lado, em cima do penhasco, você as viu?
- Não, eu não as tinha visto. Mas por que me perguntas com esse tom de ironia?
- Imagine, impressão sua. Mas já que estamos aqui, vamos ver se descobrimos pra onde elas vão depois?
- Tudo bem, mas eu continuo achando que seja lá pra onde elas forem ou o que vão fazer, não haverá boas intenções, principalmente da Rosário.
Nilda ri com a cisma dela... E assim, momentos depois elas vêm as meninas saindo e resolvem segui-las discretamente. E qual não é a surpresa delas ao verem a turma se dirigirem para a catedral.
- Anny, acho que me deixei contagiar cedo demais por suas observações, pois bem como podemos ver, elas estão indo rezar.
- Elas estão indo rezar ou estão indo atrás do padre?
- Meu Deus quanta maldade! Você nunca foi assim.
- Veremos, eu tenho mania de não errar em minhas intuições, vamos dar tempo ao tempo.

Outros dias aconteceram dela sair com Nilda para repetirem o passeio, e várias vezes, elas perceberam a razão principal dos passeios da Rosário. Ao final daquela visão maravilhosa, Rosário chamava as meninas pra irem pra catedral rezar, porém numa dessas vezes Anny também foi com a Nilda, sendo que Anny queria conversar com o padre. Ao chegarem lá, viram as meninas rezando a ela deixa Nilda fazendo o mesmo e se dirige para o salão paroquial, e surpreende o padre falando com Rosário. Ele a criticava por suas atitudes e investidas descabidas, pois a mesma o perseguia e isso estava se tornando muito constrangedor, ele afirmava ser padre por vocação e nada o desviaria da sua condição, esse era um chamado de Deus, e insistia para que ela fosse fazer penitência e pedisse perdão a Deus por tão grave pecado. Chocada Anny sai em silencio com medo de ser descoberta... Ela sabe que errara

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muito ao ficar ouvindo conversa dos outros, mas isso tudo só mostrava que ela não se enganara a respeito da Rosário.
Nunca Nilda soube de nada, este seria um segredo que a ela nunca revelaria a ninguém. Mas Nilda fica desconfiada que a amiga devia ter descoberto qual o motivo daquela aversão pela Rosário, e isso desde aquela última vez que foram até o Morro.
Os dias continuam a transcorrer sem novidades até que o professor de artes pede pra Anny que vá até a marcenaria pegar emprestado uma régua. Ela se dirige pra lá, ao chegar encontra tudo fechado, nisso ela ouve barulho lá dentro, abre a
porta do imenso salão e fala:

- Olá! Tem alguém aí?
- Sim. – Responde uma voz.
Ela se dirige ao rapaz.
- Por favor Darley, o professor Campos mandou pedir emprestado a régua de um metro.
- Claro Anny, aqui está, pode levar.
Ela se aproxima e ao tentar pegar a régua se vê brutalmente agarrada pelo repaz.
- Pelo amor de Deus, o que você pensa que está fazendo, ficou louco?
- Sim...Estou louco sim, mas por você e agora eu vou por fim a essa sua arrogância, você gosta de nos olhar com ar de superioridade, quero ver se quando eu terminar de fazer o que pretendo, essa sua mania de nos olhar de cima vai continuar, principalmente comigo.

Nesse exato momento o professor de inglês, Bernard entra no salão e corre em socorro dela, e esta após passado o momento do pânico pede ao professor que não castigue o Darley, pois ela não gostaria de tornar público aquele constrangimento.
- Por favor Bernard
- Tudo bem Anny, será como você quer... Mas quanto a você mocinho, está suspenso por destruir material do colégio.
E assim dizendo, pega a régua e a quebra e se vira para ela e diz;
- Vá, e diga ao professor Campos que a régua está quebrada.
- Obrigada Bernard. Mas me diga, como é que você ficou sabendo que eu estava aqui e precisando de ajuda?
- Eu vi quando você caminhava para cá, passei na sala de artes e perguntei por que

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você não estava assistindo aula, ai o Campos me disse que havia pedido pra você vir aqui, e como eu sabia que o Darley estava, resolvi vir dar uma olhada.
E desse dia em diante o professor Bernard que era também diretor do colégio, passou a observar o comportamento dos meninos para com ela.
Meses se passaram sem que mais nada de anormal acontecesse.
Vez por outra é abordada por algum dos rapazes, mas ela sempre conseguia contornar a situação. Continua sendo a protegida de Bernad e mesmo sendo vítima de piadas, ela não se importa, pois se sente segura.
Um dia ela esta voltando pra casa e já é um pouco tarde, o treino de voleibol havia demorado mais do que o de costume. Parecia que ia chover, Nilda começa a conversar com ela sobre amenidades, e de repente pergunta sobre as férias já estão próximas.
- Como é Anny, você viaja pra Recife nessas férias de meio de ano?
- Não sei Nilda, ainda não foi decidido nada lá em casa.
- Você não gostaria de rever o Adolfo?
- Não sei, sinceramente eu não sei, as vezes eu tenho medo.
- Mas não devia, pois eu tenho certeza que você gosta dele, de outra forma, não teria colocado o nome dele nas adivinhações que fizemos a semana passada, no dia de santo Antonio.
- Vai ver que foi falta de opção.
- Não minta, pois você só escreveu o nome dele e os outros papéis estavam todos em branco.
- Está bem, você venceu, e já que a senhorita é tão esperta, me diga por que razão o

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nome dele veio partido ao meio?
- Não sei... Vai ver que ele será seu marido pela metade.
Elas se põem a rir e a Anny por instantes fica pensativa.
Mais alguns dias que se seguem na mesma rotina. As férias finalmente chegam, e Nilda volta a perguntar a ela pela viagem.
- Como é Anny, já decidiu pela viagem?
- Infelizmente eu não vou poder ir, quem irá será a minha irmã mais velha, Danny, apesar d'eu ter me chateado, acho que está certo, pois eu já conheço muitas coisas por lá, enquanto que ela, não.
- Apesar de conformada, percebo uma preocupação na sua voz, será receios pela sua irmã ocupar o seu lugar, ou mesmo que o Adolfo possa se interessar por ela? afinal ela também é muito bonita, só não tem o seu encanto nem esse mistério que deixa os rapazes loucos por você.
- Imagine Nilda, você está pensando muita bobagem.
- É verdade, esqueça o que eu falei, não há motivos para temores, pois pelo que você me contou sobre Adolfo, ele não conseguirá lhe esquecer tão facilmente, mesmo que quisesse e nós sabemos que esse não é o caso.
- Espero que estejas certa, eu não gostaria de ver o motivo de tantos sonhos ter um fim.

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A Danny viaja pra Recife, e não volta mais pra Caruaru naquele semestre, ela fica trabalhando em Recife. A Danny, como era de se esperar torna-se amiga dos amigos dela,
O tempo vai passando sem pressa, certo dia Anny recebe uma carta do Adolfo, pois a sua irmã havia dado o endereço para ele. E esta com certeza seria uma carta sem resposta.

Ela abre a carta e vê que havia um longo parágrafo e este todo em inglês, como ela ainda não sabia bem aquela língua, pede ao professor Bernard que
traduzir para ela. Mas ele lê a carta e a devolve sem dizer o que a mesma continha, apenas um tanto quanto chateado diz para ela não mais trazer aquele tipo de carta pra ele traduzir. Ela guarda a carta e fica sem saber o conteúdo da mensagem, e também não entende a reação do professor.
O resto do ano passa sem que mais nada venha mudar a rotina da Anny.
A Danny retornou pra casa no início de dezembro. Contando como havia gostado de ter ido pra Recife. Falava entusiasmada dos amigos da irmã que também ficaram seus amigos, principalmente do Alex. E mostra pra Anny o desenho do artista preferido da Anny, que Adolfo havia desenhado para ela. Isso ele nunca pensara em fazer pra ela.
Os últimos dias do ano se aproxima sem que mais nada venha mudar a rotina da Anny, exceto por umasurpresa que chega um pouco antes do natal.
- Carta pra você Anny.
- De quem é mamãe?

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- O remetente é Adolfo.
- Abre logo Anny, vamos ver o que ele diz, estamos curiosas
- Abra você Danny, já que está tão interessada.
Ela se retira da sala furiosa, mas não demonstra, já que ela não quer que ninguém perceba o que ela realmente está sentindo e triste começa a pensar, que ela queria ter recebido aquela correspondencia sem ninguém por perto, e haveria de lê-la sem a preocupação de esconder a sua euforia, e depois iria responder com muito carinho. Mas agora ela não teria coragem de fazê-lo, nem mesmo saberia como retribuir o cartão de natal que acompanhava a carta..

Não... Ela não queria ser motivo de gozação pra ninguém. Não, o melhor será fazer de conta que nada recebera. Embora sabendo que gostaria de dizer ao Adolfo que apesar de tudo... Apesar dessa fingida indiferença, o que ela queria mesmo era estar juntinho dele, quem sabe desfrutando dos seus carinhos mesmo que não conseguisse retribuir.
Ela volta para a sala e pega o cartão que o Adolfo mandou. Lê e ama cada palavra, e resolve que é melhor não responder, acha mais seguro ignorar a saudade que atormentava seu coração, e ele jamais imaginaria como havia sido difícil aquela aquela decisão. Magoada ela resolve por um fim a todas as lembranças, principalmente a tudo que recordasse o Adolfo.



Mais um ano que se inicia. Anny retorna para o colégio, para a mesma turma, mas com o passar de alguns dias, um fato ocorreu que a faz mudar de rumo.
- Fala orgulhosa! - Exclama o Amadeu.
Amadeu era um rapaz que ela já havia reparado, principalmente pelas provocações desde o ano anterior. E o mesmo estava acompanhado do Darley, e continua:
- Vem cá beleza, não se faça de difícil.
- Não sei por que você age assim, nada fiz para ser tratada desse modo.
- Ora Anny, eu vivo provocando-a na quadra, já cheguei a machucá-la por gosto e mesmo assim você não dá a mínima. Qual é garota, acha-se melhor do que as outras?
- Amadeu,é melhor você parar com isso, o queridinho dela já vem vindo em seu socorro.
- Problema meu Darley... Cai fora.
Ela se vira e vê o Bernard se aproximando.
- O que é que você dá a ele que ele te protege tanto?
Ela cala diante de tanto veneno, e ela sabe que o Amadeu é apenas mais um entre tantos que vê maldades na atitude do professor, quando na realidade ele apenas tenta protegê-la.

- Algum problema Anny? estão lhe incomodando?
- Não professor, está tudo bem.
O professor passa os braços pelos ombros dela e a leva para a sala de aula.
- Professor, por que você sempre está chegando nas horas certas? apesar de ser bom pra mim, o pessoal já está falando, não quero que em sua bondade venha a se prejudicar por minha causa.

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- Deixe que falem, se lhe protejo, é por achar que você está precisando... Você é diferente das demais, aliás você me fascina com esse jeitinho de menina-mulher, as vezes rebelde, em outras carente, ou então misteriosa, porém o que mais me encanta é o seu interior.
Ela fica a pensar no que acabara de ouvir e não consegue ver maldade naquelas palavras e muito menos nas atitudes dele.
O Amadeu continua a persegui-la, ela até relaxou com os treinos de voleibol, para não ter que ficar mais tempo próxima dele. Certo dia ela larga mais tarde e como a Nilda não tinha vindo, ela resolve ir por um atalho, era um pouco esquisito, mas gastaria a metade do tempo para chegar em casa e ela não queria que escurecesse ainda na rua. Ela sai caminhando rapidamente sem olhar para trás, ela nunca achava necessário esses cuidados já que o Sandro nunca saia de Recife. Quando ela pára pra tirar os sapatos, pois ia atravessar um pequeno regato de águas cristalinas, ouve a voz do Amadeu.
- Satisfeita em ter a minha companhia Anny?
Ela se vira e fica aterrorizada. Ele com os olhos vermelhos e cheios de ódio pergunta:
- Algum professorzinho para defendê-la?
E como um louco se põe a rir e continua falando.
- Vamos ver quanto de pureza existe em você, ou será só a carinha de gata dengosa? e ai Anny, está gostando da minha presença... Vai ser boazinha com o Amadeusinho?
Desesperada ela olha em volta e só vê matagal, imediatamente se lembra do velhinho e da sua maldita profecia. Ele olha pra ela e percebe o quanto ela está amedrontada, relaxa a guarda e seguro de si se abaixa para por os livros no chão, e ela não perde tempo, sem que ele suspeitasse, ela se aproxima e empurra-o com violência, sem esperar, ele perde o equilíbrio e cai, ela aproveita e sai em disparada atravessando o córrego calçada, ela sabe que terá uma chance pois ele não vai querer molhar os sapatos. Ela sai correndo e ouve as frases obscenas dele. Coisas horrorosas ele dizia que ia fazer com ela. Ela corre cada vez mais, pois sabe que ele logo irá alcançá-la. Nesse momento ela sai do matagal e vê uma pracinha mais adiante, ofegante procura um

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banco, senta e fica a olhar as pessoas que estão por ali, são poucas... Algumas crianças brincando e alguns adultos tomando conta. Sente-se em segurança. Logo em seguida o Amadeu chega, senta ao lado dela e fala:
- Hoje você escapou sua ordinária, mas não pense que terá a mesma sorte da próxima vez... Eu farei com que se envergonhe até mesmo de se olhar num espelho. Até hoje garota nenhuma me desprezou e você não será a primeira... O preço cobrado será muito alto, duvido que queira pagar... Mas cobrarei.

Ela o vê se afastando... Espera um pouco e sai em direção da sua casa,caminha apressadamente, e apesar dela não contar o ocorrido a ninguém, sente-se envergonhada e suja ao relembrar tudo o que ele lhe dissera. Após passar a noite sem dormir, chega a uma conclusão, que logo trataria de por em prática.
Ao amanhecer, ela levanta... O canto dos pássaros anuncia a beleza de mais um dia ensolarado. Ela chega a janela e olhando para fora vê o movimento das pessoas que estão indo para o trabalho. Ao longe um sino toca chamando os fiéis para a missa. Um cheiro suave de rosas invade o quarto dela, aspira aquela essência e volta a pensar em sua decisão.
À tarde ela vai para o colégio e procura o professor Bernard, pois ela vai precisar da ajuda dele para realizar o seu intento.
- Boa tarde professor, eu preciso muito da sua ajuda, você tem um tempinho pra mim?
- Claro minha filha, do que se trata? seja lá o que for pode contar comigo, pois eu tudo farei para e por você.
- Bernard, eu preciso fugir do mundo e a maneira mais simples será indo pra um convento, e eu tenho certeza que você poderá me ajudar.
- Mas por que convento Anny?
- Eu estou muito chocada e magoada com certos tipos de gente, e o que eu mais preciso nesse momento é de paz, e essa paz talvez eu encontre enclausurada.

- Não há nada que eu possa fazer para que mudes de ideia?
- Receio que não Bernard... eu não tenho mais ninguém a quem recorrer, me ajude por favor.
- Está bem Anny,vou lhe dar o endereço de um convento, você vai escrever pra lá e eu

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vou telefonar reforçando seu pedido, e se tudo der certo, me procure, por favor.
- Eu o procurarei, e se não for pedir muito, me proteja até o dia da minha partida.
- Então é pelo que eu estou pensando que você quer ir embora Anny?
- É Bernard, não me deixam em paz, tenho sido perseguida e ameaçada, sem falar nas humilhações pelas quais eu tenho passado.
- É uma pena Anny, Mas eu punirei esses covardes, basta você você falar quem são.
- Não professor, é melhor que não, afinal não adianta muita coisa, pois com certeza outros virão.
Ela continua indo pro colégio enquanto aguarda uma resposta do convento. O Bernard tem virado a sombra dela, o que aumenta ainda mais os falatórios, porém o que mais a atemoriza ainda é o Amadeu. Ela passou a andar por um lugar mais longe para voltar para casa, ela anda muito, pois atravessa quase toda a cidade e sempre sai mais cedo, nunca espera terminar a aula e o voleibol ela abandonou definitivamente. A sua mãe, a d. Rejane pergunta a ela o por que de um desvio tão longo, ela responde que os meninos são muito moleques e vivem aborrecendo-a e ela indo pela cidade sempre tem companhia de algum professor.
Uma semana depois recebe resposta do convento. Ela aguarda ansiosa pela hora de ir pro colégio, ela quer mostrar ao Bernard que conseguiu o que tanto queria. Ela fica pensando na mãe, pois quando mostrara a carta, a d. Rejane lhe pedira que desistisse daquela ideia, ela tentava mostrar a filha que ela era muito nova e não achava certo vê-la se enterrando num convento, mas a Anny continuou firme em sua decisão.
- Professor, eis a resposta à minha carta, estão me esperando, eu só preciso da minha transferência. Elas dizem que ficaram muito satisfeitas com as referências dadas por você. Obrigada professor.
- Não tem que me agradecer, antes de ir pra casa, passe por aqui que eu vou providenciar a sua transferência, pois como hoje é sexta-feira, só teremos expediente na próxima quinta-feira, devido o feriado de carnaval. Já que nada poderei fazer para impedi-la, vou agilizar a sua partida, no que depender de mim.
- Ficou bravo comigo Bernard?
- Não Anny, apenas eu não concordo com essa sua decisão, acredito que deve haver uma

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outra maneira de resolver isso tudo.
- Infelizmente eu acho que não, eu pensei muito antes de tomar essa decisão.
ele a olha profundamente com aquele jeito que lhe é peculiar e fala carinhosamente com ela.
- Anny, será que se eu lhe contasse algo você se chocaria?
- Acredito que não Bernard, todo esse tempo você foi para mim o pai que eu não tenho, um pai moderno, amigo e protetor, tenho por você muito carinho e respeito, não conheço ninguém que me proteja e respeite tanto quanto você.
- É verdade, eu a respeito muito e admiro a maneira profunda doce e coerente de você agir, pensar e falar, talvez por isso a minha admiração tornou-se mais forte e mais sublime, essa admiração com o tempo se transformou em amor... amor de um homem por uma mulher, me perdoe Anny, pois eu sei que você é quase uma criança e que hoje não entenderá o que estou dizendo, e espero sinceramente quando um dia descobrires o significado desse sentimento, consigas compreender-me e perdoar-me. Eu espero que sejas muito feliz e se um dia ainda precisares de um amigo sincero, me procure sem receios. Agora, eu acho melhor você mais tarde ir até a secretaria pegar seu documento, deixarei lá, não quero tornar a vê-la... Dói muito.

Ela sai cabisbaixa e sabe que guardará para sempre o derradeiro olhar daquele que sempre fora seu melhor amigo.
Dois dias depois ela embarca para o Recife, mesmo a d. Rejane insistindo para que ela só fosse depois do carnaval mas foi inútil, ela tinha pressa em se esconder de tudo e de todos. Durante a viagem, ela lembra que está indo mais uma vez para a cidade do Adolfo, só que desta vez será diferente, ela se manterá recolhida em um mundo totalmente contrário ao dele.

Após duas semanas que ela está no convento, o seu tio, o Neto vai buscá-la para passar um fim de semana na casa da D. Rita, é a única pessoa que tem permissão no convento para visitá-la ou sair com ela.
- Anny, o que deu em você para tomar uma atitude dessas? - Pergunta-lhe o Neto, e continua: -Ninguém quer acreditar quando contamos.
- É que ninguém se viu numa situação difícil como a que eu tive que enfrentar.

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- Mas você está gostando do colégio?
- Sim, muito embora eu já tenha descoberto que onde quer que eu vá sempre tem quem me incomode.
Assim que ela chega a casa da d. Rita o Adolfo aparece.
- Anny estou muito feliz em revê-la, eu pensei que isso nunca mais ia acontecer, e ao mesmo tempo me sinto infeliz, é que você resolveu ser freira, espero que isso não seja verdade, pois caso contrário eu irei ser padre.
Ela acha engraçado o que ele acaba de dizer, ela estranhamente se sente feliz, pelo menos uma coisa boa na sua vida, ele não a esquecera. Continuam conversando, ele quer saber dela o motivo pelo qual nunca teve resposta das cartas que ele escreveu. Ela procura responder com sinceridade,pois sabe que ele terminará por compreender e não ficará magoado. Nesse momento o pensamento dela fica dividido... Ela gostaria de não sentir essa necessidade de se esconder do mundo e poder curtir a vida ao lado do único garoto que conseguira despertar a sua atenção de maneira um tanto quanto estranha e inquietadora... Perturbadora mesmo. Nesse momento ele interrompe os pensamentos dela perguntando pelo Osmar, o qual ele considerava seu maior rival. Ela ri e responde que nunca mais o tinha visto, nem mesmo havia tido notícias dele ou de qualquer outro, pois o seu mundo era muito pequeno para caber tantos rapazes. Ele não gosta da resposta, mas ao olhar para ela compreende que ela estava brincando.
O final de semana da Anny foi bastante movimentado. Os garotos viviam constantemente a procura dela para tentarem fazer ela mudar de ideia, apenas o Adolfo aceitara e sofria calado por não ter idade suficiente, nem estrutura emocional para arrancar a sua amada daquele mundo que ele não conseguia penetrar.
No convento onde a Anny estava vivendo tinha um colégio ao lado, e que fazia parte do
convento, era lá que ela estudava, só que o dilema dela teve início desde os primeiros dias de aula, pois os meninos não a deixavam em paz, uns faziam gozações das roupas dela, e outros iam mais além, e ela desolada vê o seu drama recomeçando. Sempre era encurralada nos corredores do colégio e passou a ouvir cantadas imorais. A vergonha a impedia de contar o que estava acontecendo e assim ela viu o seu tão
sonhado sossego ir por corredor à fora, como diria a sua mãe... Ir por água abaixo.



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Certa noite ela estava saindo do banheiro em uma minúscula camisola e deu de cara com a madre superiora, esta ficou olhando para ela e começou a elogiar as sua pernas, pois ela as havia achado lindas. Algo até normal, se não se tratasse da Anny que vivia cismada com todo mundo.
Semanas depois a Anny resolve deixar o convento. De imediato o seu tio Nestor a convida para voltar para a casa dele, ela aceita e passa a procurar uma casa para a mãe dela, pois o seu Nestor decide que o melhor é trazer a irmã para morar perto da família. Semanas depois o Tio dela, o Neto encontra uma casa. É providenciada a mudança e a Anny passa a viver com a mãe e os irmãos.
E é nesse ano. que ela modifica totalmente a sua maneira de viver, passa a estudar a noite e trabalhar durante o dia. Ela ainda está com quinze anos, continua muito bonita, provocante e misteriosa. Seu tempo torna-se mais curto e ela passa a ir menos a praia, o que a afasta ainda mais do Adolfo, o que era um suplício para ele, já que continuava tão apaixonado quanto antes. Ele ainda tentava descobrir onde ela morava, mas sem nada conseguir, ela havia pedido a d. Rita que não desse o endereço para o Adolfo, e eles haviam atendido.
Semanas depois, o tio da Anny, o Sandro volta a entrar em cena. Ela fica desesperada e decide ser hora de arrumar um namorado, pois ela tem esperança de que o Sandro a deixe em paz, principalmente se o rapaz for bem mais velho que ela, e ela tinha a vantagem de que um homem maduro saberia se comportar conforme a vontade dela. E assim a Anny começa a namorar um rapaz dez anos mais velho que ela, morava perto da d. Rita e já andara paquerando ela, e tinha por certo que o mesmo jamais teria ataques de paixão, e ele sabia que ela era um pouco complicada, e ele representaria a segurança que ela precisava.
Mas logo o Adolfo fica sabendo, e revoltado diz pra d. Rita que nunca mais iria querer ver a Anny, que pra ele, ela havia morrido. Quando a Anny soube achou graça e pensou que se conversasse com ele o faria compreender, mas foi pior, ela não a quis ouvir, lhe disse alguns desaforos e se foi e ela compreendeu que provavelmente passaria muito tempo sem vê-lo, e talvez nem o visse mais.
Ela deixou de ir a praia, continuou estudando e em poucos meses deixou o emprego.

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Nunca mais ouviu falar do Adolfo... E quando menos o Nielson espera, ela termina o namoro, sem entender, já que ele sempre se portara dignamente, ele se vai entristecido. E assim mais um episódio da vida dela que fica para trás. O ano termina, ae ela aproveita para ir para a casa da avó, a d. Catarina, que morava num interior não muito distante de Recife, em Camocim de São félix. Foram dias maravilhosos já que a avó sempre fazia os gostos da neta, sempre participava das peraltices dela, pois a neta nunca parava quieta, e olhe que em várias ocasiões a avó virava uma criança participando das façanhas da dela.
Um dia Anny amanhece doente, e a d. catarina deixa a neta aos cuidados do avô, o seu Joaquim, mas ele foi um pouco desrespeitoso com a Anny, e ela sai de casa desesperada pensando no que poderia ter acontecido, sai caminhando e pára na pista, nesse momento ela sente que a visão lhe falta. Esse era um problema que ela tinha quando se achava em grandes dificuldades, outras vezes isso havia acontecido, e sempre era quando ela entrava em choque por alguma razão que lhe deixava em pânico. Nisso ouve a buzina de um ônibus, dá com a mão e o ônibus pára, como ela continua no meio da pista, o motorista pergunta se ela quer morrer. Ela diz que precisa de ajuda, um rapaz desce do coletivo e a ajuda a subir, antes porém, ela contara rapidamente o que acontecera, o moço diz que ela não se preocupe, pergunta pra onde ela quer ir, a mesma responde que precisa ir pra Recife, e informa que o ônibus passará em frente a empresa onde um tio dela trabalha, o seu Nestor, o rapaz diz a ela que não se preocupe que estará segura até chegar aos cuidados do tio. O desconhecido assume a responsabilidade diante do motorista e a viagem prossegue.
Ao chegar em Recife, ela diz a empresa que o tio trabalha e quando chega em frente à fábrica, o rapaz pede ao motorista que espere, leva ela até a portaria, o seu Nestor é chamado, agradece ao rapaz e este se vai, o seu Nestor diz a Anny que o rapaz está acenando, ela corresponde e em seguida é levada para a clínica pelo seu tio. Ao chegar o neurologista a deixa internada em observação após ter sido medicada. Horas depois a visão dela retorna, recebe alta e o tio a leva para a casa dela. Ao chegarem em casa o seu Nestor pergunta pra sobrinha se o Sandro estava no interior, ela responde que não, que nada acontecera, apenas ela havia esquecido o dinheiro da


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passagem. O tio observa bem a sobrinha e diz:
- É muito estranho Anny, pois como é que você sabendo que vai viajar, e sai de casa sem dinheiro e sem bagagem? é realmente muito estranho, mas por hora vamos deixar isso pra lá, num outro momento retornaremos a esse assunto.
E assim, inesperadamente, como inesperado era tudo o que ela fazia, ela resolve fugir... Fugir do tio, do avô, dos homens e de sua vergonha. e assim no dia seguinte ela arruma as suas coisas e parte para o interior, pois seus documentos, dinheiro e o restante dos seus pertences estão na casa da sua avó, e ao chegar lá ela procura a ajuda de um amigo, o Valdo, que a princípio discorda, mas conhecendo a Anny, sabe que se ele não ajudar ela provavelmente fará tudo sozinha, o que será bem mais difícil e perigoso. Ele a esconde em sua fazenda, e ela fica aguardando o momento de entrar na casa da d. Francisca para pegar suas coisas, e numa segunda-feira, quando todos haviam saído de casa pra irem à feira, a Anny pegou a chave, entrou, arrumou tudo o que lhe pertencia. Voltou à fazenda e agradeceu ao Valdo e se pôs no mundo, em busca de carona com destino a são Paulo.
Foi muito difícil chegar ao destino escolhido, mas mesmo assim, ela conseguiu o seu intento, teve ajuda de alguns policiais rodoviários, sempre contando a sua história, sem nunca esconder o que tanto a deixava aflita, mas o bem superou o mal e ela enfim chegou sã e salva. Foi difícil, mas ela contou com a bondade de pessoas que ainda têm respeito pela dor do semelhante.
E durante meses ela permanece em São Paulo, longe de tudo que ama e longe de todos a quem tanto queria.
Certa noite ela estava pensando no dia em que chegou a São Paulo,havia procurado abrigo em uma igreja e no dia seguinte arrumaram um lugar pra ela , e era onde estava até aquele momento. Ela fora parar na casa de uma família, onde morava um casal de irmãos, já de certa idade, o seu Paulo e a d. Emília e ela ficara ali para fazer companhia a eles. Todos os dias pela manhã a empregada deles chegava e passava o dia todo, indo embora após o jantar. Anny sabia que havia tido muita sorte ao ser acolhida naquela casa. De repente ela sente uma saudade imensa de tudo que deixou pra trás, nunca dera notícias a ninguém, e já fazia muitas semanas que tudo acontecera...

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Uma dor aguda parece furar-lhe o peito e ela vê a saudade se transformar em dor física. chora amargurada toda a sua mágoa, sua dor, seu desespero. Tão jovem, quase dezoito anos, e já tão sofrida, tão incompreendida. Pensa no Bernard que nunca mais irá ter notícias dela. O Adolfo surge de repente em seu pensamento para atormentá-la ainda mais, pois ele representava tudo o que ela sempre quis e não compreende por que nunca aceitou. Debruça por sobre o travesseiro e se abandona àquele sofrimento descomunal que tão cedo fere-lhe a alma rasgando seu inocente coração.
Seu pranto desolado é escutado pela d. Emília que bate à porta do quarto dela e antes que ela fale alguma coisa ela entra e se aproximando dela sente dó ao presenciar tanto sofrimento e fica mais desolada ao saber que tudo é saudade do que ela havia deixado pra trás. D. Emília tenta consolá-la e no dia seguinte já vai pensando num modo de distraí-la, o que ajudou muito a aliviar o sofrimento dela. Nesse meio tempo Anny conhece um rapaz, o Pedro,e começou a namorá-lo, só que com um mês ele propõe casamento a ela, e mesmo não gostando dele ela aceita, pois pensa que irá se livrar do inferno que tem a sua vida. No dia seguinte escreve uma carta pra d. Regina, pedindo que a mãe mande a certidão de nascimento dela pois pretende se casar, mas a resposta que chega não é apenas da mãe, mas de todos que são contra aquela loucura, principalmente o padre Bruno e o padre Antonio, então nesse momento ela lembra daquelas duas criaturas que eram como se fossem seu pai, e que ela nunca pensara em procurá-los num momento tão desesperador como o que ela havia passado. Na carta deles, eles falavam pra ela que casamento é uma coisa muito séria e não uma forma de fugir de problemas, ao contrário, nesse caso representava um problema muito maior.
Anny resolve acatar os conselhos. a mãe dela escreve para uma família amiga que mora em Santo André, e logo o Juarez vai pra Ribeirão Pires buscá-la, pois era lá que a d. Emília morava. Mas a Anny passa pouco tempo lá, ela escreve para o major Fred, amigo da família e que morava em Recife. Conta tudo o que está acontecendo e o que já acontecera, desde a última vez que tinham se visto. Ele entra em contato com um amigo, um compositor, o Bernadino da Silva, este arruma um lugar pra ela, e na semana seguinte o major Fred chega ao Rio de Janeiro, arruma um emprego pra ela e no dia

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seguinte vai embora recomendando-a ao amigo. Ela logo conquista a amizade de todos que passam a cuidar dela como se fosse uma pequena desprotegida. Com o passar do tempo ela conhece um rapaz, o Lídio Junior, que era compositor e também era de Recife e através dele veio a conhecer a d. Lídia, viúva de um almirante, e a bondosa mulher gostou muito da Anny. E todos que a vão conhecendo vão se sentindo atraídos, por aquela menina-mulher querendo saber o que se esconde por trás daqueles belos olhos verdes... De um olhar inocente e ao mesmo tempo tão misterioso. A d. Lídia convida-a para morar na casa dela, já que com ela só morava um filho, pois a filha havia casado. Aos poucos ela foi se adaptando a nova moradia, mas a sua tranquilidade logo foi ameaçada, ela passou a ser perseguida pelo Rafael, o filho da d. Lídia. E quando menos se espera a Anny anuncia que está de partida. Ela está com medo pois o Rafael lhe dissera que não adiantava ela ir embora, pois o Rio seria pequeno demais pra ele procurá-la e encontrá-la, é claro.
-Anny, a Tina me falou que você vai embora, o que aconteceu? será que eu a ofendi querendo saber o que há por trás dessa carinha triste?
- Não aconteceu nada, eu ia lhe dizer, já faz mais de um ano que eu saí da minha terra, é chegado o momento de voltar... Estou com muitas saudades.
- Sabe Anny, as vezes seu jeito me assusta, ontem à noite eu passei pela porta do seu quarto e a ouvi chorando, perguntei-lhe se precisava de ajuda e você disse que não, respeitei a sua vontade pois senti que você não queria ser incomodada, e agora você diz que vai embora, e eu nem ao menos sei quem você é, não tive a chance de lhe conhecer, que tal uma oportunidade de sermos amigas ao invés de protegida e protetora?
- Não posso d. Lídia, o momento de deixar o pouso chegou, agradeço-lhe o carinho, a proteção, mas preciso ir, não me tome por ingrata, se eu pudesse eu ficaria.
- Está bem minha filha, só espero que tenha muita sorte e continue a ser exatamente como você é. Mistério em mulher bonita vira magia.
Ela ri e se despede da d. Lídia. Está tudo pronto e é preciso sair antes que ela conte que na noite anterior estava chorando por causa do filho dela e que tem medo de voltar a encontrá-lo.
Quando ela esta descendo as escadas, após passar rapidamente pelo corredor, com

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receio que ele estivesse no quarto, ela depara com a cara cínica dele ao pé da escada a olhá-la com desdém.
- Vai embora Anny? a mamãe estava me falando que não conseguiu fazê-la mudar de ideia, e me pediu que tentasse. Mas eu acho que você está fugindo de mim, acertei? Deixa de ser boba, afinal o que custa ser boazinha comigo? você sabe que eu estou louco por você.
- Não Rafael, eu não suportaria ser tocada por um canalha como você, e espero sinceramente nunca mais tornar a vê-lo.
Ele se aproxima ameaçador. Nesse momento a Tina, a bondosa cozinheira da família se aproxima e avisa que o táxi está esperando. Ela não aceitou que a d. Lídia a acompanhasse e ficou muito nervosa quando ela sugeriu que o filho a acompanhasse até a rodoviária. A recusa da Anny havia sido por não gostar de despedidas.
- Adeus Tina, e obrigada por tudo.
Adeus minha querida, faça uma boa viagem e se cuide, pois o mundo está cheio de animais vestidos de homem.
Quando a tina acabara de falar olhara para o Rafael, este saiu ignorando o comentário.
Após a despedida, ela parte, ela sabe que o momento mais difícil da sua complicada existência está para acontecer.
Já no ônibus ela fica pensando nas palavras do Rafael, pois quando ela se aproximara do táxi ele surgiu pelo outro lado do jardim.
- É muito fácil pra você por a culpa em mim Anny, mas foi você que um dia olhou nos meus olhos e deixou o inferno do desejo na minha alma, e agora recua, é fácil realmente... Muito fácil, mas o seu olhar queima como uma brasa, sabia disso doçura?
- Vá pro inferno Rafael!
Ela já escutara isso outras vezes, mas nunca se importara, agora porém ela terá uma preocupação a mais, não olhar os homens nos olhos. E de imediato ela se recorda do velhinho e da sua maldita profecia, e logo lhe vem a mente as palavras de frei Aguinaldo, ele a conhecia desde menina, e lhe dissera certa ocasião.
- Anny, nunca olhe os homens nos olhos, pois apesar de toda inocência que o seu rosto
espelha, os seus olhos refletem algo bem diferente. Quando você encara um homem, você transmite um mundo de promessas de luxúria, você transpira volúpia e não há um só homem que resista, a não ser que este a conheça interiormente... Profundamente, todos se sentem

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atraídos por você. É como se você fosse um imã, não há um só homem que tendo sido desnudo por esse olhar não se sinta atraído de maneira quase irracional. Você pode ser um templo de pureza, mas seu olhar é um verdadeiro convite ao prazer, eles parecem incendiar a alma dos homens, você não imagina o que já escutei em confissão.
Desolada por essas lembranças ela resolve que ao chegar em Recife terá uma vida bem diferente. Será mais fechada e não irá fazer novas amizades, talvez conserve algumas do passado.

Ela volta pra Recife disposta a não mais fazer amigos,apenas tentaria conservar alguns poucos que ela tinha, e entre eles estavam os padres, Bruno e Antonio, e assim que chegou a Recife foi direto para a casa deles. E após atirar-se nos braços daquele que sempre fora um amigo leal, mas que ela nunca se lembrara dele nos momentos mais difíceis, ela chora ao receber nesse abraço, muito amor, sinceridade e confiança. Ela olha-o nos olhos e pergunta:
- Bruno, você sabe por que eu fui embora?
- Não minha filha, muito embora quando eu e o Antonio escrevemos para você, afirmávamos a certeza que você não havia feito nada condenável, que acreditávamos haver um culpado, e que por razões que desconhecíamos, você não queria revelar o que havia acontecido de fato. Agora Anny, eu vou levá-la até a sua mãe e depois conversaremos.
- Eu tenho medo Bruno, não estou preparada para enfrentar os olhares de acusação nem as perguntas que com certeza virão.
- Confie em mim minha filha, ninguém lhe perguntará nada, e caso alguém o faça,não responda, é um direito seu permanecer calada.
Ela segue o padre Bruno, em seu íntimo já não sente receios, ele lhe infundira confiança.
Ao chegar à casa da mãe, é recebida com carinho, logo começam os preparativos para logo mais a noite fazer uma festinha de boas vindas para ela. Porém o que mais a marcou naquele dia, foi a conversa que tivera com o Bruno, onde ela desnudou a própria alma e em troca teve aquele ombro amigo que ela sempre esquecera... E o que ela tanto buscava encontrara sem dificuldades... Amor... Compreensão e bondade.
- Bruno, eu agradeço por tudo, e tenha certeza de uma coisa, eu nunca quis magoar ninguém, nem tão pouco punir quem quer que fosse, apenas eu não tive coragem para mostrar a crueldade


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da qual havia sido vítima. Sempre fui incompreendida, sempre procurei dar amor, mas em troca só tive desrespeito e humilhação, cheguei ao ponto de revoltar-me com a vida, e antes que eu me visse levada a destruí-la, sem conseguir por um fim ao desgosto que eu daria a minha família, resolvi fugir. Mas hoje eu quero dar-me uma chance, eu preciso tentar Bruno, para o meu próprio bem, e eu espero conseguir.
- Você conseguirá Anny, você é forte, sabe lutar, só precisa aprender a se defender, principalmente sem se machucar tanto. E sempre que precisar desse seu amigo,estarei aqui de braços abertos.
- Obrigada Bruno, procurarei não esquecer disso.
E assim ela resolve lutar por uma sobrevivência justa e digna e sobretudo mais humana, e a primeira providência foi riscar o nome do avô de sua vida, ela nunca mais ia querer saber dele, não ia querer ouvis desculpas... Não mais seria humilhada por ele.
E numa bela tarde de sol brilhante, ela retorna à casa da sua tia a d. Rita, antes porém ela pára na praia e fica a olhar o mar que naquele momento estava muito agitado, tão agitado quanto o íntimo dela. Ela desconhece completamente como será a sua vida dali por diante. Pensa na d. Rejane que estava tão feliz com o regresso dela, nada lhe perguntara, como se soubesse que seria muito doloroso ouvir a verdade da filha, ela sentia que haviam machucado muito Anny para ela tomar uma decisão daquela. Lembra da festinha pela comemoração do seu retorno, a alegria da mãe, do Márcio o seu irmão e das três irmãs, a Danny, a Louise e a Paula, sua irmã caçula. Volta a olhar o horizonte e começa relembrando um tempo que o destino havia deixado para trás, tempo onde não havia tanta tristeza dentro de si. Pensa no Adolfo e sente saudades... Caminhando lentamente dirige-se para a casa da tia.
- Anny minha querida! meu Deus que surpresa boa, como estou feliz em vê-la, você fez boa viagem? e as amizades, fez muitas? e o Adolfo,você já o viu?
- Calma tia. - E saindo dos braços da tia ela começa a falar.
- Fiz boa viagem, quase nenhuma amizade e quanto ao Adolfo, eu ainda não o vi, mas gostaria muito de revê-lo. Mas diga-me tia, como vai tio Diva e o Valdo, esse deve estar bem crescido.
- O seu tio está bem, daqui a pouco chega do trabalho, e quanto ao Valdo, você vai ver

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está ficando um rapazinho.
E pensar que até parece que foi ontem que a tia estava com a barriga imensa na beira da praia, e no entanto já fizera cinco anos..
- É tia, o tempo parece que voa.
- Quem sempre pergunta por você é o Aluísio, lembra dele?
- Claro que lembo, um rapaz tão sorridente, muito embora se torne sempre sério e compenetrado... O bom e querido Lula.
- Mas me diga como vai o resto do pessoal que eu conheci?
- O Marquinhos, não sei se você soube, tentou o suicídio, mas graças a Deus sobreviveu, embora continue com a bala alojada na cabeça, esse foi um verdadeiro milagre. Outros se mudaram, alguns casaram. Já o Adolfo, esse tem sido o orgulho dos pais. Está sempre viajando, ele agora é sargento do exército, é um verdadeiro exemplo de homem íntegro. De vez em quando ele vem visitar os pais, e sempre vem aqui e pergunta por você, e por falar em Adolfo, o Aluísio disse que tem certeza que você e o Adolfo ainda ficarão juntos, segundo ele, não existe um casal que combine mais que vocês, apesar de um ser o oposto um do outro, mas que mesmo assim vocês fazem um par perfeito.
- Sabe tia, mais tarde eu vou visitar o Lula, eu gosto dele, apesar de que tive pouco contato com ele. Eu também queria ir até a casa do Adolfo, saber notícias dele, o que você acha?
- Vá minha filha, não vejo razão pra você não ir, afinal de contas o amor que ele dizia sentir por você já deve ter acabado, aquilo com certeza foi paixão de adolescência, não creio que ele ainda se lembre.
E assim a ela decide ir a casa dele, ao chegar, é bem recebida pela d. Rita, a mãe do Adolfo e por uma irmã, a Mariluce. A d. Rita diz a ela que ele está viajando, mas assim que ele chegar ela dará o recado para ele, e se ele quiser, irá procurá-la.
Ao perceber uma certa frieza na voz da d. Rita, Anny pergunta o por que dessa atitude, pois não havia motivos para ela querer proteger o filho.
- Desculpe Anny, eu realmente estou querendo protegê-lo, pois no passado você o fez sofrer muito e apesar dele ter se saído bem na carreira que escolheu, o início da mocidade dele foi marcada pelo sofrimento e foi você a causa de tudo, enfim, o que eu estou querendo

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dizer é que você foi a maior frustração da vida dele, e eu temo que tudo isso recomece, pois com a sua volta, ele irá correndo pra você, na esperança de ver realizado o maior sonho da vida dele. Eu não quero ver o meu filho sofrendo outra vez, e pelo mesmo motivo, e pela mesma pessoa.
- Desculpe d. Rita, esqueça que eu estive aqui, afinal é um direito seu querer preservar a paz do seu filho, eu não sabia que havia sido uma lembrança tão negativa na vida dele.
E assim dizendo ela se retira, mas de repente a Mariluce a chama e diz:
- Anny, seu recado será dado, ele sabe perfeitamente o que quer da vida, não precisa de orientação, principalmente quando esta não será aceita.
- Obrigada Mariluce, espero não causar-lhe aborrecimentos.
- Nem pense nisso, a mamãe sabe perfeitamente que aborrecimento nós teríamos se escondêssemos uma notícia dessas dele.
A Mariluce ainda tenta ficar conversando com ela, mas a Anny pede licença e se retira, ela havia ficado chocada com o que ouvira da mãe dele, ela nunca podia imaginar que ele a amasse dessa forma. Retorna para a casa da tia, e passa o resto da tarde triste. Não consegue esquecer o que a mãe dele falara. O início da noite ainda a encontra triste, mas a noite também traz consigo uma surpresa boa, apagando a tristeza que lhe marcava o semblante.
- Anny cheguei!
Ela olha para o Adolfo, mas a alegria não a deixa falar, e imediatamente se retrai ao lembrar das palavras da mãe dele.
- Adolfo que surpresa! Entre.
A recepção não foi como ela gostaria de ter proporcionado e com certeza não era a que ele desejara, embora no íntimo ambos estivessem satisfeitos naquele momento, pois se reverem era realmente muito bom para eles, pois eram muitas coisas a serem ditas, muitas coisas para serem reveladas, e ela pela primeira vez se sentia sem receios, de coração aberto, de alma limpa. E ele era o mesmo, não havia mudado o que a deixava feliz.
- Anny, quando eu soube que você havia voltado, larguei a bagagem no portão e vim em busca da felicidade, pois é isso o que você representa na minha vida.
- Adolfo, eu julguei que este sentimento fazia parte do passado, estou realmente surpresa,


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eu receava que no mínimo me desprezavas, e ao ouvir a sua mãe falar que eu o havia marcado de maneira tão negativa, muito embora eu achasse que ela estava exagerando, pois se ela me falasse que você me desprezava, eu até esperava por isso, mas que o tivesse marcado tão forte, para mim foi realmente difícil aceitar que eu não representasse uma lembrança boa.
- Anny, se a minha mãe lhe magoou, peço desculpas, ela não tinha esse direito, ninguém pode lhe criticar por isso, pois você não tem culpa se eu a amei desde o primeiro encontro. Eu até já havia me conformado sem você, mas agora que você voltou, eu prometo que não será para fazer da minha vida um tormento com a incerteza da sua presença. Você voltou pra mim, e você será minha, eu saberei esperar... Mas você será minha.
Apesar dela ter ficado um tanto quanto surpreendida e feliz com essa inesperada revelação,ela procura de imediato mudar de assunto. Conversam bastante, então ele a convida para ir almoçar com ele e seus familiares no dia seguinte. Após o convite ele se desculpa alegando cansaço, pois acabara de chegar do Rio Grande do Norte e nem sequer havia entrado em casa. Beija-a na testa e se vai.
Ela passa a noite na expectativa. A sua tia dera a maior força, e o Diva brincava dizendo que tudo isso ia dar em casamento.
Quando o dia amanhece ela ainda está um pouco assustada, mas ela sabe que irá de qualquer jeito, disso ela não tinha dúvidas. Quando ela chega a casa do Adolfo,outra surpresa a aguardava, pois ele a apresenta à família como sua namorada, e ao que parece a surpresa tinha sido geral. Mas logo o seu Antunes, o pai do Adolfo dá início a uma conversação, todos participam e termina em descontração para todos, menos para ela, é claro, e tão logo ela se vê a sós com o Adolfo pergunta a ele:
- Você não tinha esse direito, por que fez isso?
- Eu ontem lhe disse que você não mais sairia da minha vida, e esta foi apenas uma demonstração do muito que eu ainda farei, tudo agora será do meu modo, durante anos eu sofri esperando por você, e isso será algo que não mais acontecerá.
E foi assim que eles começaram um romance, cheio de amor por parte dele,pois ela muitas vezes estava a feri-lo, nem que fosse com o seu silêncio.
Ela volta a estudar, e eles continuam a se ver sempre que ele podia sair do quartel. Ela


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passa a frequentar a casa dele, pois era a melhor forma de enquadrá-la no seio da família dele, e também dos seus amigos, e assim ela se vê totalmente envolvida na vida dele.
Eles já estão namorando há alguns meses, e ela começa a sentir a falta dele, e em muitas vezes ela o acompanhava até a rodoviária, e na volta ela sempre ia pra beira da praia, onde sentada na areia, com os cabelos revoltos, entregava-se aos devaneios, machucava-se com a ausência dele, mas não acreditava ser amor, apesar de ansiar por cada momento que passavam juntos. Admiração ela sentia, falta dele também, mas não podia ser amor, com certeza não era.


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JÁ DISPONÍVEL O III CAPÍTULO

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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Esse Teu Olhar











Ao Meu Amigo: Nilton José da Silva


Teu olhar, ah! esse teu olhar
Sempre tão calmo, enternecido
Parece querer sufocar
Algum desejo proibido


Teu olhar, ah! esse teu olhar
Sempre absorto por demais
Demonstra sempre querer revelar
O que procura tirar tua paz


Mas que olhar atrevido
As vezes parece que vai falar
Contar de modo desinibido
O que busca sempre ocultar


E perdido entre tantos
Nesse jeito misterioso
Esse olhar de raros encantos
Abrasa com calma e imperioso


E é neste olhar que se encerra
Uma vida de sonhos e magia
Um semblante que descerra
Sentimentos de pura alegria


E é na pureza desse teu olhar
De grandes e inesquecíveis momentos
Que mais parece querer falar
 Das tuas verdades sem fingimentos


 Teu olhar, ah! esse teu olhar
 reflete a calma dos belos lagos
 E as vezes a volúpia do mar
 Que sufoca com seus abraços


 E quando nesse olhar mergulho
 Buscando quem sabe uma outra face
 Descubro num pequeno embrulho
 Uma outra história, outro desenlace


 É que se esconde uma verdade
 no mais profundo do teu eu
 É a sapiência da tua idade
 Presente dado por Deus...


Mas o teu olhar, ah! esse teu olhar
Que tanto mistério transmite
Sempre consegue calmo mostrar
 Que com amor a tudo resiste.


Esse olhar... ah! esse teu olhar...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

distraçaõ

Categoria: Conto

O som dos pássaros parece dar um maior encanto àquela paisagem bucólica... O sol com seus raios brilhantes saúda tudo em derredor. Mas há um alguém que não consegue ver o brilho da vida que contrasta de forma gritante  com o seu interior...
Jane contempla toda a beleza, mas não consegue capitar o colorido forte e ousado da vida. Em seu íntimo desencadeia uma tempestade de proporções imensas. Em seu olhar o verde que se confunde com o azul do mar está sem brilho... Lágrimas parecem inundar aquele mundo de inquietação, o semblante só retrata desespero. Mais uma vez a amarga solidão parece asfixiá-la. Ela tenta desesperadamente se libertar daquela dor mas não consegue. Qualquer esforço mostra-se inútil. Uma vez mais se encontra sozinha... Nada mais há para encher seus dias amargos e transformá-los em esperanças.
Olha para o computador e as lágrimas rolam pelo seu rosto sem que ela consiga retê-las. Já não haverá mais um boa noite querida! Ela já não encontra mais mensagens de amor carinhosamente postadas para ela. Que felicidade ela sentira quando certa vez, ao abrir seu e-mail havia uma mensagem sonora. Emocionada ela começara a ouvir ... Nesse momento porém, a situação é diferente, e mesmo assim, ela volta a fechar os olhos e começa ouvindo aquela voz que era capaz de enlouquecê-la.

Jane amor, um poema pra ti


Seria mesmo a vida?


Agora que nos encontramos,
de repente compreendemos
que estávamos sózinhos...
Que importa o que vivemos?
Que importa o que passamos?
Seria mesmo Vida, a vida que levamos
por diferentes caminhos?
Agora que nos encontramos,
que te quero e me queres
como uma força jamais
pressentida,
parece incrível que eu já tenha falado de amor
a outras mulheres,
e que antes de mim pudesse ter havido algum amor
em tua vida!
-                         J.G. de Araújo Jorge


Anteriormente ela escutara dezenas de vezes aquela mensagem, e cada vez mais sorria, sentia-se verdadeiramente amada. Mas agora... Olha tristemente para o computador e o silêncio do outro lado parece mortal.
Que fazer com tanto amor dentro do peito? E agora, como seriam as suas horas se já não havia mais nada a esperar?
Nunca mais iria ler um "Boa noite querida! chegaste?" nem aquele "Bom dia menina querida", ou um simplesmente: Jane amor...
A angústia transforma-se em dor física, e o pior, ela sentia que isso um dia poderia acontecer, e a qualquer momento... Agora, aquela fantasia havia se desfeito como fumaça levada pelo vento. Como seria agora seus dia e suas noites solitárias? como fazê-lo entender a proporção que a sua presença mesmo virtual era imprescindível para ela continuar vivendo?
O computador, de repente parece se transformar num imenso monstro de maldades, pronto para tragá-la.
Não... Ela não tinha como fazê-lo entender que mais nunca conseguiria sorrir, como aprendera a sorrir com ele, como fazer para deixar de sonhar acordada esperando o surgir do nada lhe trazendo o tudo?

Como esquecer o som inebriante daquela voz sedutoramente inesquecível?
como fazer para voltar a encontrar os versos que falavam de amor... de carinho... De amizade?
Hoje ela percebe que mais uma vez se tornará um iceberg à deriva... O vulcão que ele havia despertado, deveria  ser extinto em meio às lembranças que pareciam queimá-la como fogo .Não mais haveria de correr pra casa na esperança de ligar computador e de coração acelerado, ouvir a voz dele declamando para ela. Como iria agora passar os dedos suavemente pela tela fazendo o contorno daquele rosto amado? e agora, como tocar lascivamente aqueles lábios, sem chorar aquela perca?
De imediato lembra de uma mensagem que ele mandara e que dizia assim:



Para a menina Jane que mata
de tentação gostosa...
Beijos amor.....

"Um homem só encontra a mulher ideal quando olha
para o seu rosto e vir um anjo e,
tendo-a nos braços, ter as tentações que só os demônios provocam..."

** Pablo Neruda



Como? como poderia ela sorrir e dizer, não apenas eu amo, mas dizer sou amada?
Voltará ela ao mundo insípido em que sempre viveu... Voltará a chorar, pois sabe que as lembranças desse amor virtual que agora chega ao fim nunca mais a fará sentir-se realmente feliz, pois a dor da saudade a estará matando por dentro.

Recorda quando achara por bem terminar aquele sonho e ao dizer-lhe isso, ele apenas mandara mais uma poesia. Remexe no e-mail e procura pela poesia enviada, e ao encontrá-la começa a ler e mais uma vez deixa as lágrimas correrem livremente...


 Jane querida 


 "CANÇÃO DA ESPERA"



"Quando marcares a tua volta,
quero levantar na madrugada,
quero acordar na alvorada
e esperar por ti.
Quero confundir minha alegria à tua
e juntos, lavar nossas saudades.
Poucas mudanças deverão ser notadas,
além do descompasso
de um coração apertado.
Cada minuto deste novo dia
será precioso de felicidade.
Quero, de novo, trocar contigo
as experiências que teus sonhos embalam.
E, enquanto não chega a hora,
vou desenrolando, nesta minha espera,
imagens que de ti eu guardo. "

                                                          "Dúnia de Freitas"


 Beijos molhados na sua boca, 


 Ela chora desconsoladamente sem entender por que o destino tem que ser mal com ela... era tão pouco o que ela queria da vida, e agora paga caro por ter ousado se apaixonar... Por ter desejado amar e ser amada. E nesse sofrimento descomunal, ela deita por sobre os braços, toca levemente a tela do computador desejando que o seu amor virtual tome vida... Mas ela sabe que isso não irá acontecer.. Desliga o computador e se prepara pra dormir, ao chegar na cama e deitar é abraçada pelos braços  indiferentes e frios da solidão... Acabaram-se seus sonhos... Sua chance de ser feliz mesmo com um amor virtual. Pior era agora... Não ter mais por quem esperar... teria sim... Por quem chorar relembrando a sua mais linda, ousada  e curta história de amor.

Sonhe...




Nem sempre é fácil sonhar quando se quer
E ainda corremos o risco de virar pesadelo
Como aconteceu quando despertei a mulher
Fazendo desse momento o meu mundo inteiro

brincaste com os meus sentimentos
Dizes que só querias me ajudar
Mas não percebeste que naquele momento
Em algo profundo poderia se transformar

Foste tão amigo e bem mais companheiro
Me tirando de um mundo completo de horror
Te fiz o meu tudo, o meu grande escudeiro
Ignorando o que poderia advir... A dor

Hoje me mandas sonhar... Como poderei?
Se o meu sonho se esvai na tua ausência
Um dia, quem sabe? com o tempo conseguirei
Primeiramente aceitar as coisas com paciência

E esperar que o sonho em realidade se transforme
E eu possa finalmente, mitigar esta saudade
Que insiste em deixar minha alma disforme
Diante de mais essa covarde e cruel maldade

terça-feira, 3 de abril de 2012

COMO PODEREI


Nunca pensei que eu voltasse
a me sentir outra vez assim
tão cheia de medos e revoltas
Parecendo em tudo ver um fim

Quantas vezes pensei estar sonhando
E sentia muito medo de acordar
Hoje mais uma vez me vejo chorando
Parei de insistir em apenas fantasiar

Sei que me esperam dias amargos
Alegrias sei que não mais irei sentir
O amor de mim se foi, e isso é um fato
Se foi de mim o motivo que me fazia sorrir

Noites de insônia irão me afligir
Buscarei teus afagos, sem os encontrar
Tuas carícias não mais irei sentir
Não mais o terei para me amar...

Como poderei esquecer a tua voz
E as tuas doces palavras de amor
Foste um sonho... Acordei, foi atroz
Pois te foste só me deixando a dor

Meu desespero tão visível se faz perceber
Te perdi quando eu o julgava só meu
E difícil eu sei será pra mim te esquecer
Dentro dessas lembranças que ainda não morreu
 
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