quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

UM OUTRO OLHAR


Hoje meu dia começou muito saudoso
Dessas saudades que, a alma fazem bem
Saudades de mulher, quase só e carente
Saudades dessa mulher criança também

Nesse sorriso quase perfeito
A felicidade sempre a espocar
Hoje a alegria que se manifesta
Já a vejo com um outro olhar

Ai! que saudades tão boa de sentir
Saudades de algo que se perdeu no tempo
Embora para o momento, um algo a mais
Tenho certeza não será levado pelo vento

Vento que as vezes vem e sempre espalha
O que em vão tentamos de alguma forma reter
Mas o vento que quero e venho sentindo
Esse apenas me traz um novo alento... Você

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

QUERO


Hoje, definitivamente resolvi mudar
Mudar pra melhor... Mudar pra maior
Jogar roupas fora. Por outras no lugar
Só querer pra mim o que me torna melhor

Sorrir para o mundo... E assim desejar
Que nada mude, ou tudo se transforme
Só não vale querer meu íntimo mudar
Até porque há muito que ele já não dorme

Quero sentir-me livre... Sem amarras
Que estas só existem para escravizar
Que eu me prenda tão somente nas garras
De tudo quanto possa ainda me realizar

Que eu seja uma estrela permanente, não fugaz
Que meu olhar brilhe cada vez mais intensamente
Ofuscando o que de pouco valor deixei pra trás
E que nada do que eu fale, soe estranhamente

Que eu viva cada momento sem hesitar
Sem me levar por falsas ideias ou enganos
Que a vida de braços abertos possa me aceitar
E eu nunca mais me esconda por trás do pano

Que a minha liberdade tenha um firme propósito
E que os meus sonhos me ajudem a crescer
Que o meu eu seja um grande e largo depósito
Pra caber tudo o que eu venha a amar e querer

ME PERMITIREI



Hoje eu finalmente decidi mudar completamente
Deixando para trás tudo que não me faça crescer
Vou me amar de uma forma sincera e inteligente
Pois para isso é imprescindível o meu querer

E tendo enterrado o que nunca me fez nem me fará bem
Bendirei o despontar dessa minha essência de mulher
Mas deixarei aflorar meu coração de menina também
Não permitirei vir à tona o que já foi ou mesmo o que é

Me permitirei o riso farto e bem mais verdadeiro
Sempre olhando sem medo tudo ao meu redor
Saborearei tudo como todo gosto do primeiro
E tenho certeza que assim viverei bem melhor

Terei um gesto brando para tudo na vida
E ao destino nunca mais me oporei
Não faz sentido ter atitudes atrevidas
Se com isso pouco ou mesmo nada ganharei

Usufruirei das coisas belas que a vida tem
Não desperdiçarei meus talentos e minha fé
E tenho por certo que não haverá ninguém
Que subjugue esses meus dotes de mulher

Entregarei meu tempo ao próprio tempo
E não perderei mais tanto tempo em esperar
Que eu me sinta como as folhas soltas ao vento
Sentindo-me livre enfim... Para viver e amar

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

ASSASSINA




Não me contive diante de tanto sofrimento
Já há muito tempo que eu queria muito ajudar
E ouvi-la, com a voz alquebrada, naquele momento
Por mais crucial que fosse, eu não podia hesitar

Foi apenas um golpe... E finalizei com aquela dor
E naquele olhar moribundo tanta coisa se desfez
Já não teria mais porque chorar a perca de um amor
E em toda a sua vida, era sem dúvida a primeira vez

Ali, ela finalmente conseguia se libertar
Matei-a não nego, mas foi melhor assim
Se não mais fazia sentido sofrer, nem chorar
Era preciso pôr a tanto martírio um fim

Eu a vi entre lágrimas se despedindo
Nem por um momento aquilo me doeu
Assassina, era quem estava lhe consumindo
Fui apenas o instrumento pelo qual ela morreu

Olho pra trás e não a vejo cambalear
Nem tão pouco ouço seus gemidos de dor
Eu apenas só pensei em lhe libertar
Pois quando dói... Deixa de ser amor...

Ela viveu décadas somente sofrendo
Muito justo ela agora poder descansar
Nunca fez sentido viver em tormento
Melhor morrer... Do que viver a penar


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

NOVO HORIZONTE




Eis que há um novo brilho nesse dia
E como este, muitos outros, bem sei virão
Meu peito exulta diante de tanta alegria
Parece até que vai arrebentar meu coração

É tanta beleza sendo por mim descoberta
Que não compreendo como a deixei escapar
E hoje eu sinto que quase nada mais resta
Das agruras que eu fazia questão de guardar

Para tudo na nossa vida existe um tempo
E o meu de felicidades por fim, chegou
Todo meu sofrimento, foi levado pelo vento
Quando tornado em cinzas a brisa o dispersou

Meio século vivido... A maioria em vão
Desperto ávida por viver outra vez
Sem ter em mente nenhum tipo de ilusão
Pois faço questão de caminhar com a sensatez

NO DESPERTAR DA MULHER


A penumbra que invade o meu quarto
Me convida aos pensamentos insanos
E sem me dar conta do que vai em mim
Perco o pudor... Deixo cair o pano
Só preciso mesmo é começar
Deixar meu desejo acordar
A boca entreaberta... Um beijo a esperar
E de pensar em pensar... Surge o profano

Se fecho os olhos... Sinto as carícias
E um sensação me invade... Me alucina
Deixo-me levar pelo fremir que me envolve
E duvidando se esse sentir é mesmo minha sina
Vou insistindo de nunca ver qual será o fim
Pois nessa loucura que me abrasa assim
Não terei como responder, nem mesmo por mim
No despertar da mulher e no adormecer da menina

E até a brisa que ousa tocar a minha pele
Me faz imaginar... Onde estará o prazer
Que sempre a natureza me deu em profusão
E penso... E nesse pensar sinto que viver
Faz parte de cada um desses loucos momentos
Que o meu desvairado e insistente pensamento
Consegue me deixar assim num completo alheamento
Mas o tudo que não foi bom... Resolvi esquecer

DOCE IRONIA


Liberdade... Em uníssono repicaram os clarins
E num passe de mágica o bloco da saudade vi passar
Se foram as saudades... As desilusões saíram de mim
E o bloco da liberdade na minha vida eu vi raiar

Liberdade! Liberdade! em meu corpo sinto vibrar
A quarta-feira de cinzas em meu viver aportou
Finalmente a paz eu sinto que veio pra ficar
Acabou pra mim todos os males de um falso amor

Quarta-feira ingrata... Décadas levou pra chegar
E a mulher triste que havia feito morada vi perecer
Uma nova mulher... Uma doce menina outra vez a brincar
Já não faz mais sentido qualquer coisa que lembre você

Outros versos haverei de fazer homenageando o amor
E serão versos de vida... Versos de sonhos e alegria
Eu hoje compreendi que o "DE VOLTA AO PASSADO ME LIBERTOU"
O que quase me destruiu, hoje me salvou... Que doce ironia

SE PERDEU NO VENTO


Estou me sentindo leve como uma pluma
Não me lembro de já ter me sentido assim
De todas as razões só existe mesmo uma
Minha história tem começo...Meio e fim

Tivemos um começo tão lindo... Até inocente
Mas que não conseguiu perdurar com o tempo
Nos foi permitido um meio um tanto incoerente
Ma o nosso final... Este se perdeu no vento

Num vento de rebeldia e até mesmo de indiferença
Mas que as marcas do meu corpo, isso não levou
Na alma ficou a soluçar uma perdida criança
Que com o tempo a saudade muito alimentou

Hoje ainda prossigo tentando me reerguer
É que não perdi as esperanças de me libertar
São décadas só pensando em mim e em você
Mas que nesse momento uma nova luz vejo brilhar

TEU PASSADO


As vezes fico a imaginar você pintando
Retratando o que na alma vives a esconder
E a cada risco que a tua mão vai traçando
Consegues com perfeição teu passado reviver

Seria bom se a gente também pudesse desfazer
Riscando da vida o que um dia nos maltratou
Com borracha eu apagaria tudo quanto você
Fez para mim... E que só resultou em dor

Quantas vezes eu vi o sol nascendo
Sem ter conseguido sequer me deitar
Eu pensava no que estaria fazendo
Quem sabe teus desejos ocultos a pintar

Um dia eu espero realmente conseguir
Me libertar de tudo quanto me deixaste
Poder deitar a cabeça no travesseiro e sentir
Que a vida não se resume no que me ensinaste

AS MUITAS MARCAS


Eu queria nunca ter conhecido o amor
Pois pouco me trouxe de alegria e prazer
Ele me deu muita tristeza, solidão e dor
Quando me impregnou de saudades de você

Do amor legítimo, verdadeiro, pouco vivi
E tudo quanto um dia me ensinaste
Perdeu todo o sentido... Quase morri
É que eu descobri o quanto me enganaste

No tempo, as muitas marcas foram ficando
E em cicatrizes minha alma se tornou
As muitas amarguras pela vida fui carregando
E isso foi o tudo que do teu amor me restou

Nunca mais acreditei em verdadeiras alegrias
Pois estas sempre escondem uma outra situação
Pelo teu amor conheci a frieza da hipocrisia
E todo o engano que pode esconder um coração

Então não me falem mais de amor... Por Deus
Já que dele só guardo amais profunda saudade
E esse amor que na verdade nunca foi meu
Conheci de perto... O homem e suas maldades

Talvez compreendam porque o amor me foi ruim
Ele me iludiu, como escrava me fez e me deixou
Fazendo na verdade,eu diria, pouco caso de mim
Por que então ainda vou acreditar no amor?

domingo, 19 de fevereiro de 2012

AOS MEUS QUERIDOS AMIGOS



MARCO ALVARENGA E
DOROTHY DE CASTRO

Para mim estava sendo um dia infeliz
Desses que nada consegue a dor aliviar
Mas há muitas coisas que existe,e não se diz
É que nunca estarás só, quando estiveres a chorar

Pois no meio daquela aflição tão intensa
Meu celular tocou... E eu nem queria atender
Mas para aliviar minha dor já tão imensa
Do outro lado uma voz se fazia compreender

E entendi... Que nenhum sofrimento dura para sempre
Pois há coisas melhores que com certeza ainda virão
E ficar ouvindo-os me deu uma certa paz de repente
Que por um momento senti alívio em meu coração

Como agradeço a vocês meus queridos amigos
E não foi por um breve instante que a dor aquiesceu
E eu logo pude perceber quão grande é o sentido
Que vocês dão na vida de quem acha que tudo já morreu

A Máscara Do Meu Fingimento


No carnaval dessa minha insuportável existência
Para todos a máscara eu vesti... Menos pra ti
Nunca encontrei sentido nem tão pouco coerência
E no bloco da vida... Mesmo cansada não desisti

Foram tantos os carnavais da vida que passaram
E eu iludindo ao mundo fui sempre prosseguindo
Num frasco de lança-perfume meus sonhos se ocultaram
E nesse desfile cruel,os passos da vida fui seguindo

E mesmo embriagada pelo perfume do abandono
Deixei escorregar a máscara do meu fingimento
E cada lágrima que rolou ao viver tantos outonos
Não conseguiu fazer-me deixá-lo cair no esquecimento

Hoje o meu carnaval não tem na verdade nenhum sabor
E que no bloco da vida cansei de pra todos desfilar
Mesmo que eu retenha de tantos blocos só o amargor
Ainda assim a máscara do meu fingimento irá perdurar

AMARGURAS SENTIDAS


Estou perdida... Como tantos já se perderam
Em busca dos sonhos desfeitos... Em busca do seu eu
E poucos são os que realmente sobreviveram
Tirando um pouco de vida de algo que um dia já viveu

Sinto-me muitas vezes como uma louca sem abrigo
Me desespero pois sei que isto eu nunca desejei
Ai de mim se não fosse aqueles a quem chamo de amigos
De onde eu sugo um bem maior do que todos que já dei

São meus amigos virtuais tão queridos e preciosos
Pois de outra forma só tenho de verdade mesmo um
Mas são afetos sinceros... Me são muito valiosos
Me fazem tão bem... Imagine se eu não tivesse nenhum

Hoje eu estou muito perdida, bem mais do que já sou
Talvez pelas lembranças que insistem em me perseguir
São memórias de tudo que já vivi... Que um dia passou
Só restando esse desejo louco de não querer só existir

Mas o que é que eu faço agora, nesse momento
Se minha vida sempre foi assim, perdida em sonhos
E cada um deles pereceram nos redemoinhos do cruel vento
Que nunca respeitou, nem mesmo o que inspira o que componho

Estou perdida... Como sempre estive e vou estar
Já fui bem mais confusa, iludida talvez, pelo cruel tempo
Esse inimigo tão mau... Que sempre transformou meu sonhar
Em amarguras sentidas...Para aumentar meus tormentos

sábado, 18 de fevereiro de 2012

DE VOLTA AO PASSADO CAP: I




DE VOLTA AO PASSADO


"- Olhe minha pequena, você não terá uma vida calma, nem tão pouco será feliz.
Chocada com o que acabara de ouvir, ela puxa a mão rapidamente, mas ele torna a pegá-la e continua:
- Dos treze aos dezesseis anos, serás a loucura dos homens, dos dezessete aos vinte anos, serás a perdição do mundo. Aos vinte anos irás cair num abismo e dele saíras sozinha. Terás um pouco de paz e isto em meio as tormentas que irão te afligir a alma, sempre que o tempo for passando. Mas ouça minha filha, e grave bem o que lhe digo nesse momento. “ Nunca tentes, pois nunca, jamais conseguirás ser feliz”.




Categoria:Romance

Capítulo: I

Anny ainda é jovem... Bonita e bastante atraente, porém o que mais chama a atenção é o mistério que parece emanar da sua alma, parecendo envolvê-la como um manto. Por onde passa atrai olhares, e para quem tem oportunidade de conhecê-la, descobre nela uma grande mulher, uma imensa alma com uma pequenina vontade de seguir em frente, pois a mesma se conforma em viver de sonhos perdido, ela se contenta apenas com os destroços do que foi um dia planos para um mundo de amor e felicidades.
E como sempre acontece, ela olha triste para o nada, de onde inexplicavelmente consegue encontrar vida no que já está morto, no passado tão presente... E como sempre acontece, mais uma vez ela é transportada no tempo e se vê no início do ano de 1971, onde tudo começou.
Nessa época Anny era uma garota irrequieta, muito sonhadora e nada prática. Aos treze anos de idade, viu-se saindo de sua cidadezinha, no interior de Pernambuco, e indo morar em Recife. A sua mãe, uma senhora viúva, estava com dificuldades para encontrar vaga nos colégios públicos existentes, para que a sua filha pudesse cursar o ginásio( Antigo curso que hoje corresponde ao ensino fundamental) e como só havia vaga em colégios particulares, e não podendo pagar, a D. Rejane resolve escrever para o seu irmão mais velho, Nestor que tinha condições de ajudar na educação da filha dela.
E fora desse modo que Anny viu sua vida totalmente modificada, pois o seu Nestor, logo foi buscar a sobrinha para a sua casa. E assim, Caruaru, cidade onde ela vivera até então passa a ser motivo para os assuntos entre
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os primos e os novos colegas que ela foi conquistando no decorrer daquele ano.
Nessa noite Anny ficou pensando na despedida da mãe, do irmão, o Márcio, e das irmãs, a Danny, a Louise e a Paula. Era a primeira vez que uma delas se ausentava de casa... Mas logo volta seu pensamento para o momento da sua chegada e de como havia sido bem recebida, a



todos parecera que ela agradara. Apesar de cansada com a viagem e tudo o mais, nada realmente a deixava intranqüila, pois o seu espírito rebelde e aventureiro estava adorando cada minuto de expectativa incontida. Nesse momento ela tem seu pensamento interrompido pela voz autoritária do seu tio.
- E então Anny, vai mesmo estudar?
- Mas é claro titio. Eu passei muitos dias preocupada, pensando que talvez eu não fosse estudar esse ano, pois o colégio não mais queria me aceitar, já que este seria o terceiro ano consecutivo que eu repetia de ano, mesmo tendo passado com excelentes notas, mas é que eu não queria ficar em casa e sem poder pagar o colégio, só me restava ficar repetindo de ano, mas aí a diretora disse que não mais seria possível eu continuar e foi então que a mamãe resolveu lhe escrever, o resto da história o senhor já conhece.
O seu Nestor olha bem sério para a sobrinha e fala:
- Espero minha filha que você não me desaponte, pois como você está sabendo, em matéria de estudos os meus filhos só têm me dado desgostos e eu quero acreditar que você irá me compensar de toda essa frustração.
Anny compreende de imediato a responsabilidade que está tomando para si naquele momento, mas é com toda sinceridade que responde ao tio sem titubear.
- O senhor jamais irá se arrepender do seu gesto titio, disso pode ter certeza.
Seu tio acha graça daquela expressão, mas permanece sisudo e fala para ela que é isso o que espera dela e logo em seguida sai do quarto deixando-a só, entregue aos seus pensamentos.
Anny logo consegue um bom colégio, adora o clima que envolve aquele ambiente escolar, pois não era tão carregado como a casa do seu tio, já que tanto a esposa do seu tio como algumas das suas primas demonstraram uma certa rivalidade logo que chegara, apenas o Maurício, o seu primo mais velho não fingira diante da demonstração de boas vindas, e ela logo compreendera o motivo, ele precisava de alguém que ocupasse o tempo vago do seu pai, para que ele pudesse ficar mais

solto e mais irresponsável do que já era.
Ela iniciou os estudos, e até achou bastante divertida a preocupação do seu tio em não lhe deixar faltar nada do que o colégio exigira. A mesma gostou bastante do colégio, dos professores e mais ainda do diretor, um sr
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bastante sério, porém muito atencioso e cheio de compreensão, só havia um probleminha para ela; era um garoto da turma, o Osmar, pois este dizia gostar dela e não parava de aborrecê-la, um estranho modo de querer despertar a sua atenção, e com isto ela vivia se aborrecendo, muito embora ela na realidade estivesse gostando da situação.
Dois meses já se haviam passado desde que ela saíra do convívio da sua mãe e dos seus irmãos. As vezes ela encontrava dificuldades no relacionamento com os primos e as vezes até mesmo com a esposa do seu tio, pois esta achava errado o excesso de zelo e atenção do marido para com a sobrinha, pois o mesmo não cansava de elogiá-la pelo seu bom comportamento e o excelente procedimento e desempenho no colégio.
Certo dia o seu Nestor chama a sobrinha e lhe diz que acertou com um irmão, o Neto para que fosse buscá-la para ir passar o fim de semana na praia na casa da sua irmã a Rita, ela que não conhecia o mar, com certeza ia adorar o passeio. Anny fica muito feliz com a surpresa e sente que aquela semana seria bastante longa.
No dia seguinte, no colégio, durante o recreio Anny que estava conversando com uma colega de turma comentando sobre o assunto, quando é abordada pelo Osmar.
- Anny você poderia me dizer que praia é essa que você vai?
- Não, não posso, pois não lhe diz respeito.
- Pôxa, a garota tá brava!
- Não amola Osmar, ninguém te convidou para participar da conversa.
O Osmar sai encabulado e Marileide ralha com a ela.
- Anny não era necessário ser tão dura com ele.
- Não sei por qual motivo você protege tanto ele.
- Não é proteção, apenas eu tenho pena dele, pois seu único pecado é estar gostando de você.
Anny nada comenta, ela não quer falar no assunto, nada que possa aborrecê-la será do seu interesse, pois o que ela quer mesmo é que chegue o grande dia, onde finalmente irá rever a sua tia Rita, que há muito não se vêm e conhecer o mar...
Finalmente é chegado o tão esperado dia. O Neto foi buscar Anny, e esta, não parava de fazer perguntas sobre tudo o que via, estava realmente encantada, e seu tio não cansava de satisfazer-lhe a curiosidade. Eis que ela chega a casa da sua tia , e esta fica feliz ao revê-la.
- Sabe minha querida, quando o Neto falou que ia trazê-la para ficar esses dias conosco, nós ficamos muito felizes, o Diva não coube em si de contentamento, ele não sabia falar em outra coisa que não fosse a sua chegada. É que ele é louco por você minha filha, você sabe disso.
- Eu sei , desde que nos conhecemos, antes do casamento de vocês.
Anny sorri satisfeita, pois apesar do Diva não ser realmente seu tio, mas ambos se sentiam assim, tio e sobrinha, era um carinho muito bonito dos dois.
Após o jantar todos ficaram na calçada, e foi a partir desse dia que tudo começou a mudar na vida da Anny, depois deste, muitos outros finais de
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semana aconteceram. Os dias foram passando... Chegaram as férias de julho, ela foi passar uns dias em Caruaru com a mãe e os irmãos e após o seu regresso ela foi para a casa da tia Rita, passar o restante das férias.
Certo dia , Anny estava sentada em frente a casa da sua tia, ouvindo o farfalhar das palmeiras sendo acariciadas pela brisa que vinha do mar, quando é abordada por um estranho.
- Olá!
-Oi! – Responde a ela, um tanto quanto irritada e arredia ao mesmo tempo, ante aquele olhar inquisidor. Ela passa a observá-lo, fato este que ela já havia feito antes, só que no início nada acontecera que tivesse despertado o seu interesse.

- Posso sentar-me? – Pergunta-lhe o desconhecido.
- Por favor. – E indicando a calçada ao seu lado fala: - Esteja a vontade.
O desconhecido senta-se ao seu lado, passando a examiná-la como se ela fosse uma descoberta deslumbrante que requeria toda a sua atenção.
Ela sente-se constrangida diante da impertinência do mesmo e resolvida a ignorá-lo, passa a divagar sobre a sua estada ali. E absorta em seus pensamentos, não pode deixar de assustar-se, quando de repente ele indaga:
- Gosta de música?
- Sim, mas prefiro música romântica.
- É deveras perfeito, combina com esse seu jeito. Mas queira perdoar meu esquecimento, ainda não me apresentei. Eu sou Adolfo, e estou profundamente encantado em conhecê-la.
- O prazer também é meu, eu sou Anny.
Era uma tarde de verdadeiro encanto na vida dela, ali estava alguém muito interessado em sua pessoa, e o que mais lhe chamou a sua atenção, foi notar a grande diferença no modo de agir daquele rapaz, totalmente diferente dos demais que ela conhecera até então...
Ainda estava no princípio do inverno... Um barulho ao longe anuncia uma possível tempestade... Longe estava ela de imaginar que o inverno da sua vida tivera início aquela tarde, com a chegada daquele estranho.
Continuaram sentados lado a lado. Vez por outra ela se desligava do seu mundo de fantasias para relancear o olhar na figura do Adolfo, mas logo tirava a vista ao perceber que ele estava a fazer o mesmo. E então de repente como chegou ele se foi, e tão logo o rapaz sai Anny se põe a pensar: - Meu Deus, devo estar louca, ao dar atenção a este rapaz, bem sei que todos aqui o conhecem, inclusive os meus tios, mas para mim não passa de um estranho, um completo desconhecido.
Ela continua se recriminando e não repara na tarde que morre lentamente dando vida a uma noite que está repleta de estrelas e encantamento,
sem imaginar que em breve aconteceria também algo parecido em sua vida, esta iria morrer lentamente, só que não haveria um ressurgir de brilho e encantamento para ela, como aconteceria com a natureza dentro
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de instantes... Muito embora esse era um fato desconhecido para ela e para todos até então.
Após o jantar, ela retorna para o seu lugar preferido e volta a ler o romance que durante uma boa parte da tarde havia prendido a sua atenção, e tão concentrada estava na leitura que assustou-se quando ouviu uma voz a indagar:
- Atrapalho-a Anny?
- Não Adolfo, fique a vontade.
- Podemos conversar um pouco? Estou louco por isso!
- Eu não sei se devo. – Responde ela apreensiva.
- Peço então que me desculpe, pois eu não queria aborrecê-la, eu apenas desejava um pouco a sua companhia e atenção.
E logo Adolfo fez menção de ir embora, e surpresa com a própria reação, ela pede que ele fique. E desse dia em diante foram acontecendo encontros, onde com o passar do tempo, ela percebe que sempre está pronta para machucá-lo em retribuição as suas constantes e tediosas gentilezas e atenções, e passou a menosprezá-lo ao descobrir os verdadeiros sentimentos do Adolfo por ela. Apesar da singeleza dos seus modos, da ternura e do carinho, havia muito de sensualidade na maneira como ele a olhava, pois ela era na realidade a sua primeira e grandiosa paixão, seu primeiro amor... Mas Anny não estava satisfeita com o desenrolar daquela situação, muito embora no íntimo estivesse lisonjeada, porém havia algo no coração dela que não a deixava ser natural, algo que a deixava mais temerosa.
Havia um que de pureza nos sentimentos do Adolfo, e o mesmo tinha um dom de apenas demonstrar bondade e sinceridade que a deixava fascinada, mas por outro lado, ela se sentia insegura, chegando as vezes a sentir repulsa ao perceber o olhar de desejo que em vão ele tentava disfarçar. E dias depois Adolfo a procura e diz:

- Anny, eu sinto que apesar de você não demonstrar nem mesmo querer admitir, percebo que no íntimo você gosta de mim, como já pude notar também que você se retrai sempre que a olho profundamente, ou quando consigo transmitir-lhe algo... Tenho a certeza que você teme alguma coisa, pois é exatamente nesses momentos que o seu olhar vacila entre o pânico e a repulsa. Por que Anny? Que fiz, ou o que tenho dito que a faz sentir-se assim?
- Imagine Adolfo, é impressão sua, não há nada de errado com você e muito menos comigo. Não dê asas a sua imaginação, pare de pensar , imaginar coisas, por favor.
- Está bem, mas um dia eu sei que você confiará em mim e talvez então eu tenha tudo esclarecido.

Ela fica pensando no que Adolfo havia dito, Ela sabe que o mesmo está certo, mas ela não pode se abrir com ele, ainda era muito cedo, um dia talvez, quem sabe conseguiria.

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- Ei menina, acorde! Você parece que está sonhando!
- Desculpe Adolfo, acho que me distraí um pouco.
Ele logo trata de mudar de assunto, ao ver como aquele papo havia deixado-a tão abalada.
- Diga-me Anny, como estás nos estudos? Já faz algum tempo do início do segundo semestre, e eu acredito que já deu pra você avaliar o seu grau de aproveitamento até agora, e aí o que me dizes?
- Olha eu estou me saindo muito bem, pois não tenho precisado me esforçar muito para obter notas altas, estas vêm a mim quase que brincando, acho tudo muito fácil, nunca encontro dificuldades para nada.
-Menina você é um bocado convencida!
- Em absoluto, eu apenas acho o ensino um tanto quanto fácil, e segundo o diretor do colégio, irei passar em todas as matérias por média e bem antes do término do ano letivo.
- Puxa vida! É muito bom ouvir isso, mostra apenas que eu não me enganei ao julgá-la uma garota inteligente. E em matéria de comportamento, você é um primor?
- Aí você está querendo muito, pois eu só vivo entrando em situações difíceis, se bem que na realidade são apenas pequenas e inocentes aventuras, nas quais um garoto chamado Osmar é o pivô de tudo.
E a medida que ela narra suas histórias, não repara no semblante do Adolfo que a cada momento ia se tornando mais triste. Continuam a conversar, mas ele foi emudecendo, até que se desculpando, se despede, não sem antes fazer um comentário jocoso a respeito das narrativas dela.
- Você é incapaz de imaginar o que eu não daria, ou faria para estar no lugar desse fedelho.
- Sinto muito mas Osmar não é nenhum fedelho. - Responde irônica.

Calado Adolfo se afasta deixando-a entregue aos próprios pensamentos.
Com o passar dos dias, ambos passaram a freqüentar sempre os mesmos lugares e a mesma turma, sempre que ela ia passar o fim de semana com a sua tia d. Rita, o Adolfo aparecia. Ele estava habituado a ir à casa de um amigo, Alex para jogar botão, as vezes Alex e o restante da turma iam para a casa do Adolfo, mas ao que parece depois que ele conheceu Anny, era sempre ele quem ia jogar em casa do Alex, e este morava em frente à casa da tia da Anny.
O entrosamento havia acontecido de modo rápido, sendo Adolfo conhecido e benquisto por todos, e a sua adoração por ela havia sido aceita como algo natural. Rivalidade existia, mas não a ponto de exterminar a amizade que havia em torno deles.
Um dia de repente ela descobriu que quando Adolfo estava presente tudo se tornava mais perturbador e quando ele se encontrava ausente, para ela tudo se tornava bobo e sem sentido, com a presença dele tudo se transformava em um jogo de palavras e atitudes hostis, e ela tudo fazia para feri-lo, nem que fosse com o seu silêncio, muito embora que ela

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depois se arrependesse, e apesar de tudo ele aos poucos foi conseguindo ganhar um pouco da confiança dela.

- Anny, você não gostaria de se abrir comigo? Sei que há algo que a marcou de maneira profunda, sinto que posso ajudá-la. Alguma coisa me diz que apesar de todo esse mistério que se esconde por trás desse seu olhar, existe realmente alguma coisa que a faz ser tão desconfiada, sempre tentando se proteger. O que aconteceu de fato em sua
vida que a marcou tão negativamente? Creia-me, eu estou ao seu inteiro dispor, estou apenas querendo ouvi-la para poder tentar te ajudar. Ouça-me Anny por favor, eu já lhe disse e torno a repetir, existe amor dentro de você , mas também está havendo alguma coisa que consegue bloquear os seus verdadeiros sentimentos. Me ajude a ajudá-la.
- Eu sinto que posso confiar em você Adolfo mas para mim é difícil falar sobre o assunto.
- É o que eu estou pensando?
- Não sei exatamente em que você está pensando, mas tenho a certeza que seja lá o que for que você tem em mente, não deve distar muito da verdade, mas por favor, hoje não, quem sabe um outro dia.

E os dias iam se passando e ele sempre insistia com ela e esta sempre se esquivava.
Certa vez ele a encontrou mais amarga e infeliz do que ele um dia poderia ter visto.

- Anny, eu estou precisando de ajuda.
- Se eu puder fazer algo por você Adolfo, tenha a certeza que eu não hesitarei em fazê-lo. Mas do que se trata?
- É você Anny! Seu desespero está me atormentando, confie em mim, preciso saber o que há por trás desse olhar tão angustiado.
- Está bem, mas fique certo que não se trata de uma história bonita, nem tão pouco dramática, é apenas um tanto quanto chocante, principalmente pela educação que eu tive.
Ele pega na mão dela e fica cabisbaixo ouvindo o relato da história que ela tanto se negara a contar.
- Há mais ou menos um ano atrás, na época eu estava com doze anos de
idade, eu me encontrava nessa ocasião dentro de um ônibus, sentada próxima ao motorista. Estava retornando para casa e admirando a paisagem, eu havia ido à cidade, quando nesse momento um velhinho de barbas bem brancas, senta ao meu lado e puxa conversa.
-Diga-me minha menina, você já tem treze anos?
- Não senhor, estou com doze anos.
- Por favor deixe-me olhar a sua mão. – Eu um tanto desconfiada deixei. Então o velhinho olhou a minha mão, e depois falou:
- Olhe minha pequena, você não terá uma vida calma, nem tão pouco será
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feliz.
Chocada com o que eu acabara de ouvir, puxei a mão rapidamente, mas ele torna a pegá-la e continuou:
- Dos treze aos dezesseis anos, serás a loucura dos homens, dos dezessete aos vinte anos, serás a perdição do mundo. Aos vinte anos irás cair num abismo e dele saíras sozinha. Terás um pouco de paz e isto em meio as tormentas que irão te afligir a alma, sempre que o tempo for passando. Mas ouça minha filha, e grave bem o que lhe digo nesse momento. “ Nunca tentes, pois nunca, jamais conseguirás ser feliz”.

E ao levantar-se o velhinho olhou bem dentro dos meus olhos e disse: Cuidado com o asfalto, pois ele poderá ser o seu fim, e nunca olhe os homens nos olhos, nunca.

- E bruscamente, sem que eu tivesse tempo sequer de perceber o absurdo que eu acabara de ouvir, o velhinho desapareceu sem dar-me tempo sequer de fazer qualquer observação, e nem dei-me ao cuidado de olhar onde ele descia.

- O que eu acho Anny, é que você não deve viver à sombra das palavras de um louco qualquer que chega e fala as tolices que bem entende.
- Pois é Adolfo, apesar d’eu não tentar pensar no assunto, não consigo, pois tem acontecido coisas que faz vir ao meu pensamento as palavras daquele velhinho, e eu fico apavorada só de pensar que tenha sido alguma profecia.
- Mas por que você pensa assim Anny?
- Olhe Adolfo, eu estou confiando em você, portanto tudo o que eu lhe contar você precisa guardar segredo, promete?
- Não precisa pedir-me isso , quando falei pra você confiar em mim, era para que o fizesse sem medo.
- Adolfo, você conhece o meu tio, o Sandro?
- Já o vi algumas vezes, porquê?
- E que ele tem me assediado ultimamente, ou melhor dizendo, ele tem me perseguido sem trégua, e eu não sei como me defender, apenas tenho fugido dele, e vou ficando mais apavorada a cada dia que passa.
Eu tenho medo que as coisas não fiquem só nisso. É por esse motivo que quando os meninos se aproximam de mim, eu, mesmo sem querer, mostro uma imagem adversa daquela que sou na realidade, pois tem sido essa a maneira que eu tenho encontrado para me defender.
- Eu sempre senti que alguma coisa magoava você, e pode estar certa que eu tudo farei para defendê-la de tudo e de todos.

Nesse momento Anny sente as lágrimas correrem pelo seu rosto...Mas um grito de criança desperta a sua atenção trazendo-a de volta à realidade, ela vai em busca daquele choro, é uma das suas filhinhas, ela acalenta a menina e logo mergulha no passado como sempre, e desta vez com um com um único pensamento.

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- É Adolfo, você esqueceu de me defender de você mesmo...
E mais uma vez ela parece ouvir a voz dele.

- Anny, você gostaria de ir à praia, logo mais à noite? Vai a turma toda.
Ela aceitou o convite... Todos foram e se divertiram, mas para ela, faltava alguma coisa, nada conseguia ser completo ou totalmente satisfatório.
É chegado o término daquele final de semana, ela volta para a casa do seu tio Nestor, mas todos os finais de semana a garota de olhar misterioso e sorriso maroto, como a chamava o Marquinhos, voltava para a praia, e o Adolfo sempre a procurava, sempre solícito, sempre preocupado.
E num desses finais de semana, houve algo que deixou não só os tios dela, bem como ela própria chocada, e mais uma vez o terror se apossara da Anny.
Numa tarde de sábado, estavam todos sentados na calçada da d. Rita, brincando e bebendo, e nesse dia, até Anny resolveu experimentar beber um pouco e como era de se esperar, ela que nunca havia bebido álcool antes, ficou meio tonta e a tia dela resolveu levá-la para o quarto para que ela dormisse um pouco, saiu do quarto, e nesse momento o Sandro chega. O Adolfo vai embora, e assim pouco a pouco a turma foi se desfazendo. De repente d. Rita sente a falta do Sandro, seu irmão, e lembra-se que ele havia perguntado pela sobrinha. Imediatamente ela corre ao quarto, e encontra o Sandro tentando tirar a roupa da Anny.
Indignada a D. Rita quase grita com o irmão.
- O que você pensa que está fazendo Sandro?
- Nada Rita, é que o tempo está quente e eu estava querendo deixá-la mais a vontade.
- Fora daqui Sandro, Ela está muito bem, deixe-a dormir em paz. E você viu que o ventilador está ligado, não havia necessidade de fazer nada, menos ainda de abrir a janela. O que você tinha em mente Sandro?
- Nada, já falei, só estava querendo ajudar.
- Pois, pode ir embora, esta será a sua melhor ajuda.
Ao acordar a Anny estranhamente começa a sentir mais medo e repulsa pelo tio, e ao ser indagada do comportamento pela tia, não sabe explicar, não sabe o motivo, ela só queria que o tio se mantivesse distante dela, e chega a dizer ao tio que aquela casa era pequena demais para eles dois. Depois dessa atitude a d. Rita chama a sobrinha e conta pra ela o que havia acontecido.
À noite Anny conta para Adolfo, e a partir daquele momento, ele se torna um verdadeiro guarda costas, mas nem por isso o Sandro desistiu da sua infâmia perseguição, ao contrário, tornou-se mais acirrada ainda, e ela mais por vergonha procurava se defender sempre ocultando dos que nada sabiam sobre a verdadeira morbidez que havia por trás daquele amor que ele fazia questão de mostrar a todos. Um amor fraternal, mas que só ela sabia e sentia o quanto de vil havia naquele sentimento.
Certa vez, o esposo da Rita, Diva, mandou chamar Adolfo para que acompanhasse Anny até a parada de ônibus, pois Sandro havia chegado e
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era preciso afastá-la dali, muitos o temia , principalmente quando este estava embriagado e endiabrado também.
Adolfo veio, acompanhou Anny até a aparada do ônibus e insistiu com ela para levá-la até em casa, mas ela recusou dizendo não ser preciso, já que ela havia saído sem que o tio percebesse. Adolfo se despede e ela ignorando o pavor que iria sentir, sobe despreocupadamente e se senta, acena para Adolfo que a olha com
aquele olhar terno e ao mesmo tempo preocupado. O ônibus dá a partida, logo depois pára pela primeira vez, e mais um pouco, para novamente, e foi nesse momento que ela viu Sandro surgir, ele parecia ter saído das entranhas da terra. E foi nesse dia que a ela viveu um dos maiores dias de tensão de sua vida.
Sandro a perseguiu como antes nunca havia feito. Ela desceu do ônibus pela porta traseira, já que ele havia subido pela porta dianteira, e apressadamente ela caminha até a Avenida Antonio de Góes, Sandro fica no ônibus, ela toma outra condução, mas ao chegar na primeira parada o tio mais uma vez surge diante dela, como ele era motorista e muito conhecido lhe era fácil conseguir certas vantagens.
Ela desce na Cabanga e segue em direção a rua Imperial, caminhando em sentido contrarío ao subúrbio, depois de caminhar umas três paradas, ela para e se esconde à espera de uma condução que a leve para casa, não está tão receosa, pois sabe que Sandro foi em direção a cidade, portanto, jamais saberia o ônibus que ela tomaria. Os ônibus vão passando: Cavaleiro, Tejipió, Jaboatão... Anny decide pegar o que vai pro Pacheco, claro que teria que andar um pouco para chegar em casa, mas pelo menos era mais seguro, pois provavelmente ele pegara um daqueles ônibus que passara. Sentindo-se em segurança, fecha os olhos e encosta a cabeça e fica pensando em tudo o que está lhe acontecendo. Quanto tempo ficara assim, não sabe precisar, até que de repente uma voz pastosa fala bem próximo ao seu pescoço.
- Vai ficar na garagem querida?
Apavorada ela abre os olhos e dá de cara com o rosto lascivo do Sandro, a fisionomia dele revela crueldade e uma repulsiva libidinagem. Nesse momento ela percebe que o carro está sendo levado para recolher, e estranha pois não percebera a ausência de passageiros, ela notara que havia alguns, mas haviam descido e ela não prestara atenção.
Rindo, Sandro se aproxima do motorista e lhe pede que a deixe em outro ônibus,o mesmo aguarda alguns instantes e faz sinal para um outro motorista que está saindo da garagem nesse momento, ele pára e a Anny sobe, e o Sandro a olha com deboche e vai atrás dela, e logo ela lembra que aquele ônibus passará em frente ao colégio que
estuda. Ao se aproximar do local, logo que avista o colégio ela fala com o motorista que para e a deixa descer. Caminha um pouco e logo vê Sandro em seu encalço. Apavorada ela se põe a correr e logo que chega em frente a escola, pula o muro. Era um pouco alto, mais alguns galhos de árvore a ajuda na empreitada.

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Corre para a casa do diretor, que morava lá mesmo. Conta tudo... ele de imediato manda chamar o Osmar que morava próximo, para que este a acompanhasse até a casa dela. Ela fica um pouco mais calma, mas tão logo eles começam a caminhar, ela percebe estarem sendo seguidos. Ela apressa os passos e o Osmar pergunta;
- Anny, por que o seu Isac mandou me chamar para fazer-lhe companhia em pleno final de uma tarde tão maravilhosa? Confesso que não entendi.
- Sabe o que acontece, é que está ficando tarde para eu voltar sozinha para casa, além disso eu estava com um probleminha, e tem mais... Você devia estar orgulhoso de me acompanhar, ao invés de ficar fazendo perguntas, na verdade isso só prova a confiança que ele tem em você já que ele poderia ter chamado outro garoto.
- Eu duvido que você fosse aceitar
- É verdade... Obrigada por ter vindo
Apesar do Sandro continuar seguindo-os, ela não está mais com medo.
Os dias foram se passando e Anny sempre estava a se lembrar do estranho velhinho que de uma maneira ou de outra, tentou lhe mostrar mesmo que de um modo brusco, o que ele previra para a sua vida. A maioria dos fatos que ocorrem com ela sempre vinha
acompanhado de malícias, de olhares lúbricos e as vezes de gestos libidinosos, e cada vez mais ela se recolhe num profundo e impenetrável estado de quase letargia.
As semanas vão passando e chega dezembro e com ele o fim do ano letivo. A nny volta para a casa dos tios na praia, d. Rita e seu Diva ficam felizes. Certa noite estavam todos reunidos, ela pensava em como se livrar de vez do Sandro, já que este continuava em persegui-la mas de repente ela vê Adolfo chegando, ele permanece um pouco distante de onde ela está, só observando-a, pois todos estavam ocupados fazendo arranjos natalinos, inclusive Alex e Marquinhos, e ela no meio dos ,dois, a frente deles,os tios dela e ao lado os pais do Alex, seu Neco e d. Talia. Anny sempre ficava procurando Adolfo com o olhar e ele a fazer o mesmo, e ela não conseguia entender a atitude dele. Nesse momento o Adolfo se aproxima.
- Olá anny, boa noite gente!
Todos respondem,inclusive ela, só que sem entender, a voz da Anny soara grosseira nesse momento. Passados alguns instantes o Adolfo se dirige a ela de modo brusco.
- Anny, eu não acho correto você ficar sentada ai entre esses dois rapazes
- Quem você pensa que é para ir chegando e falar comigo dessa maneira? cuide da sua vida e me deixe em paz.

Adolfo se afasta e passa a observá-la mais uma vez, o que a deixava mais irritada, e assim ela pensou em se vingar dele usando um dos meninos, e tão logo Alex soube, topou na hora em expor Adolfo ao ridículo, já que o mesmo sentia uma certa inveja dele, talvez porque o Adolfo mostrava uma certa maturidade que os demais não possuíam. E tão logo ela começou a gozação, se arrependeu, pois os demais incentivados pelo Alex resolveram
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tomar parte, o que a deixou envergonhada da sua atitude. De repente ela tomou consciência da sua grande falta de tato, principalmente ao fitar o
olhar do Adolfo e ler a mensagem que ele conseguia transmitir-lhe, era uma acusação muda, sempre a dizer-lhe que ela não passava de uma tola infantil.
- Boa noite!
Em meio aquele clima de hostilidade, ouviu-se a voz do Adolfo, que mais que uma despedida, soava como um gesto de desprezo.Ele se foi e com ele toda a vontade delo de brincar
- Gostei do fora que Adolfo levou.
- Não vejo porque gostar Alex, já que você em nada é melhor que ele.
O garoto se afasta magoado, ela olha para a tia e vê no olhar da d. Rita a expressão de discórdia e era a mesma que ela havia visto momentos antes quando destratara o Adolfo.
No dia seguinte a d. Rita repreende a sobrinha pelo comportamento indesejável e ela fica calada pois sabe o quanto havia errado.

À noite Adolfo voltou e agiu com superioridade, comportou-se como se nada houvesse acontecido na noite anterior.
- Posso ficar um pouco com você Anny?
- Claro Adolfo, eu adoraria.
Anny tenta reparar o que havia feito na noite anterior.
O Adolfo se entusiasmou, mas não tentou ser mais agradável do que costumeiramente seria. Ficaram conversando até que o restante da turma começaram a chegar. E todos
pareciam ter esquecido o infeliz incidente. Alex começou a tocar violão e Diva se pôs a cantar, já que ele tinha uma bela voz. Ela olhava embevecida para o tio, até que alguém teve a ideia de irem para a praia, os aplausos mostraram que a proposta havia sido bem aceita, e assim continuaram com aqueles momentos de divertidas descontrações a beira mar. Diva continuou cantando, uns acompanhavam, outros apenas escutavam. Na roda que foi formada, ficaram os tios da Anny, a D. Rita por sinal com a barriga muito grande, ela já estava a poucos dias de ganhar bebê, o que já inspirava certos cuidados, os pais do Alex, que por sinal estavam um pouco calados, já em compensação os garotos, Alex, Marquinhos , Fernando e Hélio, todos estavam muito animados, enquanto que Anny se mantinha um pouco afastada, perdida em seus devaneios, com Adolfo a olhá-la com um olhar que mais parecia uma carícia.
- Quanto quer por seus pensamentos Anny?
- Oi! sabe que me assustou Adolfo? eu me desliguei um pouco e estava a sonhar.
- Será que a sua vida é feita apenas de sonhos? será que não há um só momento em sua vida que a faça voltar a realidade,podendo dessa maneira sentir a falta de alguém? refiro-me a alguém que lhe queira, que a ame e que a faça pensar em viver o dia a dia de uma forma mais real, esquecendo assim as suas fantasias?
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- Não sei, sinto-me bem assim, ao menos não me machuco. Você sabe que entre nossos companheiros,poucos são os que se dão ao luxo de não sofrer por amor? e veja você, eles mal começaram a viver, portanto, eu prefiro que seja assim, da forma que sou, é melhor sonhar que sofrer. E quanto a você, não és feliz como estás? pois quando se gosta, geralmente se está preocupado com a pessoa amada, e não se tendo um alguém, vive-se melhor, nos perdemos em devaneios loucos, como são os meus pensamentos, e então,não concordas comigo?
- Não posso concordar com tudo que acabo de ouvir, pois eu não creio que só se vive de ilusões. Preste bem atenção no que vou falar, quanto a mim, eu não posso dizer que sou infeliz, como também não posso afirmar que sou completamente feliz, pois falta-me alguém.Para você é fácil viver de sonhos, mas para mim é doloroso, pois muitas vezes eu sinto-me infeliz,pois eu desejo desesperadamente ver transformado em realidade meus mais ardentes desejos e meus mais obstinados sonhos. Sabe Anny, falta pouco para que eu venha a sentir-me completamente feliz, só que esse pouco que me falta, representa o tudo da minha vida, pois é tudo o que possuo no coração, e esse tudo a que me refiro, é você. Dói-me ficar imaginando que a estou tocando, que estou beijando-a, quando na verdade tudo não passa de fruto da minha imaginação alienada. Sofro cada vez mais ao tê-la tão perto e senti-la cada vez mais distante de mim.

Anny já não mais o ouvia, ela estava se sentindo infeliz. Cabisbaixa se põe a escutar o barulho das ondas ao se chocar nas pedras, Já não ouve o pessoal na farra. Levanta-se e se afasta do Adolfo, sai caminhando pela beira da praia, sentindo-se impotente ao perceber que não se sente capaz de aliviar o sofrimento do dele. Fica observando as ondas a se desmancharem em espumas e estas virem a morrer lentamente sobre a areia, e ela começa a imaginar: - Será meu Deus que eu não sou assim? como essas ondas... Sou repleta de sonhos, mas quem sabe provavelmente todos irão morrer lentamente, apesar da intensidade dos mesmos.

E hoje Anny sabe o quanto estava certa ao pensar daquela maneira, pois tantos anos se passaram, e com eles os seus sonhos também, pois estes se perderam na poeira das estradas da vida, e mesmo assim ela continua a sonhar, mesmo sabendo de antemão que seus sonhos jamais se realizarão.
Mais uma vez ela fica a observar a natureza e se transporta para uma época, não tão distante pelos sentimentos adormecidos dentro de si. Fecha os olhos e mais uma vez mergulha no seu estonteante passado.

Anny está apreensiva, pois a sua tia foi para a maternidade. Ela aguarda noticias ansiosa. E não demora muito ela fica sabendo que nasceu um lindo garoto, o primeiro filho dos seus tios. Ao retornar para casa, a felicidade é geral, e é nesse clima que os dias vão se passando. Ela estava admirando o priminho quando a tia fala:
- Anny, Adolfo está ai.
-
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Tia, por que não falou que eu não estava?
- Não minha filha, eu não podia fazer isso, acho melhor você ir até ele e perguntar o que ele quer.
- Está bem, já vou.
Embora ela estivesse intimamente satisfeita por revê-lo, não o demonstrava, e pior ainda, não admitia nem mesmo para si.

- Boa noite Adolfo!
- Oi Anny, tudo bem?
- Comigo, tudo bem, e você, como tem passado?
- Eu pra lhe falar a verdade estou um pouco cansado, mas nada sério, apenas tenho pensado muito em você, estou com muitas saudades, afinal são três dias que não a vejo.
Ela dá um sorriso e finge ignorar o assunto, ela não diz nada a respeito, tem medo de feri-lo. Ela sai caminhando para a rua e ele a segue. Permanecem conversando. Ela chateava-se profundamente com os comentários que as pessoas não perdiam a chance de fazer sobre eles, principalmente por saberem do verdadeiro sentimento que ele nutria por ela, e por ela não ligar à mínima. Talvez por isso muitas vezes ela fosse indelicada com ele, especialmente quando o via chegar, tantas vezes se humilhando por um pouco de atenção.
- Anny, já vou, eu gostaria de ficar um pouco mais de tempo,porém, já se faz tarde e é preciso que eu vá. Antes me diga, você vai viajar este final de ano,ou pretende passá-lo conosco?
- Ficarei aqui mesmo Adolfo, só viajarei duas semanas depois.
- Ótimo Anny, será a minha melhor festa, já pensou que eu finalmente terei a oportunidade de dar-lhe um beijo?

Após dizer isto o Adolfo se vai, deixando nela um misto de tristeza e alegria, que no silencio da madrugada, ao não conseguir dormir descobre que: Tristeza ela havia sentido com a partida do Adolfo, e alegria ao saber que ele no dia seguinte estaria de volta. Mas ao cair da noite do dia seguinte, a sua tia que havia reparado em seu estranho comportamento, pergunta-lhe:
- algum problema Anny?
- Não tia,por que pergunta?
- É que você passou todo o dia calada, e agora a noite parece ansiosa, por acaso espera alguém?
- Mas é claro que não... Apenas estou pensando na vida.
- Pois desde ontem que você tem pensado muito na vida Anny, por acaso não seria o Adolfo o motivo de tudo? -pergunta-lhe o tio.
- Tio, você anda lendo demais ultimamente, imagine se o Adolfo é importante a esse ponto.
Seu Diva fica rindo, e não faz mais nenhum comentário, e a sobrinha se recolhe em um mundo de indagações, pois sabe que o tio tem razão. Continua na expectativa da espera, mas as horas se passam e o Adolfo não
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vem.
- Rita, você sabe o motivo dessa carinha de sofrimento da Anny?
- Não Diva, você sabe?
- Claro, é porque o Adolfo não veio.
- Não seja absurdo tio! Imagine se eu iria me incomodar com isso. Acontece que os garotos não passam de uns tolos, e só sabem conversar bobagens, e antes que eu me aborreça mais, é melhor eu ir dormir.
Mas naquela noite, ao deitar, pela primeira vez a Anny chorou por alguém, sem saber que esta seria a primeira de uma centena que iria acontecer, pois a sua história com o Adolfo nem sequer havia começado.

Amanheceu! o dia transcorre na expectativa dolorosa, Anny estava ansiosa e não encontrava uma explicação lógica que a deixasse satisfeita diante do seu estado de espírito. Logo cedo da tarde ocorreu um fato que deixou-a deprimida, apesar de ter se divertido com a situação. Tudo começou quando o Alex veio falar namoro a
ela, e após ouvir um não, se foi chateado. Seu Diva observava calado, e logo em seguida apareceu Marquinhos, depois Hélio. O tio dela se divertiu com a situação. Ao final da tarde surge um rapaz que não fazia parte da turma, talvez por ser mais maduro, ele era conhecido como Toinho, e Anny já havia reparado nele, pela maneira como ele a olhava, muito embora nunca tivesse lhe dado atenção. Ao pedi-la em namoro e receber um não como resposta, se vendo descartado, observa que ela brinca com as unhas sem lhe dar atenção, ele inesperadamente, com ousadia, ao ver que a posição lhe favorecia, já que Anny estava sentada na calçada e ele em pé, se inclina rapidamente e dá um beijo na nuca. Ela levanta a cabeça com o rosto vermelho de indignação, pronta para colocá-lo no seu devido lugar, mas fica sem ação ao deparar com Adolfo que assistira a cena, imaginando ser realidade aquilo que ele mais queria para si e ela sempre lhe negara. Com o olhar triste, um olhar que ao mesmo tempo parecia querer rasgar o íntimo dela e desvendar-lhe todos os seus segredos, Adolfo se vai sem ao menos cumprimentá-la. Toinho ri e se afasta dizendo;
- O seu queridinho ficou magoado e imaginando mil coisas, você não vai correr atrás dele e lhe contar a verdade? Se bem que isso não fará nenhuma diferença, ele não vai acreditar em nada do que você disser, pois o que ele presenciou só acontece entre casais enamorados.
Ele se afasta rindo ela compreende que ele só agira assim por ter visto o Adolfo.
Momentos depois o Adolfo retorna. Ela fica feliz, mas ele estava muito magoado, e só retornara para magoá-la também, trata-a de maneira rude. Ela se revolta, tenta explicar o que aconteceu de fato, e ele parece prestes a acreditar, mais um pouco e tudo teria dado certo, mas nesse momento, Toinho passa por eles e fala para pra ela que logo estará de volta. Adolfo a olha de maneira ofensiva e ela termina por se irritar e manda-o embora. Ele se vai e ela fica pensando no que ele havia lhe dito, que fora até ali para
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realizar o seu maior sonho, ficar com ela, falar com os tios dela,mas ao invés disso só tivera decepções.

Após a partida do Adolfo, ela resolve se preparar para logo mais à noite, seu único
desejo era agradá-lo, só não sabia o que fazer para conseguir o seu intento.
A chegada da noite, trouxe um pouco de alento para o espírito dela, pois ela tinha certeza que o Adolfo viria, por certo ele não falharia. Mas a noite chegou, se foi e ele não apareceu. No dia seguinte ela vai até a cada dele, mas ele havia saído. Mais um dia que passa e ele não aparece. No dia seguinte a Anny passa em frente a casa dele mas não o vê. Ela está desesperada. O seu desejo é pedir-lhe desculpas e tentar esclarecer tudo, mas nada consegue.
Na tarde do terceiro dia d. Rita sente pena da sobrinha e convida-a para um passeio, ela aceita, não muito satisfeita, pois não quer se afastar de casa, com receio que o Adolfo surja e ela não esteja. Mas logo fica contente quando vê a tia se dirigir para a rua do Adolfo, D. Rita para na casa do Adolfo e conversa um pouco com a mãe dele, mas a Anny não o vê. Nesse momento, a mãe do Adolfo, que também se chama Rita, se dirige para a Anny, sorri e diz que o Adolfo saiu, ela fica um pouco envergonhada, sorri e chama a tia para voltar pra casa.
À noite o Adolfo aparece. Ela fica feliz, mas ele diz que veio porque soube que ela
havia ido a casa dele procurá-lo. Enraivecida, ela diz que não é verdade, que ela jamais se abalaria para ir a procura de alguém, menos ainda dele. O Adolfo fica chateado com o tom de desprezo usado por ela e resolve ir embora.
Ele se vai, prometendo que apesar de tudo voltaria na noite seguinte,pois ele não perderia a chance de cumprimentá-la justo naquela noite. Quando o romper do ano deixava todos eufóricos e ele iria fazer o que o deixaria realmente feliz... Realizado.

- Mas que noite linda! - Fala a Edna, uma jovem que morava perto dos tios dela.
E a mesma começou a conversar e Anny desejando que a moça fosse embora, mas tinha que ser gentil e tratou de ser o melhor possível. Mas valeu o esforço, pois a mesma lhe disse ter visto o Adolfo muito elegante e bem próximo dali. Ela fica esperançosa quanto a chegada do dele. A jovem sai e deixa Anny que de repente começa a se sentir terrivelmente sozinha. Inexplicavelmente a presença de todos que iam chegando lhe incomodava, deixando-a mais solitária. Começa a ver o quanto de futilidade havia na conversa dos meninos, e a medida que o tempo ia passando, foi ficando mais triste pois Adolfo não aparecia.
Meia noite! A euforia era geral, mais um ano que morria para dar vida a um outro que despontava. Todos se cumprimentavam com alegria, só Adolfo não chegava. Ela continua esperando mas é em vão. Desesperadamente
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tenta encontrar um jeito de vê-lo, pois sente que é necessário falar-lhe, abrir-lhe o coração, é bastante que ele lhe dê uma chance para que ela consiga fazer isso. De repente um vulto chama a sua atenção, é ele... Nova decepção, pois tratava-se do Hélio. Aos poucos todos foram chegando, menos Adolfo. - Com certeza estava na casa da namorada. -Pensa a Anny, ele a havia enganado todo esse tempo, só podia ser isso. E com os olhos cheios d'água ela volta a se lembrar da promessa que o Adolfo havia feito, ela achava que merecia o castigo que lhe impunha o mesmo. Decidida a por um fim naquela espera, dirige-se aos pais do Alex, seu Neco e d. Talia e os chama para dar uma volta, inocentemente sugere a rua do Adolfo. e os pais do Alex imediatamente atendem ao pedido dela, esta se despede dos tios e sai a passear. Passam pela casa dele, ela

olha rapidamente, mas não pára, continuam a descer a avenida, quando de repente ela o vê, e após cumprimentar rapidamente os pais do Alex, ele olha para ela e diz:
- Perdoe-me por eu não ter ido em sua busca, mas eu precisava tomar um pouco de coragem para cumprimentá-la, e quero aproveitar esse momento para fazer o que mais desejo na minha vida, abraçá-la e beijá-la.
Ato contínuo, ele a abraça e a beija, apesar de não ter sido da maneira que ela esperava, mas ela pode sentir na simplicidade do gesto, tudo o que ele gostaria de falar. então Anny olha-o bem dentro dos olhos e fala:
- Adolfo, desejo que você conquiste em 72, tudo aquilo que não conquistou em 71, inclusive eu... Quero dizer, inclusive a minha amizade, e que esta seja duradoura, repleta de lealdade e sem aborrecimentos, como tem sido até agora.
Eles se despedem e o Adolfo promete logo mais ir cumprimentar os tios dela, e conversar um pouco com ela. Após retornarem da caminhada o seu Neco comenta sobre o fato do Adolfo ter bebido um pouco.
- Sabe Talia, eu não sabia que o Adolfo bebia.
- E nunca bebeu Neco, só que você não ouviu ele dizer que precisava arrumar coragem, onde ele ia conseguir isso? na bebida, claro, o coitado está realmente apaixonado e
perdido... Completamente perdido.
E o Adolfo vai para a casa da d. Rita, cumprimenta-os e se afasta um pouco e passa toda a noite em frente a casa do seu Diva, dançando e olhando para Anny. A noite terminou e ela não ficara de todo satisfeita, pois o que ela queria mesmo é que ele tivesse ficado a noite inteira com ela. Mas nos dias que se seguiram eles se viram praticamente todas as tardes e noites,pois se aproximava o dia dela voltar pra Caruaru, e eles sabiam que iria demorar muito pra eles se verem outra vez.
- Anny, voê vai embora amanhã, não é?
- Sim Adolfo, infelizmente vou.
- Infelizmente por quê?

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- Por nada. Bobagem minha
- Posso ir visitá-la Anny?
- Não, é melhor que não.
- E o que farei quando a saudade começar a me matar lentamente? Sei que morrerei de amor.
- Imagine... Não seja tão dramático. Tão logo eu vá embora, você arrumará outra para me substituir
- Impossível Anny, amor verdadeiro só se ama uma vez, a primeira e para sempre.
- Não Adolfo, eu tenho certeza que serei esquecida, isso dói, mas é melhor que seja assim, cada um para o seu lado. Sou complicada e você sabe disso. Seremos amigos, sempre amigos, prometo que haja o que houver, nunca deixarei de confiar em você.
Se despedem e naquela noite ela chora copiosamente, ela não entende porque doeu tanto aquela despedida.
Ela não entende que o que tanto a machuca não é apenas a sua partida e sim, o fato de ter que deixar o Adolfo para trás.



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O II CAPÍTULO JÁ ESTÁ DISPONÍVEL

DE VOLTA AO PASSADO CAP III




"- Será que posso olhar pra esses lindos olhos sem enlouquecer Anny? Pois com certeza eles têm feitiço, aliás você é toda feitiços, e eu estou encantado desde a primeira vez em que a vi.
- Isto é porque você me olha com os olhos da paixão.
- Duvido Anny, você é que nasceu para enfeitiçar-me, para tirar meu sossego e me ver render-me aos seus pés..."



CATEGORIA: ROMANCE

CONTINUAÇÃO:

III CAPÍTULO


O dia está maravilhoso, há três dias que chovia sem parar... A Anny está pensativa,ela observa a filha mais velha que saíra para o jardim para brincar , entra no quarto e olha a criança que está no berço dormindo... Semblante sereno, e de repente aquele par de olhos verdes a olha com intensidade, daqueles lábios rosados sai um pequeno sorriso, a sua pequenina filha fecha os olhos e volta a dormir. Ela volta para a janela, e observa o frescor daquela manhã, com um tímido sol que insiste em se fazer notar, e ela logo volta a pensar no seu passado, que paradoxalmente está a cada dia mais distante, e cada vez mais presente... Mais perto. E ela revive saudosa, momentos inesquecíveis, onde se vê a correr pela praia em um lindo entardecer. Ah! Como é viva aquela lembrança... Aqueles momentos... O Adolfo a acompanhara até a parada do ônibus, ela precisava ir pra casa.
- Anny, vamos caminhar um pouco pela praia?
- Não devo Adolfo, não posso me demorar, afinal passamos a tarde juntos e logo mais a noite irás lá pra casa.
- Mas para mim ainda é pouco Anny, vamos esquecer por um momento que existe um mundo que não seja apenas o nosso, vamos fingir que somos livres, que na terra só existe nós dois. Vamos desfrutar desse lindo final de tarde. Veja como é belo a tarde se preparando para dar lugar a noite, e essa paz que emana de você é tão gratificante a alma, como o crepúsculo é aos olhos. Por favor minha querida, fique mais um pouco.
Ela gostaria de transmitir ao Adolfo o quanto havia de fragilidade nessa paz que ele tanto amava, pois ela só existia porque era dele que ela recebia, mas quando ele partia, a levava consigo,só restando o desespero da incerteza, de uma dúvida cruel se ele iria retornar e com ele toda aquela segurança que ela sentia.
- Está bem Adolfo, ficaremos um pouco.
E assim passaram a caminhar pela praia, tendo a água, vez por outra a banhar-lhes os pés, e logo ela é invadida por uma sensação de liberdade, então se põe a correr... ela sente uma necessidade constante de alcançar aquela paz que chegava e parecia partir levada pela brisa. Ele começa a persegui-la e se sentem livres como os pássaros em seus vôos, a com certeza de saberem-se belos e puros, livres para amar... Para viver. Repentinamente ela cai e ele alcançando-a aprisiona-a entre seus

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braços e murmura:
- Consegui finalmente fazê-la minha prisioneira e nunca mais a deixarei fugir... Você é minha e sou muito feliz por isso.
E com a voz entrecortada pelo cansaço prossegue: - Eu a amo desesperadamente, você é tudo para mim, sem você sou apenas metade, preciso me completar e sem você jamais conseguirei isto... És tudo o que desejo da vida.
- Adolfo, por favor deixe-me pensar, dê-me um tempo, receio não saber dizer o que eu realmente gostaria.
- Então Anny nada fale, eu direi tudo por nós dois.
- As coisas não são tão simples assim... Por Deus não me torture.
Ela sabia exatamente o que gostaria de dizer, mas em sua mente surgem imagens que a enchem de terror, e assim ela se entregava aquele mutismo, onde ela não conseguia demonstrar toda a afeição e admiração que sentia por ele.
Permanecem um longo tempo deitados sobre a areia. O silêncio perdurava entre eles. O som das ondas que chegava até eles se desfazia quando estas mansamente deslizavam por sobre a areia, e ambos continuavam embevecidos contemplando o crepúsculo. Era um quadro divino, como divino era aquela paz que os envolvia, muito embora ela estivesse com o coração em tumultuado desespero.
- Será que posso olhar pra esses lindos olhos sem enlouquecer Anny? Pois com certeza eles têm feitiço, aliás você é toda feitiços, e eu estou encantado desde a primeira vez em que a vi.
- Isto é porque você me olha com os olhos da paixão.
- Duvido Anny, você é que nasceu para enfeitiçar-me, para tirar meu sossego e me ver render-me aos seus pés. E como eu amo tudo o que vem de você, amo também esse poder de sedução e que só você tem e que tanto me atrai. Tudo em você me fascina, mas é de tal modo que as vezes me sinto um tolo por adorá-la tanto, e lhe digo mais, você tem um ar ingênuo, inocente, mas na verdade seus olhos desmentem tudo.
Ela permanece calada, fita-o nos olhos e percebe o quanto ele está penetrando no seu íntimo, tentando ler o que se passa em sua alma, mais uma vez porém ele não consegue decifrar o que lá continha. Ele continua a olhá-la e em cada centímetro do seu corpo


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ela podia sentir a carícia do olhar dele, e todo o seu corpo exulta ao som dos frêmitos de amor que a envolve por inteiro. Mas ela não consegue demonstrar o que ia dentro de si, ela era como um livro fechado para ele.
- Eu gostaria de poder conversar com você abertamente Adolfo, sem receios, sem vergonha, mas eu não consigo. Talvez eu emudeça diante da intensidade dos seus sentimentos, acho que me assusto e temo ser magoada.
- Eu jamais a magoarei Anny, eu a amo muito, mais do que tudo na vida, como poderei faze-la sofrer.
- Não sei, não sabemos as conseqüências, nem estamos preparados para o amanhã, e este você sabe que existe, e não sabemos o que nos reserva.
Eles permanecem calados. De repente percebem o adiantado da hora. Ele a leva até a parada do ônibus e com um beijo ardente se despedem.Ele fica olhando-a, sem saber que toda a alegria dela se esvaíra, e isso era algo que ele nem imaginava, como não imaginava que ela contaria as horas que faltaria para um novo encontro, já que não daria mais para ele ir pra casa dela aquela noite. Ela relutava em contar-lhe o que tanto a afligia,sentia de certa forma vergonha pelas atitudes de alguns que nunca se importaram em magoá-la, e isso era algo que tentava esquecer.
Um dia ela descobre uma maneira de aliviar o seu desespero e ter assim um pouco do Adolfo próximo, apesar da distância, pois ela não suportava mais a sensação de abandono a cada partida dele. E assim ela passou a escrever poesias, e ele escreve para ela dizendo que amara cada palavra escrita, ela fica embevecida, e mais ainda quando ele ao retornar, olha-a com aquela expressão forte de amor e devoção. Os dias foram se passando, cada reencontro era uma felicidade nunca dantes sentida.
Um dia ela volta a trabalhar, mas sempre que o Adolfo chegava eles ficavam a maior parte do tempo juntos, quando não estavam na casa dela, estavam na casa dele, principalmente quando ele chegava muito tarde e pernoitava na casa dela e pela manhã, logo cedo iam para a casa dele.
Certa vez o Adolfo pediu a d. Rejane para irem a uma abertura de verão na praia de boa viagem, a mãe da Anny não se opõe, apenas disse a ele que cuidasse bem da filha dela.
Foram para a casa dos pais dele, mas logo em seguida saíram para a festa. A Mariluce


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já havia ido com o Renato, o irmão um pouco mais novo que o Adolfo, mas no meio do caminho o Adolfo desvia e fala pra ela:
- Anny, eu sei que você está cansada, pois quando eu fui buscá-la, você ainda não havia chegado de viagem, que tal irmos para um lugar mais tranqüilo, ficaremos a sós, eu sei que você não gosta de barulho e lugares tumultuado, e eu fico sabendo da razão de sua viagem a Caruaru.
- Por mim tudo bem, onde você gostaria de ir?
- Conheço um lugar do jeitinho que você gosta, ao ar livre e sem ninguém por perto, com uma noite linda dessas será o máximo, e aí, topas?
Ela se deixa levar pelo Adolfo.
- Adorei o lugar, é um recanto lindo, tranqüilo... Não será perigoso?
- Comigo você estará protegida.
E ele mostra a arma que leva consigo.
Sentados sobre a relva conversam sobre a viagem dela. Nisso, ele começa a falar pra ela sobre o seu amor, a saudade que o estava deixando abatido e em muitas vezes distraído a ponto de já estar prejudicando-o no quartel. Ela fica escutando feliz, ele a amava, a distância não diminuía os sentimentos dele, ao contrário, aumentava ainda mais.
- Anny, deixe-me tocá-la,nada irei fazer, só quero senti-la um pouco mais, estou desesperado de amor.
- Oh! Adolfo...
Ele começa beijando-a e acariciando-a de maneira que ela jamais pensara nem sequer sonhava que existia. A língua dele parece uma labareda de fogo. Chocada, ela exclama:
- Meu Deus! Adolfo...
- Perdoe-me Anny, mas eu precisava tocá-la assim, senti-la assim, eu a quero e desejo desesperadamente. Não fique assustada, eu jamais faria algo assim com quer que seja, só a você amarei desse jeito e só a você me darei assim, eu a amo e a quero sentir assim... Saberei esperar o tempo certo.
Apesar de um tanto relutante ela tenta compreender a atitude do Adolfo, ela era inocente sobre o que estava acontecendo e ele sabia disso, embora ela pressentisse o

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que estava por vir.
As semanas foram passando. Adolfo não tentou maiores intimidades com ela, mas havia algo estranho no ar, era como se ele estivesse envergonhado do que fizera, ou não? Ela não sabia responder, mas o achava abatido, era como se ele não estivesse dormindo bem.
- Adolfo o que é que está acontecendo com você, estás doente? O que o tem deixado abatido dessa forma?
- É o amor Anny, estou doente de amor e a culpa é sua, há noites que venho sonhando com você e com tudo o que poderei lhe dar... Deixe-me possuí-la, amá-la como nunca alguém a amou.
- Eu tenho medo Adolfo, muito medo.
Ele não volta a insistir, mas ela sente que ele está mudando. Um dia ela chega a casa dele, conforme haviam combinado na última folga dele, só que ela havia dito que não ia, embora fosse apenas pirraça, no dia combinado ela aparece, mas assim que chega, a d. Rita, mãe do Adolfo chama a Anny e diz:
- Anny, aí tem uma moça que já foi namorada dele, agora vive atrás do meu filho, mas ele não a quer. Eu ouvi ela falar pra ele que quer que ele a leve em casa, não deixe minha filha, ela só quer fazer raiva a você.
- Tudo bem d. Rita, tentarei impedir do Adolfo levá-la.
Anny entra e beija rapidamente o Adolfo e diz que precisa falar com ele. Este fica surpreso ao vê-la.
- Oi Anny! Resolveu vir? Estou contente, mas o que é que a loucura da minha vida tem pra me dizer, será que é o que eu estou pensando?
- Não, é que a sua mãe me disse que você vai levar essa moça em casa, é verdade?
- É sim Anny, eu pensei que você não vinha, aí prometi a ela que a levaria. Mas não se preocupe, eu não me interesso por ela, só quero você.
- Eu acho que você não deve levá-la em casa, será que você não percebe que ela só quer me irritar?
- Não precisa ficar irritada, pois eu não vou demorar, fique aqui me esperando que eu logo estarei de volta pra você, prometo.
- Será que você é tão cabeça dura assim? se você insistir com isso, juro que não

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mais me tocará.
- Anny, como você é caprichosa,pois é isso essa zanga toda. Ou será que você está com ciúmes? Se for isso , eu serei o homem mais feliz da terra. Responda Anny... Você está com ciúmes?, porque se assim for eu juro que não a levarei em casa,não importa que eu venha a faltar com apalavra.
- Eu com ciúmes... Esse foi o maior absurdo que eu já ouvi eu jamais sentiria ciúmes de quem quer que fosse menos ainda dessa aí.
- É Anny, não adiantou nada o meu jogo, sinto muito. Eu vou levar a Claudia em casa, mas me espere que eu volto logo.
Adolfo sai e ela fica pensando: - Seria tão fácil admitir que estava morrendo de ciúmes, mas o orgulho dela jamais permitiria, nem mesmo para ela própria. Nesse momento a Mariluce se aproxima com a d. Rita e começam a conversar, mas a Anny demora pouco. Se despede e vai embora.
- Você não vai esperar o Adolfo Anny? Eu tenho certeza que ele não vai levá-la em casa.
- Não Mariluce, tenho coisas mais importantes a fazer.
Anny está furiosa, mas sabe esconder muito bem e assim ninguém percebe. Dirige-se para a parada do ônibus quando no caminho encontra com o Nielson, se ex namorado. Eles começam a conversar e não percebem quando o Adolfo se aproxima. Este, ao chegar perto, olha para eles, o seu olhar reflete a fúria que lhe ia na alma, ela fica um pouco assustada,pois nunca imaginou encontrar tanto ódio no olhar dele, ela sempre o julgou superior a sentimentos mesquinhos. E mais uma vez ela não demonstra o que sente. O Adolfo ao passar por eles, a empurra e segue o seu caminho. Essa atitude inesperada pegou a eles desprevenidos.
- Anny, o Adolfo não gostou de nos ver juntos, afinal um dia já fomos namorados.
- Problema dele, não estamos fazendo nada demais, apenas conversamos um pouco, além disso, ele não tem que achar nada, pois ele saiu para levar uma ex namorada em casa. Não tenho culpa se ele desistiu.
Logo em seguida ela se despede do Nielson e vai embora. Intimamente ela estava feliz porque o Adolfo não levara a Claudia em casa, ao mesmo tempo estava se sentindo triste, pois se ela não tivesse sido tão precipitada, nesse momento estaria na beira


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da praia, nos braços do Adolfo, desfrutando desse maravilhoso momento de reconciliação. Ela pega o ônibus e vai embora pra casa, nem ao menos se lembrou de ir até a casa da tia. E naquela noite a Anny com a mente agitada adormece sofrendo com a ausência do Adolfo. Ao acordar no dia seguinte, ela resolve ir para a casa da tia. O Diva percebe a tristeza dela e pergunta pelo Adolfo:
- Anny, onde está o Adolfo, por acaso vocês brigaram?
- Não tio, ninguém brigou... Engraçado, eu e o Adolfo nunca brigamos, nem mesmo discutimos, deve haver alguma coisa errada, isso não é normal, pois quer dizer que há alguém sempre cedendo em benefício do outro, e como eu não deixo de fazer o que gosto ou que quero, quer dizer que ele não é feliz.
- Realmente Anny, você não pode só querer receber, é preciso dar também, afinal o amor é feito de troca mútua.
Nesse momento a tia dela avisa que o Adolfo acabara de chegar perguntando se ela estava ali.
- Anny, o Adolfo está aí.
- Já estou indo tia.
Ela se aproxima do Adolfo,pensa em tantas coisas para dizer, mas não consegue e simplesmente emudece.
- Oi Anny, como estás?
- Bem,muito bem, embora eu acredite que isto não lhe interessa nem um pouco.
- Não vamos começar a nos agredir, por favor.
- Certo, vamos dar uma trégua, afinal eu não sei porque estou agressiva.
Eles saempara a calçada e começam a conversar.
- Anny, perdoe-me pela minha atitude de ontem, eu só queria provocar ciúmes e assim ter certeza dos seus sentimentos para comigo. Ontem quando eu saí para levar a Claudia, sabia que jamais a levaria, o máximo que eu poderia fazer seria acompanhá-la ate a parada de ônibus, e foi o que eu fiz. Eu não podia demorar, pois eu havia deixado o meu coração em casa. Mas sinceramente, eu quase fiquei louco, quando ao voltar deparo-a conversando com aquele sujeito.
- Adolfo, aquele sujeito tem nome. E nós estávamos apenas conversando, e isto você


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teria visto se não passasse como um furacão e fosse civilizado o suficiente para cumprimentar as pessoas ao invés de me agredir com empurrão. E nós falávamos sobre você e a sua atitude para comigo,, pois para quem diz morrer de amor por mim, até que foi bastante estranho o seu comportamento. E ali mesmo nos despedimos. Mas eu gostei Adolfo, pois tenho a certeza que você ficou se corroendo de ciúmes, pensando que nós havíamos passado mais tempo juntos.
- Anny, eu passei a noite atormentado, eu quis fazer ciúmes a você e de repente me vi louco de ódio, pensando que ele estava com você,levando-a pra casa, e até tocando-a. Eu fiquei desesperado, queria ir até a sua casa mas eu temia encontrá-la nos braços dele. Que noite infernal, não quero passar por isso nunca mais. Mas eu fui um tolo, eu devia saber que a minha feiticeira jamais faria isso comigo. Foi insegurança minha,é que é amor demais em mim, e em você eu tenho certeza que esse sentimento não existe.
- Ainda bem que tudo terminou em paz, embora você não acredite, o nosso rompimento me afetaria bastante, só eu sei. Você é uma pessoa muito especial, um grande amigo e eu não quero perdê-lo.
Ela sabia que não estava usando as palavras corretas, mais uma vez ela não consegue livrar-se daquele sentimento que a persegue desde a adolescência.
- Anny, vamos conversar um pouco andando pela praia?
- Não Adolfo,não agora... Deixe para logo mais ao cair da tarde e poderemos desfrutar da beleza do por-do-sol.
Ele concorda, mas pede a ela que o acompanhe até a casa dele. Ela concorda e entra em casa pra avisar a tia. Ela vai com ele. Após o almoço eles vão para o quarto da d. Rita, mãe do Adolfo, e passam uma tarde agradável. Os familiares dele ficam satisfeitos ao ver que entre eles está tudo bem. O Adolfo passara a maior parte do tempo com a cabeça no colo da Anny, até que rindo ele pede para trocar de lugar com ela,pois com certeza ela já estava cansada, ela aceita e ficam assim até o momento dela ir embora.
- Sabe Adolfo, eu preciso ir, ainda vou falar com a minha tia.
- Então Anny, você vai, enquanto isso vou tomar um banho e logo em seguida vou pra

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casa da sua tia, te apanhar. Concorda?
- tudo bem, estareiesperando-o.
Ela se despede de todos, ele a beija e ela segue saltitante para a casa da tia. No caminho encontra o Nielson.
- E aí, fizeram as pazes?
- Está tudo bem entre nós.
- É uma pena Anny, eu ficaria feliz com esse rompimento. O que está errado entre vocês, é que o Adolfo é muito imaturo, você precisa de alguém como eu. Se você terminar esse namoro, eu garanto que ele não vai morrer. Eu não morri quando isto aconteceu comigo.
- pois é, mas acontece que entre nós o papo é outro.
O Nielson a olha com cinismo, ela não compreende, pois ele nunca agira assim antes. Ela sai pensativa, ao chegar fica conversando com a tia. Toma um banho rapidamente, e tão logo termina, o Adolfo chega. Eles saem caminhando em direção à praia. Nisso o Adolfo avista o Nielson e pergunta para ela o que ele queria com ela, quando ela vinha da casa dele. Ela pela primeira vez mente para ele.
- Ele queria saber se estávamos brigado,pois ele estaria disposto a procurá-lo e dar-lhe explicações.
- Espero que ele nunca se aproxime de mim para falar sobre você, eu não o permitiria, com certeza eu o agrediria.
Anny segue calada, ela nunca havia parado pra pensar que o Adolfo era como todos... Simples mortais.
Ao chegar a praia, ela se põe a correr, o Adolfo a persegue, depois a pára, a põe nos braços e continua a correr, mas logo pára exausto, olha para ela e a convida para irem até as pedras, que ficava um pouco distante da praia.
- Venha Anny, eu a levarei nos braços, para que não se molhe.
Ao chegarem nas pedras, ele a coloca em segurança, se deita ao lado dela e fala:
- Tivemos sorte, a maré está baixa, dá para ficarmos um pouco até que ela volte a subir.
Os minutos passam rapidamente. A noite desce e eles ficam contemplando as estrelas


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que começam despontando.
- Adolfo, acho que já está na hora de voltarmos.
- Calma minha querida, espere um pouco mais, essa calma nos faz tão bem.
De repente ele se cala, e ficam assim, esquecidos do mundo, num sublime fremir de um desejo que lhes arrebata os sentidos. A cada roçar de corpos, sentem que algo muito especial está para acontecer. Era doce, era terna a maneira como ele a acariciava, e mais uma vez quase chegam ao abandono total dos sentidos.
- Anny, precisamos sair daqui antes que seja tarde.
Adolfo a coloca nos braços e retorna para a praia. Exausto ele se deixa cair sobre a areia, e outra vez ela se deixa abraçar por aqueles braços que tanto amor transmitia. Mas ela sentia que a segurança que ele estava a lhe passar já não era a mesma, disso ela tinha certeza. Será que ele estava mudando? Isso a deixava aterrorizada, não, ela não podia sequer pensar nessa possibilidade, mas o medo começou a mostrar-lhe que ela estava certa, ela sabe que não suportará isso sem sofrer, pois ele era o único homem a quem ela depositara toda a sua confiança, com ele aprendera a rir sem fingir, e ela agora podia ter o rumo da sua vida mudado. Ela sabe que o Adolfo significa muito na vida dela, e sofre por não saber dizer, nem sequer demonstrar isso.
- Adolfo posso perguntar-lhe algo que eu sempre tive receios de fazê-lo?
- Pergunte Anny, do que se trata?
- Eu estava pensando numa carta que você me escreveu, nela havia um trecho em inglês, e como eu não sabia traduzir, pedi para o meu professor , o Bernard traduzir, só que ele pareceu-me chateado e disse que não leria para mim, e que quando eu tivesse uma outra carta assim, não trouxesse para ele. Eu fiquei sem saber o que continha e não me atrevi a pedir a outra pessoa que a traduzisse para mim, pois eu tive receios que tivesse alguma coisa demais.
- E o que foi que a fez lembrar dessa carta após tantos anos?
Foi pela frase que você me falou há pouco, não sei porque você tem essa mania, de me falar sempre alguma coisa em inglês.
- Engano seu Anny... Eu falo que te amo em algumas línguas, porque infelizmente eu não sei falar em todas .


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- Mas como é, vai falar o que continha a carta, ou vou continuar na ignorância?
- Diga-me Anny, por acaso esse professor estava apaixonado por você?
- É claro que não, que absurdo!
- Pois ele estava apaixonado por você sim, pois a carta não continha nada grave, apenas dizia que eu a amava loucamente e que eu ainda ia fazê-la minha mulher, que você era a coisa mais importante da minha vida... Eram frases assim e algumas outras, nada que pudesse comprometer uma garota, muito menos envergonhar um homem, pois o amor não envergonha, ele enobrece.
Continuam conversando, logo depois ela decide ir embora, ela não verá ele partir,pois dessa vez ele irá de madrugada. Eles se despedem, Ella vai para casa triste, pois sempre que ela pensava na possibilidade dele vir a deixar de amá-la, ela se desesperava. Embora ela quisesse acreditar que ele jamais faria isso com ela.
De repente ela se lembra do velhinho que a tantos anos atrás tentou alertá-la para alguma coisa, e isto ela só conseguia se lembrar quando coisas ruins lhe aconteciam.
Há quase duas semanas que o Adolfo não escreve para a Anny, e ela está sem notícias, pois nem mesmo para os pais ele tem escrito.
Numa tarde, ela estava em casa, quando o carteiro apareceu.
- Carteiro...
Ela corre a atender, e quando vê o remetente se enche de alegria, era carta do Adolfo, então ele não a esquecera. Abre a carta avidamente e se põe a ler.

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" Anny, amor, essas duas semanas sem notícias suas tem sido horrível. Perdoe-me se não lhe escrevi antes. Estou morrendo de saudades. e estarei aí este final de semana, nós passaremos juntos, precisamos nos realizar, preciso de você para ter certeza que ainda vivo...
A carta continuava, mas ela parecia não ver mais nada... As lágrimas lhe toldavam a visão, e ela não precisava ler mais nada, era suficiente o que acabara de ler, estava claro que o Adolfo continuava a amá-la e pelo visto com a mesma intensidade. Relanceia o olhar pela página e no final vem a despedida dele.
..." Receba deste que tanto te ama, um beijo em teus sequiosos lábios."
Ela exulta de felicidades, então a profecia daquele velhinho não iria se realizar, ela agora tinha certeza dos sentimentos do Adolfo, se ele mandara aquela carta era porque ainda a amava e a queria para sempre.
Foram os dias mais longos da vida dela, pois mesmo sabendo o que ia acontecer, não sentia medo, e este era um segredo que ela guardava só para si. O sábado chegou... E com ele, o Adolfo. Eles haviam marcado o encontro próximo a casa da Ivalda, uma colega de trabalho, que por sinal sabia de toda a história da Anny, pois em algumas crises, ela havia sido a confidente e conselheira dela. De repente ela sente medo, pois sem querer lembrou-se de uma palavras do velhinho. " Aos vinte anos cairás em um abismo e dele só sairás sozinha". Não, ela não tinha o que temer, precisava ser confiante, pois o Adolfo a amava, nada tinha maior importância que este fato. Anny pensa no que falara pra mãe ao sair.
- Mamãe, vou passar o fim de semana na casa da Ivalda, pois ela irá conhecer a família do Zé Luis e eu irei com ela.
- Está bem Anny. - Responde-lhe a mãe.
Quando chega o momento do encontro, ele surge sorridente. olha para ela profundamente e após beijá-la com sofreguidão diz:
- Essa noite será inesquecível, eu lhe prometo, vamos.
Ela fica pensando: - É claro que ele me ama, se ele quisesse diversão por uma noite, procuraria qualquer uma, mas ele estava feliz quando disse que esta noite reservou-a para mim, para vivermos esse grande amor que parecia sufocá-lo.

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Mas ao se ver sozinha com o Adolfo, sente um estranho pressentimento... era como se aquele momento fosse marcar o início de um final.
- Anny, relaxe, eu não vou magoá-la, só quero amá-la, hoje eu finalmente vou realizar o maior sonho da minha vida.
E a noite transcorreu entre encantamentos, medos e muito amor, por´´em uma sensação de solidão parece tomar conta dela, uma dor aguda parece esmagar o seu peito e ela sente que há algo errado, o seu coração denunciava.
Amanhece... O Adolfo não tem uma expressão totalmente feliz, era como se ele tivesse cometido um grave pecado, ou talvez, após saciada essa paixão desenfreada, o arrependimento o estivesse atormentando. Ele a olha ternamente e em seu semblante ela pode lçer que havia terminado um sonho, um longo sonho de sete anos, e que ali se iniciava um pesadelo que poderia perdurar a vida toda no coração de ambos. Esse seria o preço que teriam que pagar por cometerem aquele ato de loucura.
- Anny, vou deixá-la na casa da Ivalda, você não acha que será melhor assim?
Ela não responde, apenas dá de ombros. Eles seguem para a casa da amiga da Anny, lá chegando,o Adolfo disfarça quando ela pergunta pra eles o que está acontecendo que eles estão tão estranhos, ele diz que estão vindo de uma festa e que a anny não quis ir pra casa. Ele pede que cuide bem dela, que a deixe dormir, mas a acorde cedo, pois eles vão almoçar com a família dele. Beija a Anny demoradamente e diz a ela que está tudo bem, que nada mudou, apenas ele não consegue controlar tanta felicidade, e que ela não duvide do amor dele, pois este apenas aumentou.
Ele se vai e a Anny sente um aperto no coração...Ela sente que ele está saindo da vida dela para sempre. Um longo suspiro desperta ainda mais a curiosidade da Ivalda.
-Anny, o que está havendo com vocês? estou achando-os muito estranhos, a impressão que dão é que fizeram alguma coisa errada. Por onde vocês andaram e que festa é essa que ele mencionou.
- A festa a que ele se refere, foi um encontro de amigos, por sinal, amigos do Renato, irmão dele, e não fizemos na da de errado... Vai ver que eu fiz um nenê essa noite.
- Anny, não brinque com coisa séria... Eu estou preocupada, o que houve de fato essa noite?

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- Não fique preocupada à toa. Eu não sou criança e sei perfeitamente o que posso e o que não posso fazer.
- Quisera que você realmente tivesse deixado de ser criança, só que você é dessas pessoas que quando chegam na velhice, não lembraram de deixar de ser criança. Até o própro Adolfo vive perguntando quando é que você vai crescer.
Anny fica calada, ela sabe que a amiga está certa, ela não consegue enxergar as maldades humanas, sempre confiava e por isso vivia se machucando.
Sem conseguir descansar, ela resolve ir para a casa do Adolfo, ao sair vê que o Zé Luis, o noivo da Ivalda está chegando.
- Oi anny, o que deu em você para estar aqui a uma hora dessas?
- Ah! Então eu tenho que marcar hora pra vir visitar vocês?
-- Que é isso menina, eu apenas estranhei o horário porque hoje é domingo, e o certo seria você estar com o Adolfo, a não ser que ele não tenha vindo esse fim de semana.
- Ele veio sim Zé, mas estranho é você estar chegando aqui a essa hora.
- É que eu fui levar meu irmão na rodoviária, saí muito cedo, a Ivalda não te falou?
- É que não deu tempo Zé... O Adolfo trouxe a Anny muito cedo, nós ficamos conversando e eu esqueci de você amor.
- Bonito hem! Esqueceu de mim... Mas espere que história é essa do Adolfo ter trazido a Anny, a essa hora? O que houve? Onde estavam?
- Não se preocupe, não aconteceu nada, fica com um beijo que eu já estou de saída.
Preocupada a Anny analisa a vida dela, desolada percebe que nada do que tem feito tem dado certo. Será que o Adolfo iria abandoná-la? Triste se dirige para a praia e fica refletindo sobre os últimos acontecimentos.
o que será que se passava no íntimo do Adolfo, era o que a anny se perguntava constantemente. Tudo havia acontecido conforme ele planejara, para ele estava tudo normal, mas por que essa estranha sensação que ele havia deixado nela? Será que o abismo a que se referira o velhinho, que ela iria cair aos vinte anos, seria as consequências da noite anterior. Ela já está com dor de cabeça, são muitas as preocupações que a aflige. Decide ir logo para a casa do Adolfo.
- Bom dia d. Rita! tudo bem?
-Bom dia Anny, com está você? me parece abatida.

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- Impressão sua d. Rita, eu estou bem, e o Adolfo ele está?
- Está sim minha filha, mas me diga uma coisa, você viu o Adolfo ontem?
- Não, eu não o vi, aliás, estou chegando de viagem agora. Mas por que a senhora me pergunta isso?
- É que todos esses anos que o Adolfo tem vivido fora de casa, essa é a primeira vez que ele chega no dia de voltar, e ainda por cima tão estranho, pois sempre que ele chegava no domingo, era porque havia dormido na sua casa, mas ontem ele disse que não foi pra lá.
- É verdade, ele ontem não foi pra minha casa. Mas por que a senhora o achou tão estranho?
- Não sei explicar Minha filha, é como se meu filho tivesse feito algo errado, mas ao mesmo tempo o sinto feliz, não consigo entender o que está acontecendo, e ele diz que está tudo bem, só não consegue ser convincente.
- Não se preocupe d. Rita, se houver algo de errado ele por certo me dirá, ele nunca mentiu pra mim e nunca escondeu nada de mim.
Anny vai falar com o Adolfo.
- Seu maluco, você tinha que ter pensado em alguma coisa antes de chegar em casa, afinal o que deu em você? perdeu a noção das coisas?
- Não adianta Anny, não consigo pensar em nada, só me vem à mente, a noite passada. afinal eu poderia ter escolhido qualquer garota pra sair comigo, afinal são tantas que eu conheço.
Anny sente-se morrendo aos poucos, então para ele, aquela noite não significara nada, ela agora não passava de uma garota qualquer na vida dele, ela nunca mais seria o seu amor, a sua louca paixão.
- O que está acontecendo Anny, por que estás tão pálida, você está passando bem?
- tubo bem Adolfo, apenas me surpreendi com a nova declaração de amor que você acabou de dizer... eu devia saber que aquele velhinho estava certo... ele sempre esteve certo.
- Anny meu amor, acho que não me expressei bem, seja lá o que for que eu tenha dito, esqueça, pois você foi, é e sempre será o grande amor da minha vida.

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permanecem calados durante um bom tempo. É chegada a hora do almoço, que como podia se esperar transcorreu em silêncio. Ela mal toca na comida.
- O que há Anny, doente de amor? Olha que o Adolfo não merece tanto.
- Que nada Renato, apenas estou sem fome.
- Mas sinal Anny! Mal sinal!
- Você hoje está impossível Renato.
Renato começa a rir e logo depois começam a conversar sobre vários assuntos, mas ela continua calada, distante, cabisbaixa.
Adolfo e Anny retiram-se da mesa e vão para o quarto conversar.
- Adolfo você está triste, sinto o coração apertado só em olhar pra você... você está arrependido não é?
- Não minha querida, estou apenas preocupado, mas estou muito feliz, afinal foram muitos anos esperando por esse dia.
- Diga-me Anny, gostaria de morar em Maceió?
- Qualquer lugar pra mim será perfeito, desde que estejamos juntos.
Passaram o resto da tarde juntos, e no final da mesma, ela acompanha o Adolfo até a rodoviária e entre beijos o Adolfo pede a Anny que vá com ele, ele sente que ela tem que ir- Por favor Anny, venha comigo, não podemos nos separar nesse momento, precisamos ficar juntos, em nome do meu amor, venha, não me deixe partir só.
- Sem ninguém saber Adolfo! você deve estar louco!
- Por favor Anny, venha comigo, eu sinto que não devemos nos separar.

Mas estranhamente ela sente que há alguma coisa errada com aquelas palavras, e relutante, entre beijos e juras de amor ele se foi. Mas só que desta vez ela sente que foi diferente, ele deixara um vazio maior que todos os que ela já havia sentido.
O tempo vai passando e ela não tem notícias do Adolfo, sem perceber vai se afastando da casa dos pais dele. Já faz quase um mês que ele se foi, ela se desespera, pois desde aquela noite não conseguiu mais ter paz. Ela aos poucos vai se entregando ao desespero, ninguém sabe o que aconteceu, e mesmo assim, apesar de tudo ela ainda conserva uma pequena esperança, e continua a esperar pelo Adolfo, ela sente que ele virá. Dias depois ela resolve ir a casa dos pais do Adolfo.

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- Olá d. Rita, tudo bem?
- Mais ou menos Anny. O Adolfo tem escrito pra você? estamos sem notícias desde aquele estranho domingo
- Não, ele não tem me dado notícias, mas não se preocupe, provavelmente ele está em treinamento, sempre cansado e sem tempo. Mas ele logo dará notícias, vamos esperar mais um pouco- tomara que você esteja certa, estamos realmente muito preocupados, eu queria telefonar, mas o Antunes não deixou, ele me disse que vou preocupar o Adolfo e isso eu não quero.
D. Rita jamais poderia supor o quanto a Anny estava desesperada, ela fora ali em busca de notícias e saíra mais preocupada.
Seis semanas depois o Adolfo aparece, mas não era o mesmo Adolfo que ela conhecia. Este era muito diferente, é como se tivesse quebrado algum encanto, é como se um outro Adolfo estivesse ali na sua frente, e apesar dele cobri-la de beijos, ela sentiu que havia perdido ele para sempre, pois tudo o que ele dizia ou fazia soava falso, como algo muito bem ensaiado. Eles começam a conversar, e de repente a Anny toma o rosto dele entre as mãos e fala:
- Adolfo, vou ser mamãe.
- O que? tem certeza?
Ela por um momento fica estarrecida diante da expressão que ela vê estampada no rosto dele, ai ela começa a falar sem parar.
- Olha Adolfo, eu nem sei porque te contei, esqueça o que eu falei, pelo amor de Deus, faça de conta que eu nada disse... eu já decidi o que fazer.
- O que você quer dizer com: " já decidi o que fazer"... Por acaso você está pensando em aborto?
- Isso nunca Adolfo! sou mulher o bastante para assumir o que fiz.
- meu deus Anny! por instantes pensei que você não queria o nosso filho.
Adolfo é tomado por uma nova expressão... Seu rosto transborda de felicidade, e ele começa a repetir baixinho:
- Eu vou ser papai... Como estou feliz, eu vou ser papai, e é fruto do grande amor da minha vida. obrigado Anny, por me fazer o homem mais feliz do mundo, só você poderia

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fazer isso... o meu filho, filho da mulher que atormentou a minha vida durante anos, e em poucas semanas me dá tudo o que eu poderia desejar de você, um filho. Obrigada meu amor.
e ele começa a fazer planos para o futuro, muito preocupado com aquele pequenino ser que estava por vir ao mundo. E chegado o momento da partida, ele se vai, se despediram, mas ela sente que não havia chance de ver transformado em realidade os seus sonhos.
Três meses já se passaram desde aquela noite. Do Adolfo, nenhuma notícia, ela não procurou escrever, ele sabia o que havia feito, não havia necessidade de uma cobrança e ela jamais ia pedir ajuda ou proteção a quem quer que fosse. ela está morando sozinha há uns dois meses. Ela sentia muito medo, mas estava disposta a seguir em frente e só, ninguém iria sofrer com aquele ato que de impensado nada tinha.
Os dias e as noites da Anny eram sempre iguais, nada acontecia para melhorar o seu estado de espírito. Acordava cedo todos os dias e ia para o trabalho. À noite, sempre exausta, chegava em casa e se punha a arrumar as coisas, mal dava para descansar, pois ela sempre procurava alguma coisa para fazer na tentativa de manter a mente ocupada... As vezes a sua mente tentava vencer aquele abatimento, mas o espírito não ajudava, e assim a sua alma mais e mais se consumia.
Certa vez, a Anny que havia se afastado de todos encontra o padre Bruno.
- Minha filha como você está abatida! apesar de fazer meses que eu não a vejo, não pensei encontrá-la assim, tão deprimida, tão carente. Eu compreendo como você deve estar se sentindo, afinal o Adolfo era o seu porto seguro, nele você depositou toda a sua confiança, e no momento em que você mais precisa, ele está ausente. essa é a hora em que você mais precisa de amor, carinho, proteção e sobretudo atenção. Eu realmente não compreendo como é que num momento mais importante da vida de vocês dois, você está sozinha. Sabe Anny, embora esse acontecimento seja motivo pra alegria, quando a sua mãe me contou eu fiquei triste, mas a minha tristeza é pela sua situação, e eu cheguei a comentar que de todas as filhas dela a que menos merecia uma sorte dessas era você, não que as outras não mereçam o melhor, mas é que com você é diferente.
- Agradeço tanta preocupação Bruno, mas realmente não é pra tanto.

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- Apesar de você tentar esconder Anny, todos sabem o quanto você precisa de apoio, sabemos que você está com problemas de saúde, não queira esconder o que está tão à mostra... o seu modo de andar, falar, pensar e agir deixa isso muito evidente. Não ponha o orgulho à frente dos seus reais sentimentos e necessidades.
- Meu querido amigo, não se preocupe em demasia, está tudo indo muito bem, se melhorar estraga.
- Então Anny, me diga com toda sinceridade, o Adolfo tem escrito? ele vai resolver e assumir essa situação?
- Bruno, querido Bruno, não tem porque se preocupar, esta tudo bem comigo, só estou um pouco cansada, tenho trabalhado muito esses dias, é tanto que nem vejo o tempo passar e nem tenho tido tempo pra pensar na vida. quanto ao Adolfo, ele tem escrito, está muito feliz com a ideia de ser papai, e tão logo ele consiga uma licença, nos casaremos. Sabe Bruno, eu adoraria que você ao invés de ser padre, fosse meu pai, eu me sentiria duplamente amada e protegida.
- Olhe Anny, o que eu puder fazer para ajudá-la, farei. Na verdade eu até já pensei em ir até o Adolfo e pegá-lo pelas orelhas, afinal ele pensa que você é cão sem dono? não, as coisas não são bem assim, ele encontrou-a em casa, não foi na rua, e depois vocês se conheciam a tanto tempo, tantos anos um homem apaixonado para acabar fazendo o que ele tem feito? eu não quero acreditar que ele enganou a todos nós, não quero acreditar que ele seja um crápula. Pela sua expressão estou vendo que você não está gostando do que está ouvindo, mas minha filha, ele a conheci muito bem, você nunca o enganou em momento nenhum... não minha filha, ele não tem esse direito, e tenha certeza, se eu o encontrasse eu o ensinaria a agir como homem, nem que fosse debaixo de uma surra... Ele não tinha o direito de fazer isso com você... Você que sempre foi tão verdadeira para com ele.
- Fique tranquilo Bruno, o Adolfo não é o que você está pensando, ele é apenas imaturo e não estava preparado para enfrentar essa situação. Talvez um dia ele acorde desse pesadelo, pois é em que se transformou essa situação, eu sei que era tudo um sonho e que ele fez questão de transformar em pesadelo, e agora se assusta com os próprios fantasmas.

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- Eu espero que você esteja certa minha filha, pois no fundo ele sabe que você ainda é a mesma criança de anos atrás, não importa a idade que você tem hoje, o que conta é o seu íntimo, e eu não quero nem pensar que ele resolveu transformar essa criança numa mulher sozinha e desprotegida.
Anny sabe que se falasse com ele o que realmente estava sentindo, o que estava passando, com certeza ele iria procurar o Adolfo, e sabe que o Adolfo não teria desculpas para dar que fosse honesta e aceitável, pois ele conhecia a Anny melhor que todo mundo, ela nunca o enganara, sempre fora sincera com ele, o seu grande defeito foi não conseguir lhe mostrar o que lhe ia na alma. O bruno se despede prometendo voltar a procurá-la pois estava muito preocupado com aquela situação. Bruno se vai e no mesmo instante, ele lembra do Vitor, fica pensando no dia em que o encontrou na loja, esse rapaz sempre fazia visitas, ele era representante de uma grande empresa. Quando ele avistara a Anny, se aproximara, pegando na mão dela, procurara a aliança e não encontrando indagara:
Onde está a aliança Anny?
O Vitor percebe o olhar ensombreado que descerra aqueles belos olhos e se condena pela falta de tato.
- Você vai casar Anny? me perdoe se estou sendo cruel, mas eu acredito que seja o mínimo que venha a acontecer. Sabe Anny, eu estou muito preocupado, ouço rumores sobre a sua situação e isto tem me deixado muito preocupado. Não quero ser indelicado, mas seja ele quem for, não tinha esse direito, e ainda por cima deixsr toda a responsabilidade sobre os seus ombros.
Anny olhá-o através das lágrimas que lhe turvavam a visão, e isto machuca ainda mais o Vitor, ele aprendera a admirar cada vez mais aquela mulher com jeito de criança... Jeitinho atrevido e ao mesmo tempo inocente que tanto o encantava.
- Olha Anny, seja lá como foi que isso aconteceu, espero que tenha sido um ato de muito amor, e que ele não tenha conseguido roubara singeleza da sua alma, e que esta ainda possa trazer-lhe aos lábios aquele sorrido de criança travessa, pois foi sempre assim que eu a vi, minha doce e pequena Anny... Espero tornar a vê-l com um olhar

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feliz nessa eterna expressão infantil.
Anny nada conseguira falar após ouvir aquele desabafo, ela sempre sentiu que o Vitor a tratava diferente das demais meninas, porém ela jamais imaginara que ele a via dessa forma, mas logo ela começa a lembrar dos presentes que o Vitor já lhe dera... Uma boneca, um bichinho de pelúcia, e o último havia sido um jogo de bonecas em miniatura.
Para ela doía-lhe muito não poder ser sincera com as pessoas, de todos ele escondia a verdade, não queria ser motivo de piedade de ninguém nem tão pouco queria que criticassem o Adolfo, que o julgassem e o condenassem depois.
Os dias continuam a passar, e Anny sempre estava a fantasiar a sua verdade, a sua triste realidade, ela sabia que não havia mais esperanças, então ela passa a viver unicamente em função do filho que está por vir ao mundo.
Um dia a Anny que já estava bem próxima dos seis meses, recebe a visita do Adolfo. Ela estava arrumando as roupinhas de bebê, e escuta quando um carro pára, ela pressente ser o Adolfo, pega tudo e guarda rapidamente, para que ele nada veja. Senta-se na cama e fica aguardando. ela não sabia que ele havia comprado um carro, mas ela sempre sabia quando ele estava pra chegar, pois ela sempre sentia aquela sensação indefinida a invadir-lhe a alma.
- oi Anny, posso entrar?
- Não sei pra que Adolfo, que eu saiba você no perdeu nada aqui, nem tem nada pra dizer e menos ainda pra ouvir.
- Por favor anny, vamos agir como adultos, precisamos conversar, deixe-me entrar.
Mais uma vez ela se deixa convencer. ele olha em volta e pergunta o que ela estava fazendo:
- O que você fazia quando eu cheguei Anny?
- Estava arrumando as roupas do meu bebê, eu não sei se você sabe, mas eu estou grávida, aliás se não sabia, agora já não dá pra esconder.
- Deixemos as ironias de lado, eu sei perfeitamente o que fiz.
- Mas é claro que você sabe o que fez, afinal você foi muito homem para fazer, só que eu fui mulher o suficiente para assumir.

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- Por favor Anny, não quero discutir com você, eu vim em paz.
- Acontece que eu não quero que você toque em nada que pertença a meu filho, dá pra você entender isso?
- Não Anny, eu não posso compreendê-la, nem tão pouco aceitarei isso. entenda de uma vez por todas que esse filho também é meu, é nosso, será que é tão difícil por isso na sua cabeça?
Ele não percebe que a medida que vai falando, ela vai se irritando cada vez mais, ela não quer aceitar que ele tenha qualquer participação no nascimento do seu filho, não, isso nunca. Essa criança era apenas dela, só dela, como estava sendo até aquele momento. Além do que, qualquer coisa que ele fizesse para ajudar tanto a mãe quanto o filho, seria por causa da família, é como se com isso ele fosse garantir a ausência de cobranças, esta seria uma forma de assumir mesmo que parcialmente o que lhe cabia de responsabilidade, livrando-o talvez do que poderia ser culpa.
Não, ela jamais aceitaria o que lhe parecia ser sacrifício, o seu filho não precisava disto, sua necessidade era de amor, algo que o Adolfo já não tinha, mas foi um sentimento que a Anny julgara que ele tivesse. Ele tenta puxar assunto, ele precisava conversar com ela, e continua insistindo.
- Você estava descansando?
- Não, eu não preciso descansar... Está pensando que eu me tornei uma inválida? está muito enganado, eu apenas arrumava algumas coisas.
- E tratou de guardar tão logo percebeu que eu havia chegado, não foi Anny? com certeza eram coisas do nosso filho.
- Olhe Adolfo, antes de mais nada devo lhe dizer que não há nada que venha de você que ainda possa me magoar, pois só a sua presença já é o bastante para que isso aconteça, portanto qualquer outra coisa que venha de você, quer seja dito ou feito, me afetará, estou imunizada contra você. Quanto as roupinhas do bebê, eu o deixarei ver, pois não vai alterar nada, pois não há nada para ser alterado.
Arrasado o Adolfo senta na cama e cabisbaixo espera a próxima reação dela, mas a Anny simplesmente dirige-se para onde guardara as roupinhas do seu filho, ela abre o baú e deixa ele ver o conteúdo, e sorri intimamente ao ver o ar de sofrimento do Adolfo ao

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tocar cada peça, ela sentia que ele estava amando cada roupinha que pegava, mas ele não estava preparado para enfrentar aquela situação, faltava-lhe maturidade, e apesar de terem sido pegos desprevenidos, a Anny soube reagir, talvez impulsionada pelo orgulho, mas isso já não importava, aquela mulher com alma de criança vencera aquela batalha, enquanto que ele se entregara aquela inércia, fazendo com que a Anny se apegasse ainda mais ao seu orgulho, o que a levava muitas vezes a agir por impulso, deixando de lado a razão, e ela sentia-se mal ao tê-lo tão perto, pois ela sabia que seria apenas por alguns momentos, que ele logo partiria, deixando-a no mais profundo desespero, e que a cada novo contato, ela sairia mais machucada. A Anny sabe também que se não fosse tão orgulhosa, talvez as coisas acontecessem de forma diferente, e um novo rumo poderia ser dado na vida dela... Deles, e quem sabe este fosse um destino mais risonho e menos espinhoso.
Adolfo com seu jeitinho, mais uma vez consegui iludir a Anny, e é com sofreguidão e desespero que ele torna a amá-la, e ela mais uma vez se entrega ardente de paixão, de emoção, enlouquecida por aqueles meses onde o silêncio dele aumentara cada vez mais a sua saudade e a sua sede de amar e ser amada. E em sua ingenuidade, ela nunca iria supor que tudo terminaria outra vez com o raiar do dia, mas foi o que aconteceu.
Amanheceu! ela se acorda com o barulho dos pássaros.
- Bom dia Anny! como está se sentindo?
- Eu estou bem Adolfo.
- Apesar da ânsia e da minha intensidade ao te amar, eu consegui ser cuidadoso, te machuquei anny?
- Não se preocupe Adolfo, eu já lhe disse que estou bem, foi tudo maravilhoso. Mas me diga Adolfo, o que você foi conversar com a mamãe que não me deixou ir junto?
- Nada importante minha querida. A única coisa realmente importante para mim nesse momento foi o que aconteceu entre nós essa noite, e quero lhe dizer que eu estou muito feliz... Ah! deixe-me lhe dizer Anny, que eu amei cada peça de roupa que vi, principalmente aquela camisetinha que tem escrito" sou do papai", eu me senti muito orgulhoso.
- Seria bom que ele tivesse um pai não é Adolfo? mas nós bem sabemos que isso jamais

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acontecerá.
- Por que você me exclui das suas vidas dessa maneira Anny? Dê-me um tempo, estou atravessando uma fase muito ruim, sinto-me impotente diante das situações que o destino tem me apresentado.
- Todo ídolo de barro tem o seu dia, e pelo visto o seu já chegou e bem rápido por sinal.
Em vão o Adolfo tenta conversar com ela, mas é impossível, a Anny continua a agredi-lo, as vezes com palavras ou simplesmente com silêncio. Ele se despede e ao sair deixa sobre ela aquele sabor amargo de derrota.
Anny volta ao médico, ela sabe que está doente, e ela procura se cuidar, não por ela, pois um final até que seria um presente do céu, mas ela precisa lutar, há uma vida que depende da dela, e isso dá forças a ela.
Dias depois eles voltam a se encontrar, mas foi o encontro que ela tanto ansiara, apesar de negar isso até para si.
Desta vez ela se encontrava em um leito de hospital, estava muito doente, a fraqueza se abatera sobre ela em todos os aspectos, ela havia se tornado uma pessoa amarga, inconscientemente entregara os pontos, esquecendo que nessa batalha tão sofrida a principal guerreira era ela, e que com certeza, apenas o destino poria um fim e isto ela sabia, pois seja lá qual fosse o desfecho final, apenas a morte iria exterminar com qualquer sofrimento que porventura restasse de toda aquela história, pelo menos entre eles dois, não importando quanto anos irá passar.
- olá Anny! como vai você?
- Estou indo muito bem, obrigada.
- Você está muito abatida, precisa de alguma coisa?
- Não... Eu não preciso de nada nem de ninguém, será que não dá pra você entender que nada me falta, que sou feliz, extremamente feliz, que estou cheia de saúde e amor-próprio intocado, e tenha a certeza que tudo isso me basta. Se estou aqui, é passando férias, você não precisa se preocupar com qualquer coisa que seja, não há nada que você possa fazer por mim. Nesse momento eu só preciso de quem tenha amor, de ser humano sem alma, sem coração, de pessoa vazia, basta eu.

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Anny achava necessário mostrar ao Adolfo que nada mais os unia. Ela jamais deixaria ele perceber o quanto estava carente, isso nunca. E dominando a custo o ímpeto de atirar-se nos braços dele e dizer-lhe o quanto o queria, o quanto precisava dele e do seu amor, Ela preferira calar, ela jamais aceitara qualquer coisa que fosse feito por obrigação e não de coração.
Muito a custo ela demonstra uma frieza que na realidade estava longe de sentir. E passa a escutá-lo como faria com qualquer pessoa que não lhe fosse próxima.
Ela ouve ele falar com entusiasmo das dificuldades que vinha atravessando no novo destacamento, mas ela achava que o entusiasmo devia-se ao fato dele ter sido transferido para mais longe de Recife, para mais longe dela e dos possíveis problemas que ela pudesse apresentar na vida dele.
Era doloroso para ela, saber que aquela noite de dor e sofrimento ainda persistia dentro dela, após tantos meses. Cada um paga pelas suas desventuras, e ela teve que pagar o dobro, pois ficara também com o quinhão de dor do Adolfo. Fica observando-o e se põe a imaginar: - Onde estará o grande amor que um dia ele jurara sentir por ela?
E mais uma vez, sem nenhuma explicação, mergulha numa depressão que só piora após a partida do Adolfo.
Logo que sai do hospital, ela fica vários dia em casa, ela está sem poder voltar ao trabalho, e isto só irá acontecer quando ela ficar completamente curada, mas ela sabia que nunca conseguiria ficar completamente curada, pois ela jamais poria um fim ao mal que lhe afligia a alma, e assim, ela rasga a licença e volta para o trabalho.
O dia se aproxima, ela não mais viu o Adolfo. ela passara por momentos difíceis, onde os médicos achavam que o melhor para ela seria tirar a criança quando esta completasse sete meses, pois esta seria colocada numa encubadora e a Anny não teria mais problemas, aos quais punha a vida da Anny em risco.
Assunto discutido entre parentes e amigos, mas prevaleceu a vontade férrea da Anny. Esta criança só viria ao mundo quando Deus determinasse o momento, sua vida não era mais importante do que a do seu filho.
Certa noite a Anny olha para o quarto... Está tudo pronto, à espera do grande momento, que apesar de tão sofrido, era muito almejado. Ela sente medo do

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desconhecido, pois ela não sabe ao certo pelo que irá passar, mas continua firme. E dia após dia olha para a rua na esperança de ver o Adolfo surgir, mas essa esperança logo se esvai, pois ela sabe que isso não irá acontecer, Mas é só para ela que ousa acalentar esse sonho que na realidade nunca passará de um sonho.


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