sexta-feira, 30 de abril de 2010

Foi Tudo Em Vão


Gostaria de um dia voltar
Aos lugares por onde passei
Rever cada canto, cada lugar
Até mesmo aqueles onde chorei

Rever as pessoas que conheci
Em cada fase da minha vida
Principalmente as que convivi
E que me magoou com sua partida

Queria ainda também poder sentir
Todas as alegrias que tive roubada
E a felicidade que um dia perdi
Por não conseguir ser mais ousada

Se eu pudesse o meu destino transformar
E com isso, a vida faze-la um pouco entender
Que foi tudo em vão,Já que nada eu vi mudar
Nessa história que um dia vivi com e por você

E percebo que por mais cruel que seja
A verdade sempre haverá de prevalecer
E se do destino não tive a mão benfazeja
Apesar de tudo, hoje, ainda consigo viver

Viver do resto da minha passividade
Que como âncora a mim se atrelou
Mas quem teve marcada a mocidade
Viver de migalhas é o tudo que restou

Migalhas de ações e sentimentos
Que miseravelmente a vida me deu
Meus sonhos releguei ao esquecimento
Mas que vez por outra do tédio renasceu

Quem sabe se eu conseguisse buscar
Tudo que na minha origem se perdeu
Talvez eu conseguisse um pouco salvar
O que na realidade, nunca, nunca morreu

E diante da perfeição que de mim se espera
Me agarraria a qualquer chance de vencer
Matando de vez todas essas tristes quimeras
Que um dia ousou levar da minha vida você

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Flor Em Botão


À Minha Filha Kelrelen

Essa minha linda flor em botão
Muito cedo para o amor se abriu
Mas o seu tão inocente coração
Muito se enganou e aí se feriu

Sangrou feio da primeira vez
Porém a segunda vez, foi pior
Talvez tenha sido a insensatez
Mas creio que para ela foi melhor

A haste retorceu-se em meio a dor
As pétalas, ressecaram mas não caiu
Devido a uma mão sem qualquer pudor
Que lhe tentou colher e aí lhe feriu

No jardim da vida houve grande sofrimento
Pois tanto desamor toda a plantação atingiu
E tanta maldade e falta de caráter sem cabimento
Esse meu lindo botão, ele realmente não destruiu

Machucado o botão, o viço um pouco perdeu
Mas o tempo outra chance haverá de lhe dar
Machucada as pétalas,mas a haste não morreu
E novamente no jardim da vida ela brilhará

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Fazendo Amor


As vezes me pego beijando o vento
Sentindo o frio da carência me tocar
E me entrego nos braços do tempo
Fazendo amor simplesmente por amar

E sinto o cansaço que aos poucos me domina
E calmamente eu me preparo para então dormir
A alegria que invade meus sentidos predomina
E nos braços da madrugada adormeço a sorrir

E acordo com o surgir tranquilo do amanhecer
E sinto os braços da madrugada me abandonar
E ela se vai deixando as lembranças de você
E uma vontade louca de ainda querer te amar

E calada deixo gritar angustiado meu coração
Pois o tempo tão cruel aos poucos nos chegou
Já não há mais o viço da mocidade nem a emoção
Só restando a calmaria dessa história de amor

Cicatrizes


Conheci na vida muitos sentimentos
E muito cedo embriaguei-me de paixão
Mas para meu grande descontentamento
Só consegui cicatrizes em meu coração

E me deixei envolver sem nenhuma razão
Pelas ciladas que o destino me preparou
E como em toda história de pura ficção
Todo o brilho que me envolvia se apagou

Nos muitos sentimentos que a vida me deu
Pude viver uma grande e avassaladora paixão
Mas que no tempo o próprio tempo a desvaneceu
Deixando apenas essas cinzas em meu coração

Mas é chegado o tempo da fiel calmaria
E assim, um outro sentimento me ensinou
E trouxe para a minha vida muitas alegrias
Chegando bem vestido,com o uniforme do amor

Mas este também não durou muito tempo
Pois em sua bagagem trouxe consigo o ciúme
O que transformou tudo num grande tormento
E foram muitas lamúrias e grandes queixumes

Até que um dia sem nunca ter sido convidada
Me chegou de mansinho a infeliz da solidão
E já que por você eu não mais era amada
Aceitei-a e livrei-me de uma vez da ilusão
 
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